A safra 25/26 terminou de forma bastante diferente para a Cerradinho Bio em relação a seus pares do Centro-Sul.
Enquanto companhias como Jalles, Raízen e São Martinho ainda carregam os efeitos de seca, queimadas e queda de produtividade observados nos últimos ciclos, a empresa - que opera em Goiás e em Mato Grosso do Sul - conseguiu aumentar a moagem, ampliar a produção de açúcar e transformar esse ganho operacional em um salto expressivo no resultado financeiro. E mais uma vez, viu o etanol de milho brilhar nos resultados.
No acumulado da safra encerrada em março deste ano, a Cerradinho registrou receita líquida de R$ 4,28 bilhões, avanço de 16% em relação ao ciclo anterior. O Ebitda ajustado somou R$ 1,5 bilhão, crescimento de 35%, enquanto o lucro líquido atingiu R$ 372 milhões, alta de 90% na comparação anual. Os números foram publicados na noite desta quarta-feira, 17 de junho, na CVM.
Segundo o balanço, a alta nos indicadores financeiros é reflexo de mais volume processado, mais produtividade e um mix que ganhou mais doçura na safra.
A moagem total na safra (que considera cana e o milho equivalente) alcançou 16 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, crescimento de 5% frente às 15,2 milhões de toneladas da safra anterior.
Foram 5,1 milhões de toneladas de cana, sendo 63% própria e o restante de terceiros, e 1,5 milhão de toneladas de milho equivalente.
Mesmo com o maior volume de cana, a companhia viu seus indicadores de produtividade ficarem estáveis em relação ao ano anterior. O ATR (açúcar total recuperável) atingiu 139 quilos por tonelada e a produtividade medida pelo TCH (Toneladas de cana por hectare) permaneceu na faixa das 80 toneladas.
A combinação de mais cana e mais ATR elevou a quantidade total de açúcar disponível para processamento nas usinas e abriu espaço para uma estratégia mais agressiva na produção do adoçante.
Ao longo da temporada, a Cerradinho aproveitou a construção da fábrica de açúcar em julho do ano passado e ampliou a participação do açúcar em seu mix produtivo de 62%.
A decisão ocorreu justamente em um ambiente de preços ainda atrativos para o açúcar durante boa parte da safra. Com isso, a produção do produto avançou 195%, chegando a 415 mil toneladas. Já a produção de etanol recuou 13% e atingiu 865 mil metros cúbicos.
O aumento do mix açucareiro também aparece na receita. As vendas de açúcar cresceram 176% em um ano e atingiram R$ 898 milhões. Na safra 2025/26, a comercialização de açúcar VHP representou 21% da receita total, com 411 mil toneladas do produto vendido.
Apesar do aumento de volume, os preços do açúcar ficaram ligeiramente abaixo dos observados na safra anterior. O preço médio líquido realizado pela companhia recuou 6%, e considerando os efeitos das operações de hedge, o preço líquido realizado do açúcar foi de R$ 2,2 mil por tonelada, pontuou a Cerradinho.
No etanol anidro (somando milho com cana), a receita de vendas ficou estável em um ano com um melhor preço médio, apesar dos volumes menores. Foram comercializados 860 mil metros cúbicos, queda de 10,2%, e a receita permaneceu em R$ 2,65 milhões. O preço médio passou de R$ 2,7 mil por metro cúbico para R$ 3 mil em um ano.
Considerando só o etanol de milho, a produção somou 687 mil metros cúbicos, e a receita líquida do negócio cresceu 19%, alcançando R$ 2,14 bilhões, impulsionada tanto pelo maior volume comercializado quanto pela valorização do produto.
Nos coprodutos, foram produzidas 377 mil toneladas de DDG, alta de 2%, e a receita de vendas do insumo foi de R$ 395 milhões. A produção de óleo de milho cresceu 9% e atingiu 29 mil toneladas.
Segundo a companhia, ganhos de eficiência industrial elevaram o rendimento da planta de 451 para 455 quilos de etanol por tonelada de milho processada.
A Cerradinho também encerrou o ciclo com evolução em sua posição financeira. A dívida líquida ficou praticamente estável em R$ 2,15 bilhões ao final de março. No entanto, a alavancagem medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda caiu de 2 vezes para 1,4 vezes, refletindo o crescimento da geração operacional de caixa.
A Cerradinho investiu R$ 929 milhões em Capex ao longo da safra. A maior parte dos recursos foi direcionada para projetos de expansão.
Entre os destaques está a conclusão da ampliação da fábrica de açúcar, que elevou a capacidade de produção da companhia e ajudou a sustentar a estratégia de aumentar a participação do adoçante no mix produtivo. A empresa também realizou investimentos em otimização industrial e melhorias operacionais tanto nas usinas de cana quanto na operação de etanol de milho.
Resumo
- Cerradinho teve alta na receita, lucro e Ebitda com mais moagem de cana, mais vendas de etanol de milho e mix mais açucareiro
- Moagem foi de 5,1 mil toneladas de cana e 1,5 mil toneladas de milho, crescimentos de 8% e 4%, respectivamente
- Capex da safra 25/26 foi de quase R$ 1 bilhão, com destaque para nova fábrica de açúcar - fator determinante para resultado