Com os desafios no mercado de insumos e ainda enfrentando as dificuldades financeiras que culminaram em uma recuperação judicial, a Fertilizantes Heringer, pertencente à Eurochem, anunciou que vai paralisar mais três unidades no Brasil.

Em comunicado ao mercado, a empresa informou que vão “hibernar”, por tempo indeterminado, as fábricas de Rio Verde, em Goiás, Ourinhos, em São Paulo e Iguatama Minas Gerais.

Em outubro do ano passado, a companhia anunciou que as fábricas de Dourados, em Mato Grosso do Sul e Rosário do Catete, no estado de Sergipe, seriam paralisadas. Desde 2020 a companhia mantém também fechada a unidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

A empresa é uma das principais distribuidoras de adubos do Brasil e, segundo o comunicado, tomou a decisão diante de uma “baixa performance financeira histórica e baixa perspectiva de viabilidade econômica standalone das plantas em questão no atual contexto de mercado”.

“Isso nos fez reduzir a necessidade intensiva de Capex e demais custos operacionais das referidas unidades”, acrescentou a Heringer.

A empresa ainda disse que os volumes produzidos nas unidades serão repassados para outras unidades da Heringer, de forma que a empresa otimize custos fixos.

A companhia confirmou que vai retomar a operação da unidade de Paranaguá, no Paraná. Por lá, ainda reaquecendo os motores, a produção será voltada inicialmente para elementos simples.

A retomada havia sido adiantada por executivos da Eurochem, dona da Heringer, em entrevista ao AgFeed publicada esta semana. Segundo Marcelo Ferri, da área de desenvolvimento de mercado, e Guilherme Terribili, que responde pelos negócios no Cerrado, a unidade deve retomar atividades em no máximo dois meses.

Parte do investimento projetado pela Eurochem no País em 2025, na faixa de R$ 200 milhões, será direcionada ao porto paranaense, onde fica a fábrica da Heringer.

A Heringer ainda disse que segue avaliando qual será o destino para as plantas de Ourinhos, Iguatama e Rio Verde. A companhia estudará alternativas para maximizar retornos, seja vendendo as unidades e até considerando reativar as plantas, caso as condições de mercado mudem.

A planta de Rio Verde, por exemplo, já ficou paralisada de 2019 a 2021, em meio ao início do processo de recuperação judicial da companhia.

No balanço que a empresa divulgou há uma semana, foi reportado um prejuízo líquido de R$ 1,15 bilhão na operação, considerando o ano de 2024 como um todo. O número veio 219% pior do que o resultado negativo de 2023, que foi de R$ 361 milhões.

A companhia ainda viu sua receita cair 13,6% de um ano para o outro, e fechar 2024 em R$ 4,6 bilhões.