Lucas do Rio Verde (MT) - A rentabilidade nos grãos ainda está longe dos recordes já alcançados e do patamar que almejava o produtor de Mato Grosso. Mas ao contrário do ano passado, quando além do problema financeiro havia também a quebra de safra por questões climáticas, desta vez a colheita farta ajuda a fechar as contas.
Esse cenário foi descrito por grandes marcas de insumos ouvidas pelo AgFeed durante a semana de Show Safra, a terceira maior feira de tecnologia agrícola do País em faturamento, realizada em Lucas do Rio Verde.
“A energia é muito boa nessa Show Safra porque condições climáticas foram favoráveis e Mato Grosso apresentou produtividades de soja muito boa, com a segunda safra tanto de milho quanto no algodão também mostrando bom estado de desenvolvimento”, afirmou Alisson De Santi Rampazzo, diretor comercial responsável por boa parte do Centro-Oeste e Norte do Brasil, na Sumitomo, fabricante de defensivos agrícolas.
Ele admite que, nos agroquímicos, o ritmo de vendas ainda é lento, com cerca de 15% do esperado já comercializado, enquanto em anos anteriores se chegava a quase 50%. No entanto, destaca que a feira é um momento de relacionamento com os clientes, para explicar as tecnologias. A expectativa é de um ritmo mais intenso de vendas junto aos distribuidores nos próximos 60 dias.
Sobre o crédito mais restrito, em função das dívidas passadas e recuperações judiciais, Rampazzo diz que a consequência é um produtor mais atento ao nível de gestão para garantir uma margem mínima.
“Ele (o produtor) não está deixando de investir, está adotando mais tecnologia, mas está mais racional para fazer investimentos pesados. Está fazendo o arroz com feijão bem feito”, afirma.
Na Basf, outra gigante em agroquímicos, o sentimento é parecido. O diretor de Field Marketing Brasil, Alessandro Gazzinelli, disse que a expectativa é de um melhor resultado na feira deste ano, na comparação com o ano passado, em função do clima favorável e da boa produtividade em Mato Grosso. Segundo ele, até o momento já foram comercializados nacionalmente cerca de 9% dos defensivos previstos para a safra 2025/2026, enquanto Mato Grosso já atinge 25%.
No setor de sementes há uma expectativa otimista com o milho. O diretor comercial da Syngenta Seeds para o Brasil, Frederico Barreto, contou ao AgFeed que observou “um movimento interessante” por parte dos produtores rurais durante o Show Safra em antecipar as compras de sementes.
“O milho já está tendo reação positiva (nos preços da commodity) de 30% em relação ao ano passado, por isso produtor está mais interessado nas negociações de sementes para milho do que soja. Talvez esteja esperando as coisas ficarem mais claras. Para a soja”, afirmou Barreto.
Ele não revela o percentual de comercialização de sementes na empresa este ano. Diz apenas que está um pouco mais avançado em relação aos últimos dois anos, quando o produtor postergou muito a compra de sementes.
Consultorias de mercado indicam que no Brasil 17% das sementes já teriam sido vendidas, enquanto em Mato Grosso já estaria em 35%.
“Em 2025 nossa crença é de um humor melhor do agricultor não só para o milho, mas também para a soja”, disse.
Nesse cenário, o executivo prevê crescimento de “dois dígitos” que, no caso da Syngenta, se baseia não apenas nas condições favoráveis de uma safra maior, mas também em função de mudanças estratégicas na área de vendas e no lançamento de novas tecnologias – no Show Safra foram apresentadas quatro novas variedades de soja.
“Temos uma intenção de crescimento bastante agressiva para esse ano e encerramos esses três meses bastante otimistas de que a gente deve atingir nossos objetivos”, ressaltou.
Na área de fertilizantes o clima também foi de otimismo. O AgFeed conversou com Eduardo Monteiro, Country Manager da Mosaic no Brasil e com o diretor de vendas Brasil e Paraguai, Gabriel Gimeno.
Segundo eles, 40% dos fertilizantes que serão usados na safra 2024/2025 de soja já foram comercializados, cerca de 5 pontos percentuais abaixo da média história. Já em Mato Grosso o volume chega a 55% do total e está em linha com a média dos últimos anos.
A expectativa é que o mercado negocie em média 1 milhão de toneladas por semana neste mês de março, quando ocorrem as principais feiras de Mato Grosso, incluindo a Show Safra. O consumo no estado é estimado em 10,5 milhões de toneladas de fertilizantes.
Para Eduardo Monteiro, será um ano bom, com chances de aumentar em mais de 7% as entregas no ano. Entre os fatores de otimismo em Mato Grosso está o avanço do milho segunda safra e dos projetos de usinas de etanol de milho. A cultura deve ganhar cada vez mais espaço nos negócios da Mosaic.