A John Deere resolveu conceder férias coletivas e layoff a mais de 800 trabalhadores de sua unidade de Horizontina (RS), onde a montadora fabrica colheitadeiras.
O período de férias coletivas começa a partir do próximo dia 12 de março e a suspensão dos contratos de trabalho dos funcionários – o lay-off – se inicia em 1º de abril.
A decisão foi anunciada após uma negociação com o Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Horizontina e Região, que acabou aceitando a proposta da companhia em assembleia realizada no último dia 20 de fevereiro, com aval de 95,2% dos 760 votantes.
De acordo com informações do jornal Zero Hora, de Porto Alegre (RS), o lay-off pode se estender entre dois a cinco meses e deve atingir cerca de 880 funcionários das áreas de produção de colheitadeiras, solda, pintura, montagem e logística da unidade. O acordo entre o sindicato e a John Deere, ainda segundo o periódico gaúcho, teve como objetivo evitar aproximadamente 140 demissões.
Com a redução na quantidade de trabalhadores, a produção de colheitadeiras em Horizontina deve diminuir em 30% no período, passando de 10 equipamentos fabricados diariamente para sete até agosto.
Ao AgFeed, o Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Horizontina e Região se manifestou via nota assinada pelo presidente, Alexsandro Bach, informando que a decisão de aceitar a proposta da John Deere levou em consideração "o melhor para todos trabalhadores e suas famílias" e que visou evitar demissões e "garantir a estabilidade e segurança de cerca de 800 funcionários" da unidade.
"Continuaremos acompanhando de perto todas as negociações e nos manteremos unidos em busca de soluções que garantam o melhor para o nosso futuro", finaliza a nota.
A fábrica de Horizontina vem atravessando dificuldades nos últimos anos. Em fevereiro de 2024, a unidade teve sua operação interrompida durante 60 dias, concedeu férias coletivas a 1,1 mil funcionários, em decorrência das vendas enfraquecidas. Meses depois, já em setembro do mesmo ano, pelo menos 150 trabalhadores foram demitidos.
Depois, já em 2025, a unidade contratou 200 trabalhadores no início do ano, mas novamente dispensou 150 pessoas em setembro do mesmo ano, atribuindo os cortes à necessidade de “adaptar o volume de produção à demanda atual do mercado”.
Até meados do ano passado, a fábrica de Horizontina operava em um turno apenas, com algumas atividades em dois turnos, e empregava cerca de 1,5 mil funcionários.
A John Deere confirmou o acordo com o sindicato local em nota e disse que vai praticar um complemento salarial à bolsa-qualificação fornecida pelo governo, “de forma que os funcionários mantenham 100% dos seus salários” durante o período em que estiverem parados.
Os funcionários da unidade também terão direito a vale-alimentação, convênio médico e convênio farmácia durante o período de layoff, além de pagamento de indenização do FGTS e adiantamento da 1ª parcela do 13° em março, diz a companhia.
A desaceleração das atividades na fábrica de Horizontina contrasta com a perspectiva mais positiva que o board global da John Deere tem para a companhia em 2026.
Recentemente, embalada por um primeiro trimestre de seu ano fiscal de 2026 (que corresponde ao período entre outubro e dezembro de 2025) com alta em suas vendas, a montadora fez uma revisão altista em sua projeção de lucro líquido para o ano.
No fim do ano fiscal de 2025, a Deere previa que o lucro ficasse entre US$ 4 bilhões e US$ 4,75 bilhões. Agora, a fabricante americana estima que fique na faixa entre US$ 4,5 bilhões e US$ 5 bilhoes. No ano passado, o lucro líquido da companhia foi de US$ 5,027 bilhões.
“Embora o setor agrícola global em larga escala continue a enfrentar desafios, estamos otimistas com a recuperação contínua da demanda nos segmentos de construção e agricultura em pequena escala”, disse John May, presidente e CEO da John Deere.
Nas colheitadeiras, que exige investimentos maiores dos produtores, essa recuperação tende a demorar um pouco mais.
Resumo
- John Deere vai dar férias coletivas e suspender contratos de cerca de 800 trabalhadores na fábrica de Horizontina (RS)
- Com a medida, produção de colheitadeiras cairá 30% na unidade, de forma a adequar oferta à demanda do mercado
- Decisão, tomada após acordo com sindicato, evita demissões e mantém salários integrais durante o layoff