O Brasil foi um dos principais motores de crescimento do Syngenta Group no primeiro semestre de 2026, em um balanço global marcado por melhora de rentabilidade em todas as unidades de negócio.
Enquanto o grupo — maior empresa de tecnologia agrícola do mundo em receita — viu suas vendas totais recuarem 2% na comparação anual, para $12,2 bilhões, a operação brasileira cresceu em duas das principais frentes da companhia.
Segundo o release de resultados semestrais, divulgados pela companhia nesta quinta-feira, 27 de agosto, as vendas na divisão de proteção de cultivos no País avançaram 7% "apesar da contínua pressão de preços".
No negócio de sementes, o Brasil liderou o desempenho mundial das culturas anuais, com alta de 18%.
O resultado brasileiro ganha ainda mais relevância quando contrastado com o restante da América Latina. Nas vendas de proteção de cultivos, a região como um todo recuou 11%, refletindo também a pressão de preços, mas volumes menores por causa de estoques elevados nos canais e do processo de desova (destocking) em curso, particularmente na Argentina.
Em sementes, a América Latina caiu 8%, e a América do Norte, 13%, afetada por reestruturações e pela redução da área plantada de milho nos Estados Unidos.
No campo da proteção de cultivos, o avanço brasileiro foi impulsionado, segundo a empresa, por uma estratégia focada no cliente e pela adoção bem-sucedida de novas tecnologias, entre elas as plataformas Tymirium, para controle de nematoides e doenças fúngicas, Plinazolin, inseticida de novo modo de ação; e Adepidyn, fungicida de amplo espectro.
Já o crescimento do segmento de sementes foi puxado pelo milho de segunda safra, pelo licenciamento de materiais, pelo lançamento do primeiro híbrido hiperprecoce da Syngenta para o segmento premium de milho de verão e pela introdução de dez novas variedades de soja.
Grupo melhora margem
Outro destaque do balanço foi a melhora da rentabilidade do grupo. No consolidado do semestre, o Ebitda global da Syngenta avançou 2% na comparação anual (3% em moeda constante), para US$ 2,4 bilhões.
A margem Ebitda subiu 0,9 ponto percentual, de 18,6% para 19,5%, em um movimento que, segundo o grupo, escancara a virada deliberada para resultados de maior qualidade.
A receita de US$ 12,2 bilhões caiu 2% (7% em moeda constante), refletindo principalmente os efeitos da reestruturação de negócios e o foco em operações de maior qualidade, com destaque para a redução do negócio de comercialização de grãos de baixa margem na China.
No segundo trimestre, as vendas ficaram em US$ 5,7 bilhões, recuo de 7% (10% em moeda constante), enquanto o Ebitda alcançou US$ 1 bilhão, queda de 2% na linha reportada, mas alta de 4% em moeda constante.
Na análise por divisão, a área de proteção de cultivos teve melhor desempenho e registrou vendas de US$ 6,6 bilhões no semestre, alta de 4% (recuo de 1% em moeda constante), sustentada pela forte demanda por inovações de maior valor e formulações de marca, com o segmento de biológicos crescendo em todas as regiões.
Em sementes, as vendas somaram US$ 2,5 bilhões, alta de 1% (recuo de 3% em moeda constante), com avanço nas culturas anuais liderado pelo Brasil (+18%), seguido por Europa (+7%), Ásia, Oriente Médio e África (+6%) e China (+3%).
Na Adama, empresa de defensivos controlada pelo grupo, os resultados ficaram estáveis na comparação anual, com vendas de US$ 2,1 bilhões, apesar de aumento de volumes na maioria das regiões.
Mudança de comando e o horizonte do IPO
Os resultados chegam sob nova liderança. O grupo afirma que segue focado em acelerar a entrega de inovação e as capacidades digitais, mantendo a disciplina de custos, "para sustentar o crescimento rentável sob a nova liderança de Hengde Qin, que assumiu o cargo de CEO em 1º de agosto de 2026".
O executivo substituiu Jeff Rowe, que deixou a Syngenta para assumir como COO e vice-presidente executivo da ADM.
Qin será, assim, o responsável por conduzir o processo de abertura de capital da Syngenta, um IPO bilionário, previsto para ocorrer na Bolsa de Hong Kong, mas apenas em 2027, após atrasos regulatórios e incertezas geopolíticas.
Resumo
- Vendas de proteção de cultivos cresceram 7% e as de sementes avançaram 18% na operação brasileira da Syngenta
- Grupo elevou o Ebitda global em 2% e a margem Ebitda para 19,5%, mesmo com queda de 2% na receita
- Hengde Qin assumiu o comando em agosto e será responsável por conduzir o IPO da Syngenta, previsto para 2027