Cerca de um ano e meio depois de deixar o comando da Raízen, do Grupo Cosan, Ricardo Mussa está de casa nova. Nesta quarta-feira, dia 8 de abril, a gestora Flying Rivers Capital, focada em descarbonização e soluções climáticas, anunciou ao mercado que Mussa é o mais novo sócio da casa.
Desde sua saída do Grupo Cosan, o executivo vinha liderando o SB COP 30, uma coalizão da iniciativa privada que foi criada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) para influenciar as discussões da COP 30, conferência do clima da Organização das Nações Unidas (ONU), realizada no fim do ano passado em Belém (PA).
Agora, Mussa chega a uma casa alinhada, em grande medida, às suas próprias convicções. Afinal, o executivo é um conhecido defensor da agenda de sustentabilidade, em especial do etanol de segunda geração, cuja pegada de carbono é cerca de 30% menor que a do etanol de primeira geração e até 80% inferior à de combustíveis fósseis.
Mussa tentou avançar com esse projeto na Raízen, mas deixou a companhia sem conseguir implementá-lo integralmente – depois da saída do executivo, atravessando dificuldades, a empresa do setor sucroenergético resolveu congelar o projeto, que previa a instalação de 20 usinas de produção do biocombustível até 2030. Apenas uma unidade saiu totalmente do papel até o momento.
Para Luciana Antonini Ribeiro, fundadora da gestora, a entrada do executivo marca um reforço relevante para a empresa. "Sua chegada fortalece nossa capacidade de execução e nos posiciona para avançar com mais escala na estruturação de ativos para investimentos, em um momento em que a transição exige não apenas capital, mas projetos capazes de absorvê-lo”, afirmou Antonini em nota.
Para Mussa, a gestora já acumula portfólio consistente, pipeline qualificado e também um histórico sólido de investimentos. "Nosso foco agora é acelerar a execução e estruturar ativos investíveis em escala, capazes de absorver capital de longo prazo e posicionar o Brasil como referência na nova economia da transição”, disse Mussa, que, além de sócio, vai compartilhar a liderança da gestora com Luciana Antonini.
A Flying Rivers Capital foi criada em outubro do ano passado a partir de uma cisão da vertical de clima da eB Capital, gestora que tem como sócios-fundadores Luciana Ribeiro, o empresário Eduardo Sirotsky Melzer, ex-presidente do Grupo RBS, e o ex-presidente da Petrobras e da BRF Pedro Parente.
A nova casa já nasceu grande, com R$ 1 bilhão de ativos sob gestão e com foco total em invsetimento em negócios relacionados à economia de baixo carbono.
Entre as suas investidas, estão empresas como a Cirklo, empresa de reciclagem de PET, a Bioo, plataforma pioneira na geração de biometano a partir de resíduos agroindustriais, e a Blue Health, que atua na área de locação, manutenção e distribuição de equipamentos médicos.
Recentemente, a Flying Rivers já vem avançado em captações. A casa teve um de seus fundos aprovados pelo edital de clima do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que prevê um aporte de até R$ 500 milhões no veículo.
Em paralelo, em novembro do ano passado, o banco público de fomento aprovou um financiamento para a Bioo, no valor de R$ 148,5 milhões, a partir de recursos do Fundo Clima. O objetivo da empresa é de utilizar os valores para a construção de uma planta de biometano.
Já a Cirklo anunciou, em fevereiro passado, que captou R$ 260 milhões por meio de debêntures verdes, com prazo de cinco anos, em operação coordenada pelos bancos de investimento Itaú BBA e Bradesco BBI.
Também em fevereiro, a agência de fomento do governo de São Paulo, a Desenvolve SP, se comprometeu a investir R$ 35 milhões em um fundo da gestora, o Climate Fund I.
Além da entrada de Mussa, a gestora também criou um Conselho Consultivo, com representantes do setor energético, financeiro e de sustentabilidade.
Entre os integrantes, estão Marina Cançado, fundadora da Converge Capital, Luisa Palacios, economista especializada em energia e financiamento da transição energética e pesquisadora sênior associada do Centro de Política Energética Global da Universidade Columbia, André Clark, CEO da Viveo e ex-CEO da Siemens Gamesa no Brasil, Fernando Musa, ex-CEO da Braskem, e Diogo Bassi, ex-CFO da Petz e CEO da LDM.
O nome da gestora – Flying Rivers Capital – faz referência aos “rios voadores” da Amazônia, massivos fluxos de vapor d’água que percorrem invisivelmente a atmosfera, essenciais para o clima da América do Sul.
Resumo
- Ricardo Mussa torna-se sócio da gestora Flying Rivers Capital, reforçando a estratégia da casa em descarbonização e ativos climáticos
- Executivo, que foi CEO da Raízen até outubro de 2024, traz histórico ligado à agenda de sustentabilidade
- Gestora já soma cerca de R$ 1 bilhão sob gestão e avança em captação e investimentos em negócios de baixo carbono