Durante décadas, crescer no mercado de de laboratórios de análises de solo seguia um caminho relativamente simples: receber cada vez mais amostras, emitir cada vez mais laudos e devolver mais resultados ao produtor. Para a 3R Ribersolo, essa equação mudou.

Resultado da fusão entre a tradicional Ribersolo, fundada em Ribeirão Preto (SP) no final dos anos 1970, e a 3RLab, empresa especializada em nutrição animal criada dentro do ecossistema da Rehagro, a companhia aposta que há espaço para ampliar o uso de diagnósticos técnicos no campo em um movimento que, segundo o CEO Victor Campos, vem sustentando um crescimento próximo de 30% ao ano e deve continuar nos próximos anos.

Depois de um 2024 voltado à integração das operações, quando a expansão ficou pouco acima de 10%, a empresa afirma ter retomado o ritmo histórico de crescimento. Antes da fusão, tanto a Ribersolo quanto a 3RLab avançavam entre 20% e 30% ao ano. Agora, a expectativa é manter esse patamar com uma estrutura mais robusta.

Hoje, a companhia processa cerca de 250 mil amostras por ano, possui capacidade para analisar aproximadamente 2,5 mil amostras por dia, emprega cerca de 120 pessoas e mantém uma rede de 12 unidades distribuídas entre Brasil, Bolívia e Paraguai.

Nem todas funcionam como laboratórios completos. Parte delas atua como centros de recebimento de amostras ou operações realizadas em parceria, aproximando a empresa dos principais polos agropecuários.

A atuação também ficou mais equilibrada. Enquanto a antiga Ribersolo construiu sua reputação em análises voltadas à agricultura - solo, folhas e fertilizantes -, a 3RLab era referência em nutrição animal. Hoje, segundo Campos, os dois segmentos possuem participação semelhante no faturamento da empresa, embora o volume de análises realizadas seja diferente.

Mais do que ampliar a estrutura e processar mais análises, a estratégia passa por desenvolver o próprio mercado.

"Nós não enxergamos nosso crescimento simplesmente como ganho de market share. O que temos visto é uma oportunidade de levar mais diagnóstico para o mercado, fazer com que produtores e consultores utilizem mais informação para tomar decisões", afirmou ao AgFeed.

Na prática, isso significa incentivar análises que vão além dos exames tradicionais de fertilidade do solo. Entre elas estão estudos em camadas mais profundas do perfil do solo, análises biológicas, avaliações voltadas à saúde do solo e diagnósticos que auxiliam no uso mais eficiente de fertilizantes e outros insumos, ele explica.

"Existe um espaço muito grande para evoluir na forma como o diagnóstico é utilizado no Brasil. Não é apenas fazer mais análises, mas fazer análises melhores e mais completas", disse Campos.

A história da empresa ajuda a explicar essa visão. Filho dos fundadores da Ribersolo, o agrônomo Luiz Augusto Campos e a farmacêutica Regina Monseff, Victor representa a segunda geração do negócio familiar.

Ao lado da irmã, Marina Campos, hoje diretora de operações, assumiu a liderança da empresa depois de uma trajetória que incluiu especializações em solos e economia, um mestrado na Itália e participação na Nuffield International, organização que reúne lideranças do agronegócio em diferentes países.

Foi justamente durante um projeto da Nuffield, dedicado ao tema saúde do solo, que Campos percorreu 16 países estudando novas tecnologias aplicadas aos diagnósticos agropecuários, incluindo sensores, metodologias analíticas e ferramentas digitais.

Ao retornar ao Brasil, assumiu a gestão da Ribersolo e iniciou um ciclo de expansão acelerada. Entre 2018 e 2023, a empresa triplicou de tamanho, segundo ele, movimento que abriu caminho para uma etapa seguinte: a fusão com a 3RLab.

Segundo o executivo, a aproximação entre as duas empresas aconteceu por meio de um elo em comum: Artur Falcette, hoje secretário de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul, que conhecia os dois negócios e enxergava complementariedade entre eles.

Enquanto a Ribersolo era forte em diagnósticos para agricultura, a 3RLab havia se consolidado justamente na área em que a empresa paulista tinha menor presença: nutrição animal. A união permitiu reunir duas operações que, até então, atuavam em mercados diferentes, mas compartilhavam uma mesma proposta de utilizar diagnósticos como ferramenta para aumentar a eficiência da produção agropecuária.

A operação também aproximou a empresa do ecossistema da Rehagro, grupo reconhecido pela atuação em educação e consultoria para o agronegócio e que, por meio da fusão, passou a dividir o controle da nova companhia com os antigos sócios da Ribersolo.

A fusão ainda trouxe para o quadro societário duas gestoras investidoras da Rehagro: a 10b e a Good Karma, de Eduardo Mufarej.

Desde então, a empresa ampliou sua presença geográfica e intensificou investimentos em tecnologia analítica, pesquisas em espectroscopia e desenvolvimento de uma biblioteca espectral, além de parcerias com instituições de pesquisa voltadas ao aprimoramento dos diagnósticos agropecuários.

No campo, a atuação é diversificada. Na agricultura, a empresa atende praticamente todas as culturas, embora possua participação mais relevante em café e citros, além de projetos ligados à saúde do solo desenvolvidos em parceria com multinacionais, tanto de insumos quanto de alimentos.

Na nutrição animal, concentra sua atuação principalmente na pecuária de corte, pecuária leiteira e fábricas de ração. Para os próximos anos, Campos afirma que existe um espaço considerável para ampliar a utilização dessas ferramentas no agronegócio brasileiro, sobretudo entre produtores e consultores que buscam decisões mais precisas sobre fertilidade, nutrição vegetal e manejo do solo.

"Nossa visão é continuar crescendo nesse ritmo pelos próximos anos. Existe uma oportunidade muito grande de desenvolver o mercado de diagnósticos no Brasil, levando mais conhecimento técnico e mais ferramentas para apoiar a tomada de decisão dentro das propriedades", afirmou.

Resumo

  • Empresa processa 250 mil amostras por ano, cresce cerca de 30% e mira ampliar mercado de diagnósticos agropecuários
  • Com 12 unidades em três países, companhia aposta em análises mais avançadas de solo e nutrição animal para impulsionar expansão
  • CEO diz que estratégia vai além de ganhar mercado: objetivo é ampliar o uso de diagnósticos técnicos para apoiar decisões no campo