Números recentes apontam que o déficit de armazenagem de grãos no Brasil supera os 130 milhões de toneladas. Mesmo assim, os números da Kepler Weber, maior empresa do país no setor, mostram que o momento continua desafiador.

No segundo trimestre de 2026, a Kepler Weber teve aumento de receitas somente no segmento de Agroindústria, que se tornou o principal negócio da companhia.

O faturamento com a agroindústria somou R$ 126,5 milhões entre abril e junho, uma alta de 18% em relação ao mesmo período de 2025.

“O desempenho foi sustentado por investimentos de cooperativas, tradings e indústrias de processamento, especialmente em projetos ligados a alimentos, rações e biocombustíveis”, diz a companhia em comentário.

Para Bernardo Nogueira, CEO da Kepler Weber, esse desempenho dentro da agroindústria é importante na estratégia de diversificação de receitas que a companhia vem implementando.

No caso de Fazendas, houve uma queda de 13% na receita líquida, para R$ 83,1 milhões. Nesse caso, Renato Arroyo, CFO (diretor financeiro) da companhia afirma que o ambiente de negócios teve bastante influência.

“Estamos em um momento de preços mais apertados para as commodities e juros altos. Essa combinação nos traz alguns desafios”, diz o executivo.

Nos outros segmentos, também houve queda de faturamento líquido. O mais intenso foi registrado em Porto e Terminais, que recuou 50% no segundo trimestre na comparação anual, para R$ 7,3 milhões.

Nogueira afirma que o segmento de portos é uma das apostas da Kepler Weber para os próximos anos. “Esse é um segmento com muito potencial para os nossos produtos”, afirma. O resultado do segundo trimestre é justificado pela fase de execução de alguns projetos e cronograma do reconhecimento de receitas.

Nos seus negócios internacionais, a Kepler Weber teve queda anual de 46% entre abril e junho, para R$ 16,6 milhões de receita líquida. Nesse caso, a companhia aponta o câmbio menos favorável em relação a 2025, e a concentração de maior volume de embarques no primeiro trimestre.

No total, a receita líquida da Kepler Weber somou R$ 299,1 milhões no segundo trimestre de 2026, queda de 4% em relação ao mesmo período de 2025.

Mais investimentos, lucro menor

Segundo Renato Arroyo, o segundo trimestre de 2025 foi “muito fora da curva” no que diz respeito ao nível de investimentos feitos pela Kepler Weber.

“Investimos quase 5% da receita líquida operacional nesse segundo trimestre. Esse ano, a média deve fechar na casa dos 3%”, conta o CFO da companhia.

Um dos focos da Kepler Weber é a inovação. Foram R$ 12,6 milhões investidos no desenvolvimento de novos produtos.

Com tudo isso, a Kepler Weber teve uma queda anual superior a 50% no lucro líquido, e fechou o segundo trimestre de 2026 com R$ 6,3 milhões de resultado.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) totalizou R$ 25,9 milhões no período, com margem de 8,7%. O valor representa uma queda anual de 31%. A margem Ebitda do segundo trimestre de 2025 foi de 12,2%.

Mesmo com a queda, o CEO da companhia afirma que os números se mantêm positivos. “Estamos com um Ebitda relativo ainda saudável, mesmo em um ambiente macroeconômico desafiador”.

Nogueira também se mostra otimista com a diversificação de receitas. Um exemplo que ele cita é o de Reposição e Serviços, que representa uma relação mais consistente e de longo prazo com os clientes.

“A participação de Reposição e Serviços passou de 12% para 24% do total em um ano, e projetamos crescimento de um dígito alto para esse tipo de serviço ao final de 2026”, diz Nogueira.

Resumo

  • Agroindústria cresce 18% e se torna o principal segmento da Kepler Weber, impulsionada por cooperativas e indústrias
  • Lucro líquido cai mais de 50%, com recuo de receita em fazendas, portos, operações internacionais e outros segmentos
  • Empresa aposta em diversificação, inovação e expansão de serviços para enfrentar juros altos e mercado mais desafiador