Os números finais ainda não estão fechados – passam pelo crivo de uma auditoria externa. Mas Fred Mamede, CFO do grupo UbyAgro, dá um spoiler ao AgFeed sobre os resultados de 2024: o crescimento da receita veio e ficará na casa dos 10%.

Não será, ainda, suficiente para atingir o primeiro bilhão de reais, meta que o CEO, Fabrício Simões, havia colocado na mesa ao anunciar, em julho passado, a aquisição da Bauminas Agro, que produz matérias-primas para insumos nos segmentos de nutrição animal e vegetal.

“Estamos próximos”, afirma Mamede. Se confirmada sua previsão, o faturamento do grupo com sede em Uberaba (MG) deve ficar na casa dos R$ 900 milhões.

Menos do que esperado, mas mais do que a média do mercado de insumos agrícolas – em que grande parte dos fabricantes registrou encolhimento no ano passado –, o aumento das vendas garante fôlego para a companhia focada no segmento de nutrição vegetal e biológicos manter-se dentro do previsto no seu planejamento estratégico.

Batizada internamente de Plano JK – nome inspirado no slogan do ex-presidente Juscelino Kubitscheck, que nos anos 1960 se propôs a fazer o Brasil crescer “50 anos em 5” –, a estratégia foi desenhada com o apoio da consultoria McKinsey e tem sido cumprida à risca. Pelo menos no que depende exclusivamente da empresa, já que fatores de mercado seguraram um pouco as contas do balanço.

Assim como previa para 2024 o início de um processo de expansão não orgânica, que foi executado com a compra da Bauminas Agro, o planejamento estabelece 2025 como um ano chave para a consolidação da nova estrutura do grupo a partir de três pilares: a Ubyfol, empresa que está na sua origem e é uma das líderes nacionais em fertilizantes especiais, a Vitales, de insumos biológicos, e a própria Bauminas Agro, que além de ajudar na verticalização do grupo, fornecendo matérias primas para a Ubyfol, atuaria em mercados de nutrientes de menor valor agregado, servindo como uma porta de entrada para a plataforma.

“A chegada da Bauminas Agro faz parte de uma transformação para que o UbyAgro, numa vertente ali de dois, três anos, consiga se tornar uma das principais plataformas de agronegócios quando a gente fala em especialidades”, afirma Mamede.

Muito do trabalho feito junto com a McKinsey, segundo ele, foi baseado em como consolidar essa plataforma com as três empresas e gerar valor a partir delas.

“Com isso, criaremos um grupo cada vez mais robusto, mais saudável financeiramente, e que tenha um tamanho, governança e margens para começar a olhar, a partir de 2027 ou 2028, para uma boa janela de mercado de capitais de equity e discutir se faz sentido um IPO, por exemplo”.

O cronograma, portanto, está em dia. A operação plena da plataforma UbyAgro, com todas as operações gerando caixa e negócios no nível esperado pela companhia, deve ocorrer apenas em 2026, segundo Mamede.

Antes disso, ainda este ano, há que se avançar no processo de integração da Bauminas Agro. E um marco de 2025 será o início da operação da nova fábrica da Vitales, que colocará o grupo definitivamente na competição do mercado de defensivos biológicos.

Segundo Mamede, a empresa está prestes a receber as licenças para iniciar operação da biofábrica, voltada para produção de fungos e bactérias para controle de pragas e doenças.

A unidade, localizada no complexo do grupo em Uberaba, é fruto de um investimento de R$ 100 milhões e deve começar a funcionar, em caráter de testes, no início do segundo semestre.

A projeção é que comece a produzir em escala comercial até o fim do ano. E atinja sua capacidade plena, que será de oito mil toneladas ao ano de biodefensivos, em 2026.

Crescer com margens

Antes mesmo disso, a perspectiva é que a marca emblemática da receita de R$ 1 bilhão seja atingida ainda este ano, com uma contribuição maior da Bauminas Agro aos resultados e com os efeitos de outras ações para ampliação de oportunidades comerciais que começaram a ser executadas no primeiro trimestre, como a criação do programa Amplya, de serviços financeiros aos clientes.

