Depois de registrar um crescimento de apenas 2,4% nas intenções de negócios em 2024, refletindo uma safra conturbada para os produtores rurais no Brasil, a Agrishow, maior feira de máquinas agrícolas do país, projeta agora um volume de R$ 15 bilhões para a edição deste ano.
Se isso se confirmar, representaria um crescimento de 10,2% em relação aos R$ 13,6 bilhões de 2024, confirmando um sopro de otimismo trazido pelos bons volumes de produção esperados para a safra 2024/2025.
A estimativa foi divulgada na manhã desta terça-feira, dia 1º de abril, pelo presidente da feira, João Carlos Marchesan, durante a entrevista coletiva de lançamento da feira, cuja 30ª edição acontece entre os dias 28 de abril e 2 de maio em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.
"Estamos acreditando no futuro", resumiu Marchesan, que além de comandar a Agrishow há dois anos, também é membro do conselho de administração da Tatu Marchesan, tradicional indústria de máquinas e implementos agrícolas da família Marchesan, sediada em Matão (SP).
Para sustentar sua expectativa, o empresário disse que avalia quatro balizadores – clima, campo, crédito e commodities.
Segundo Marchesan, ao redor do Brasil, o clima – com exceção do Rio Grande do Sul – e a boa produtividade da safra atual são fatores que estão deixando os produtores mais dispostos a fazer investimentos em tecnologia.
Em contrapartida, o presidente da Agrishow diz que o crédito é um fator negativo, sob influência do cenário macroeconômico desfavorável.
Em março, a taxa Selic chegou a 14,25%, nível mais alto desde 2016, e a projeção mais recente do boletim Focus, relatório do Banco Central que apresenta as estimativas do mercado financeiro, indica que a Selic deve terminar o ano em 15%.
“O clima está mais favorável e o produtor está colhendo uma boa safra com altíssima produtividade. Já o crédito está escasso. Com a Selic beirando 15%, fica difícil para o governo equalizar os recursos do Plano Safra. O agricultor vai investir com recursos próprios, dentro do que ele pode investir, e é por isso que estamos esperançosos”, disse.
O presidente da Comissão Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Pedro Estevão, corroborou o cenário de Marchesan e disse que a entidade está “muito otimista” com a Agrishow.
“E temos alguns indícios para isso: o valor bruto da produção nacional vai crescer 11%, são R$ 140 bilhões que vão entrar no circuito, basicamente em função da produtividade maior e do preço um pouco melhor. Temos mais recursos para o agricultor investir e fazer seu planejamento”, afirmou o representante da Abimaq, uma das organizadoras da Agrishow.
Além disso, Estevão lembrou que a entidade vem observando uma expansão na quantidade de máquinas comercializadas no período recente. “Nos últimos quatro meses, o volume cresceu em relação ao mesmo período do ano anterior”, disse.
Com isso, ainda segundo o líder da comissão de máquinas agrícolas, o resultado corrobora o crescimento de 8,2% no volume total de vendas esperado pela Abimaq para o ano.
Estevão destacou também que o momento atual do setor produtivo paulista é favorável e deve contribuir para o crescimento da feira neste ano.
“Por mais que a Agrishow seja uma feira nacional, o regional influencia bastante. Cana, café e laranja estão com resultado muito bom”, disse.
A organização da Agrishow não divulgou no evento a expectativa de público. No ano passado, foram mais de 195 mil visitantes. A feira, realizada em um espaço de 520 mil metros quadrados, deve novamente ter cerca de 800 expositores, quantidade já registrada em 2024.