O CEO da Bunge, Greg Heckman, foi catégorico no texto que abriu o balanço da empresa referente ao quarto trimestre e ano completo de 2025: "Foi um ano de conquistas significativas para a empresa, em que concluímos nossa fusão transformadora com a Viterra".

A incorporação da empresa canadense se mostra, de fato, na alta de alguns indicadores do ano: uma receita de US$ 70,3 bilhões, alta de 32% em um ano, com um avanço nas vendas e volumes de todas suas principais linhas de negócio - esmagamento de soja, sementes, grãos e outras oleaginosas.

"Avançamos com importantes projetos de crescimento em nossa rede global e navegamos com sucesso por mercados em constante evolução e incertezas geopolíticas", prossegue Heckman.

Apesar disso, o resultado líquido da empresa veio, no acumulado do ano, em US$ 816 milhões, 28,2% a menos que os US$ 1,13 bilhão registrados em 2024. O custo dos produtos vendidos saltou 34% em um ano, para US$ 66 bilhões (cerca de 95% da receita).

Na operação de soja, as vendas somaram US$ 36,3 bilhões, leve aumento em um ano. O volume cresceu tanto em soja processada quanto em soja comercializada e na produção de óleo. Ao todo, foram 41 milhões de toneladas da oleaginosa processada em 2025, avanço de 11% em um ano.

A empresa citou que o avanço nos números foi impulsionado pela América do Sul, refletindo melhores resultados no processamento e refino na Argentina e no Brasil. O bom desempenho por aqui compensou baixas na operação de processamento na Europa e a originação foi melhor na Ásia do que nas Américas, citou a Bunge.

"O aumento nos volumes processados ​​foi em grande parte atribuído à expansão da capacidade de produção da empresa combinada na Argentina. O aumento nos volumes comercializados refletiu a expansão da presença da empresa combinada na origem da soja", diz o balanço.

No processamento e refino de sementes oleaginosas, que incluem canola e girassol, as vendas quase dobraram em um ano, passando de US$ 6,9 bilhões para US$ 11,2 bilhões. Houve ainda um ligeiro aumento no volume processado, que atingiu 10,7 milhões de toneladas.

De acordo com a Bunge, a alta se deu por margens mais elevadas no processamento, justamente pela incorporação de ativos da Viterra.  "O aumento no volume de sementes oleaginosas processadas refletiu principalmente o crescimento da capacidade produtiva da empresa combinada na Argentina, Canadá e Europa", disse a trading.

A comercialização e moagem de grãos foi outra operação que quase dobrou em volume, passando de 36,6 mil toneladas em 2024 para 67,1 mil toneladas em 2025. A empresa citou bons resultados no comércio de trigo e cevada, que compensaram menos vendas de milho e um frete marítimo mais alto.

Levando em consideração o patamar atual de margens, o ambiente macroeconômico e algumas projeções futuras, a companhia projeta um lucro por ação, ao final de 2026, numa faixa de US$ 7,50 e US$ 8. Em 2025, o indicador ficou em US$ 4,93, uma queda forte frente aos US$ 7,99 de 2024.

Mesmo acima do visto em 2025, a perspectiva para o ano é menor do que o projetado pelos analistas americanos, de cerca de US$ 8,71, na média.

“Embora a visibilidade futura permaneça limitada em meio às condições dinâmicas do mercado, nossas capacidades ampliadas, presença global mais equilibrada e cadeias de valor diversificadas nos fornecem as ferramentas para melhor nos adaptarmos, gerenciarmos riscos e continuarmos conectando os agricultores à demanda global por alimentos, ração animal e combustíveis em qualquer cenário", disse o CEO da Bunge no balanço.

Resumo

  • A receita da Bunge saltou 32% em 2025, para US$ 70,3 bilhões, puxada pela incorporação da Viterra e pelo avanço em esmagamento, grãos e oleaginosas
  • O lucro líquido caiu 28,2%, para US$ 816 milhões, com o custo dos produtos vendidos avançando 34% e consumindo cerca de 95% da receita.
  • Empresa projeta lucro por ação entre US$ 7,50 e US$ 8 em 2026, abaixo das expectativas do mercado