Fred Mamede, CFO da UbyAgro

“A Bauminas Agro já entregou Ebitda positivo nesses primeiros meses”, afirma Mamede.

Tanto quanto o fato de ter conseguido aumentar a receita ao longo de um ano difícil, o CFO da UbyAgro comemora o fato de que esse crescimento veio sem comprometer as margens das operações.

Segundo Mamede, historicamente elas têm ficado em patamares elevados para o setor, próximas dos 25%. “Em 2023 a gente entregou 26%, em 2024 vai ficar até um pouco acima, provavelmente”, dia.

“Conseguir isso em um ano difícil como foi 2024 mostra um pouquinho de resiliência”, diz.

Mamede explica que isso foi possível porque o grupo conseguiu manter sob controle os custos de aquisição de matérias primas, que já eram bons, além de obter ganhos de eficiência nas operações fabris e com redução de despesas gerais administrativas.

Ele também comemorou o fato de ter ganho “um pouquinho de market share, dado que o mercado não cresceu e a Uby, sim”.

“Braço financeiro”

Nesse sentido, a grande aposta para 2025 está no lançamento do programa Amplya, feito durante a feira Show Rural Coopavel, em fevereiro passado.

O executivo conta que, diante do cenário de crédito mais escasso e caro para o produtor rural, o grupo decidiu desenvolver um caminho para, como o nome do projeto diz, ampliar o acesso a esses recursos e, por consequência, gerar mais negócios a suas empresas.

“Uma vez que temos, há anos, um excelente relacionamento com o mercado financeiro em geral, com revendas, cooperativas e com os clientes finais, entendemos que poderíamos ter um papel de parceiros de crédito para o produtor rural”, afirma.

A partir de então, a equipe de Mamede passou a estruturar um “cardápio de soluções financeiras” para os produtores rurais.

Mamede ressalta que a UyAgro não é a provedora dos créditos, mas, através do Amplya, é capaz de orientar e direcionar os produtores aos parceiros mais adequados para cada situação.

“Em suma, conseguimois atender o pequeno, o médio, o grande produtor, em todas as culturas, todas as regiões, seja venda direta, cooperativa ou revenda”, pontua.

“O crédito não sai do balanço da UbyAgro, mas eu faço a interligação com alguns parceiros financeiros que estão por trás das ferramentas, que podem ser operações de curto ou longo prazo, subsidiadas ou não, até operações de CRA num custo abaixo do custo de CDI. Acabo usando praticamente todas as ferramentas disponpiveis no mercado, inclusive FIDCs e Fiagros, para suportar isso”.

Segundo executivo, o objetivo inicial da iniciativa é ampliar o nível de relacionamento da companhia com seus mais de 900 clientes ativos. A ideia é que, ao ajudar os produtores a financiarem suas operações, parte dos créditos obtidos se revertam em negócios para as empresas do grupo.

Hoje, segundo Mamede, o Amplya já atua conectado a alguns grandes bancos e até mesmo a agfintechs como a Grão Direto, nas operações de barter, a Farmtech, a E-ctare e a Traive.

“Com o Amplya, não gero receita financeira para o grupo. Gero receita operacional lá na venda do meu time comercial”, .

Os primeiros dias do programa trouxeram, de acordo com o executivo, perspectivas animadoras. Ele afirma já haver 40 processos em análise, comprovando que existia demanda por um serviço como esse.

Nesse universo estão clientes da base do grupo, mas também alguns que não tinham negócios com a UbyAgro e que, dessa forma, iniciaram uma relação que podem levar a futuros negócios.

“Dado o cenário de crédito do agronegócio, foi um ano muito acertado para lançar o programa”, conclui.

“Dentro desses clientes novos tem revenda com mais de 20 lojas, então tem algo aqui que eu acho que pode se tornar bastante relevante a médio prazo”.