A onda de buscar soluções biológicas para o portfolio a cada dia conquista novas empresas, não apenas de defensivos, mas também de fertilizantes minerais, como a catarinense MaxiSolo, criada em 2021.
Em 2022, a Finep, agência de fomento governamental voltada para inovação, lançou três editais relacionados ao Plano Nacional de Fertilizantes (PNF), projeto que vem oferecendo incentivos para ampliar a produção nacional de adubos e reduzir importações até 2050.
“A MaxiSolo foi contemplada nos três editais”, conta Isabela Ferreira Rousseau, diretora executiva da empresa.
Um dos editais prevê o desenvolvimento de um fertilizante biológico. “O contrato é de três anos, e envolve uma divisão nos investimentos, com 60% vindos da Finep, e 40% com nossos próprios recursos”, explicou.
A diretora afirma que a companhia considera ter ganho uma “missão oficial" para desenvolver um produto biológico, que possa contribuir para diminuir a dependência brasileira de fertilizantes importados.
Os recursos são direcionados para pesquisa e desenvolvimento, incluindo viagens para conhecer produtos e fórmulas no exterior, e adaptação ao perfil do solo e das culturas no Brasil.
“Não há obrigatoriedade de lançar um produto resultante desta pesquisa. Nós temos o compromisso de realizar esse desenvolvimento durante três anos. Mas temos sim esse objetivo”, diz a executiva.
A empresa também considera estar contribuindo, por meio de tecnologias que já desenvolveu, para reduzir, por exemplo, a dependência brasileira por potássio. Foi criado um protótipo de fertilizante encapsulado, que permite uma distribuição mais gradual dos nutrientes no solo.
O tema de reduzir importações e contribuir para o “uso racional” dos nutrientes ganhou ainda mais evidência após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, já que o Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que utiliza, e a Rússia é um grande fornecedor de potássio.
Como a escolha das empresas que vão participar do PNF aconteceu neste ano, a MaxiSolo tem até 2026 para apresentar os resultados.
A companhia tem um laboratório próprio construído também em parceria com a Finep. “Neste laboratórios, já estamos trabalhando em testes, e trazendo pesquisadores com o objetivo de desenvolver os produtos”, conta Rousseau.
Mercado em crescimento, momento difícil
A MaxiSolo pertence ao grupo SulGesso, que já atua em fertilizantes minerais na região Sul do Brasil.
O foco principal da empresa são os fertilizantes especiais, segmento que totalizou R$ 22 bilhões em vendas no ano passado, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia em Nutrição Vegetal (Abisolo),
Este mercado mais que quintuplicou em oito anos. Em 2014, as vendas totais destes fertilizantes eram de R$ 4 bilhões.
Em minerais especiais, categoria onde atua a MaxiSolo, as vendas somaram mais de R$ 16 bilhões no ano passado. O valor triplicou em relação a 2019, quando a movimentação foi de R$ 5,7 bilhões.
A MaxiSolo e a SulGesso ficam na cidade de Imbituba, no litoral sul de Santa Catarina, a 92 quilômetros de Florianópolis. Com atuação concentrada na região, a empresa vem sendo impactada pelas dificuldades enfrentadas pelos produtores do Rio Grande do Sul, nos últimos anos, em meio aos problemas climáticos.
“Nós estamos conversando com nossos clientes de lá, negociando condições, facilitando pagamento. Mas eles vão continuar produzindo, e precisando dos nossos produtos”, afirma Rousseau.
Ela ressalta a vantagem logística da companhia, por estar localizada em uma área portuária. “Podemos utilizar serviços de frete de retorno dos caminhões que trazem cargas até aqui”, explica.
A diretora da companhia afirma que por conta destes problemas, deve fechar esse ano com faturamento muito próximo do registado em 2022. E a partir deste ano, a MaxiSolo começa a apostar na expansão geográfica. “Chegamos a algumas revendas em São Paulo e no Mato Grosso do Sul”.
A empresa afirma que atende mais de 5 mil produtores rurais, e está presente em cerca de 300 revendas no Sul. A SulGesso tem uma área construída de 18 mil metros quadrados, e conta com 140 funcionários.