A máquina financeira montada pela Corteva para viabilizar sua separação em duas companhias distintas segue a todo vapor.
Menos de um mês depois de a Vylor, empresa criada para absorver seu negócio de sementes, captar US$ 1,1 bilhão, a EIDP, subsidiária integral da empresa que ficará à frente da operação de proteção a cultivos, levantou US$ 700 milhões em uma emissão privada de notas seniores.
A operação foi detalhada em um documento apresentado à Securities and Exchange Commission (SEC), a CVM americana, nesta quinta-feira, 24 de setembro, e é mais um movimento financeiro feito nas semanas que antecedem a cisão da Corteva em duas companhias abertas.
Os títulos vencem em 15 de agosto de 2036 e terão pagamento de juros duas vezes por ano. Segundo o documento, os recursos serão destinados a fins corporativos gerais, incluindo a quitação de commercial paper, dívida de curto prazo usada para financiar o caixa da companhia.
Juntas, as duas operações somam US$ 1,8 bilhão em novas notas emitidas durante a preparação da cisão. As engrenagens financeiras das duas operações, porém, são distintas e não têm o mesmo custo para os dois lados da futura separação.
Dos US$ 1,1 bilhão captados pela Vylor, US$ 550 milhões foram emitidos com vencimento em 2031 e cupom de 5,125% ao ano. Outros US$ 550 milhões, com vencimento em 2036, têm taxa de 5,625%.
Já a EIDP pagará 6% nas notas de US$ 700 milhões, com vencimento em 2036.
Na comparação entre papéis de prazo semelhante, portanto, a nova dívida da EIDP tem um cupom 0,375 ponto percentual maior que a emissão de 2036 da Vylor.
As duas captações também cumprem funções diferentes dentro da separação. Os recursos levantados pela Vylor devem ser destinados, segundo a documentação da operação, a uma distribuição em dinheiro à EIDP como parte da contrapartida pela transferência do negócio de sementes, além de despesas relacionadas às ofertas de troca de títulos e outros fins corporativos.
A nova dívida da EIDP, por sua vez, tem como destino declarado o caixa da companhia, incluindo o pagamento de obrigações de curto prazo.
Na prática, a estrutura vai deixando mais claro como os negócios chegarão ao dia seguinte à cisão — e como a nova dívida será distribuída entre as duas operações.
O documento protocolado na quinta-feira inclui ainda um Registration Rights Agreement relacionado às novas notas. O acordo dá aos investidores direitos ligados ao futuro registro dos títulos para eventual oferta de troca ou revenda. Como a emissão foi privada, os títulos não foram registrados inicialmente na SEC.
O acordo prevê uma etapa posterior para o registro de uma oferta de troca ou de uma operação de revenda dos papéis, o que pode facilitar sua negociação.
A nova emissão também prevê resgate obrigatório a 101% do valor principal, acrescido de juros acumulados, caso a separação da Corteva não seja concluída nos termos previstos.
Também na noite de quinta-feira a Corteva anunciou que a SEC declarou efetiva a Declaração de Registro da Vylor no Formulário 10, que inclui informações sobre os negócios, a estratégia e as prioridades da nova empresa, bem como detalhes sobre a separação da Vylor em uma empresa independente de capital aberto.
Cada acionista da Corteva deve receber, em 1º de outubro, uma ação ordinária da Vylor. Com a confirmação do registro, fica também efetivado o início das negociações dos papeis da nova companhia, na mesma data, na Bolsa de Nova York. As ações serão identificadas com símbolo “VYLR”.
Resumo
- Corteva movimenta US$ 1,8 bilhão em novas dívidas antes da separação em duas companhias
- Vylor captou US$ 1,1 bilhão em agosto, enquanto a subsidiária EIDP levantou mais US$ 700 milhões
- Dívidas têm custos e finalidades diferentes e ajudam a estruturar financeiramente as duas operações após a cisão