O cenário já era esperado. Menos café disponível, somado a tarifas que inviabilizaram grande parte dos embarques ao longo da safra, resultou na redução das exportações de café brasileiro entre julho de 2025 e junho deste ano (ano safra 2025/2026).

A queda, segundo números divulgados na quarta-feira, 15 de julho, pelo Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil), foi de 15,7% nos volumes em relação à safra anterior, chegando a 38,46 milhões de sacas de 60 quilos vendidas para outros países.

A receita cambial, contudo, ficou praticamente estável: apresentou leve recuo de 1% em dólar, para US$ 14,59 bilhões, ou R$ 77,2 bilhões (em reais a queda foi de 8,4%).

Em coletiva para apresentar os resultados, o diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, ressaltou que a receita foi a segunda maior da série histórica, atrás apenas do faturamento da safra anterior, 2024/2025, quando a receita das exportações chegou a US$ 14,74 bilhões (ou R$ 84,3 bilhões), com 46,5 milhões de sacas comercializadas.

O grande diferencial está no preço médio da saca comercializada, que passou de US$ 323,13 na temporada passada para US$ 379,48 na safra 2025/2026.

"Quando olhamos mês a mês, nós vemos as dificuldades do ano safra. Entra tudo: tarifas, desafios logísticos, o tarifaço que gerou incerteza política e jurídica, além de novas regras na União Europeia", disse Matos.

Por destino, a Alemanha tomou o primeiro lugar tradicionalmente ocupado pelos Estados Unidos. Foram 5,18 milhões de sacas destinadas ao país, uma queda de 20,5% em relação à safra passada.

Os estadunidenses ficaram na segunda posição do ranking, com 4,2 milhões de sacas compradas, uma queda expressiva de 43,2% em um ano. O restante do top 10 conta com Itália, Bélgica, Japão, Turquia, Rússia, Países Baixos, Colômbia e Espanha.

Os colombianos, inclusive, registraram alta de mais de 200% nas compras. Para Márcio Ferreira, presidente do Cecafé, enquanto perdurarem discussões sobre tarifas, as exportações para países que são produtores de café deverão continuar em "níveis importantes".

"Diversos países seguirão colocando o café brasileiro, tanto para exportar um blend competitivo ou para fazer uma substituição, atendendo o consumo interno com nosso café", disse Ferreira.

Além da Colômbia, que importou pouco mais de 1 milhão de sacas - na safra passada foram pouco mais de 335 mil -, o México adquiriu 978 mil sacas e o Vietnã comprou 213 mil sacas, compondo o top 3 em volume.

Tanto os mexicanos quanto os vietnamitas registraram queda nas importações, mas houve alta no acumulado dos países produtores: 7,7%, com 2,67 milhões de sacas indo para destinos que abrigam cafezais em seu território. Dentre esses, os destaques ficaram com Equador, que aumentou em 80% as importações, Panamá, com avanço de 135%, e Cuba, com alta de 258% no café importado do Brasil.

Os países têm proximidade geográfica com os EUA, o que corrobora com a análise feita por Márcio Ferreira.

Ainda considerando o ano safra 2025/2026, das pouco mais de 38 milhões de sacas exportadas, foram 5 milhões de sacas de café robusta, 29 milhões de café arábica e ainda 56 mil sacas de café moído e 3,8 milhões de sacas de café solúvel.

Nos destinos, a Europa foi o continente com maior volume de compras: 20,1 milhões de sacas, 52% do total. Na sequência estavam Ásia com 8,27 milhões de sacas (21,5% do total) e América do Norte com 6,24 milhões de sacas (16,3% do total).

No recorte semestral, o País exportou 17,8 milhões de sacas de janeiro a junho, número 8,3% menor em relação ao primeiro semestre de 2025. A receita cambial foi de US$ 6,5 bilhões, ou R$ 33,67 bilhões, uma queda de 13,3% em dólar e 22,4% em reais.

"Sofremos com um volume pequeno no primeiro semestre. A visão era até mais promissora, se não fossem impactos no arábica e um certo atraso na colheita. Devemos ver uma recuperação de volumes em julho, agosto, mas ainda não de forma acentuada", disse Márcio Ferreira.

Olhando para a safra 2026/2027, recém-iniciada, Ferreira projetou que as exportações podem voltar a faixa das 45 milhões de sacas, equivalente ao visto nas safras 2023/2024 e 2024/2025. Isso, segundo ele, considerando condições normais de clima. "Se houver condições climáticas severas, o produtor vai segurar as vendas e isso pode dificultar o volume de exportação. Mas acreditamos numa boa recuperação, e vamos torcer para um clima satisfatório", disse.

Para o ano calendário - de janeiro a dezembro de 2026 - a projeção é que as exportações fiquem na faixa das 40 milhões de sacas.

Resumo

  • Exportações caíram 15,7% na safra 2025/26, para 38,46 milhões de sacas, mas a receita recuou apenas 1%, para US$ 14,6 bilhões
  • Alemanha superou os EUA como principal destino do café brasileiro; compras americanas despencaram 43,2% na comparação anual
  • Cecafé projeta recuperação das exportações para cerca de 45 milhões de sacas na safra 2026/27, caso o clima favoreça a produção