A “tempestade perfeita” para produtores de commodities agrícolas, com margens achatadas e redução de investimentos na lavoura, segue refletindo nos balanços das fabricantes de insumos, principalmente os fertilizantes.
A americana Mosaic reportou nesta terça-feira, 4 de agosto, que saiu do lucro para o prejuízo no segundo trimestre. Enquanto de abril a junho de 2025 a empresa havia registrado lucro líquido de US$ 411 milhões, desta vez, com a guerra no Irã e a disparada no custo do enxofre, houve prejuízo de US$ 273 milhões.
Os demais indicadores também foram piores na comparação anual. A receita líquida caiu de US$ 3 bilhões para US$ 2,8 bilhões. O Ebitda Ajustado (lucro antes de impostos, taxas, depreciação e amortização) ficou em US$ 407 milhões, queda de 28% em relação ao segundo trimestre do ano passado.
Neste cenário, a margem bruta que era de aproximadamente 17,3% no segundo trimestre de 2025, baixou para 7,6% no reporte atual.
Segunda a empresa, o faturamento menor refletiu principalmente a diminuição dos volumes de vendas nos segmentos de fosfato e da Mosaic Fertilizantes. Houve aumento nos custos com as matérias-primas, que foram parcialmente compensados por preços mais altos de fosfato e potássio.
“As condições de mercado permaneceram desafiadoras no segundo trimestre, impulsionadas principalmente por desafios relacionados à disponibilidade e aos custos do enxofre”, afirmou o presidente e CEO Bruce Bodine, no comunicado divulgado pela companhia.
“Na Mosaic, estamos focados naquilo que podemos controlar. Reduzimos a produção de fosfatos, cortamos custos, diminuímos os investimentos de capital e fortalecemos nossa flexibilidade financeira, mantendo, ao mesmo tempo, a capacidade de retomar os níveis máximos de produção quando as condições de mercado melhorarem”, diz o executivo, no texto.
O comunicado também menciona a decisão da companhia de “realocar capital de ativos com desempenho insatisfatório em busca de melhores retornos para os acionistas”.
O corte de custos e as decisões de abandonar o que está ficando financeiramente inviável é claramente percebido no Brasil. A Mosaic Fertilizantes reduziu ou paralisou temporariamente a produção em várias unidades no País, incluindo fábricas em Minas Gerais, Paraná, Bahia e Goiás.
Sobre o Brasil, o balanço menciona que “houve avanço na avaliação de alternativas estratégicas para os ativos de Araxá e Patrocínio”, no item que trata de alocação de capital.
A empresa diz também ter concluído, no segundo trimestre, a venda de sua mina de potássio em Carlsbad, no estado do Novo México, nos Estados Unidos. Sobre os investimentos de capital (capex) em 2026 informou que agora são estimados em US$ 1,20 bilhão, abaixo da previsão anterior de US$ 1,25 bilhão.
Quando considerados os diferentes tipos de negócio, apenas o segmento de potássio ficou livre de uma queda. Neste setor, o Ebitda ajustado ficou estável em US $ 278 milhões.
O maior tombo foi visto na unidade de negócio chamada “Mosaic Fertilizantes” onde estão concentradas as atividades de produção, mistura e comercialização de fertilizantes em geral (excluindo a mineração). O EBITDA ajustado neste segmento totalizou US$ 60 milhões, em comparação com US$ 159 milhões no segundo trimestre do ano anterior.
Sobre este item, o balanço menciona que “a produção de fertilizantes commodities está em processo de paralisação no Brasil, em razão do custo elevado e da disponibilidade limitada de enxofre”.
Já a produção de nutrição animal em Cajati, segundo a empresa, “permanece operacional e rentável”.
Em função das paralisações na produção e altos custos, a Mosaic já alerta no texto que o próximo trimestre seguirá demonstrando resultados ruins.
“As condições econômicas desafiadoras para os produtores e o impacto, durante todo o trimestre, das reduções na produção devem afetar negativamente o desempenho financeiro do terceiro trimestre. Como resultado, o EBITDA ajustado do segmento (Mosaic Fertilizantes) no terceiro trimestre deverá ficar abaixo do resultado registrado no segundo trimestre”, destaca o texto.
Uma aposta crescente na multinacional vem sendo a oferta de bioinsumos, por meio do chamado Mosaic Biosciences. Segundo o balanço, o segmento registrou receita líquida de US$ 25 milhões no segundo trimestre.
A Mosaic cita o lançamento de cinco novos produtos no primeiro semestre de 2026 e a expectativa de lançar outros três a cinco novos produtos ainda neste ano.
“A receita líquida em 2026 deverá dobrar em relação ao total de US$ 68 milhões registrado em 2025”, disse a empresa, em relação ao Biosciences.
Apesar da predominância dos números negativos, a Mosaic prevê um cenário de recuperação da demanda para alguns produtos, em 2026.
No mercado de fosfatados, a expectativa é de que a oferta global continue restrita até o fim do ano devido a cortes na produção e redução nas exportações chinesas. No potássio, as condições devem permanecer favoráveis, com demanda resiliente na América do Norte, recomposição de estoques no Brasil e importações recordes na China.
A empresa acredita que a atual volatilidade e os altos custos de enxofre e amônia são temporários, embora o tempo para a normalização ainda seja incerto.
Resumo
- A Mosaic registrou prejuízo de US$ 273 milhões no segundo trimestre de 2026, pressionada pela disparada dos custos do enxofre.
- No Brasil, a companhia reduziu ou paralisou temporariamente a produção em diversas unidades, o que refletiu em piores resultados da Mosaic Fertilizantes
- A empresa informou que espera dobrar em 2026 a receita líquida do segmento Mosaic Biosciences, de bioinsumos, que foi de US$ 68 milhões no ano passado