Enquanto multinacionais estão fechando ou paralisando fábricas, temporariamente, devido à alta do enxofre, uma empresa brasileira segue produzindo os fertilizantes fosfatados, mantendo os resultados do ano.

Em entrevista exclusiva ao AgFeed, o diretor comercial da Galvani, Jailton Sobral de Andrade, revelou que a expectativa da empresa é vender o mesmo volume de adubos do ano passado ou registrar um leve crescimento, de 3%.

Se confirmado, o avanço seria igual ao registrado em 2025, na comparação com o ano anterior. Segundo o balanço da Galvani, a receita no ano passado alcançou R$ 1,37 bilhão, alta de 20,1%. Já as entregas de fertilizantes da companhia atingiram o volume recorde de 726 mil toneladas, um acréscimo de 2,8% em relação a 2024.

A receita este ano também deve crescer bem mais que o volume, mas o executivo preferiu não arriscar qual seria o percentual. “Essa receita às vezes não se traduz tanto em margem, porque teve o aumento do enxofre”.

Este ano, Andrade admite, nos fosfatados o agricultor tem reduzido à aplicação em meio aos preços mais elevados, embora o adubo não tenha subido tanto quanto a matéria-prima.

“O enxofre, um ano e meio atrás, custava 90 dólares (a tonelada). Ele chegou a 1.300 dólares, e hoje está em 1.000, ou seja, 10 vezes mais do que se pagava. O fertilizante aumentou um pouco, mas nem de longe foi isso.  O produto aumentou muito pouco frente a esse aumento de custo. Então isso penalizou as empresas”, avaliou o diretor da Galvani.

A empresa tem uma mina de fósforo e duas plantas de ácido sulfúrico, fabricando fertilizantes fosfatados. Mas a Galvani comercializa também os outros fertilizantes, como NPKs, que envolvem também o potássio e os nitrogenados, por isso minimiza os impactos do enxofre.

Além disso, por ter sede em Luís Eduardo Magalhães (BA), uma potência da agricultura irrigada e da produção de algodão, acaba mantendo uma clientela qualificada de produtores grandes e mais tecnificados.

Andrade explica que alguns produtores de algodão também reduziram compras de adubos, mas a queda foi de no máximo 5%, enquanto na soja pode ter alcançado 15%.

“O produtor de algodão, assim como o produtor de soja, deu uma reduzida, mas no algodão a redução é menor do que a soja porque cultura do algodão é extremamente exigente, responde mais à questão de perda de fertilidade, da extração do nutriente do solo”, pontua.

Na soja, segundo ele, é possível reduzir o uso e aproveitar o acúmulo de fósforo no solo, sem grandes prejuízos à produtividade, o que muitos produtores estão fazendo.

Jailton Andrade revelou ao AgFeed que a Galvani também está fazendo uma “otimização” do estoque de enxofre, reduzindo a produção para 70% da capacidade. Há “sinais lentos de queda” no preço do enxofre, segundo ele, por isso a empresa segue operando e “produzindo um volume importante do fosfatado que o Brasil consome”.

Perguntado até quando a empresa possui estoques de matéria-prima, o executivo respondeu que há enxofre disponível para seguir até dezembro e “seguramente, até o primeiro mês do próximo ano”.

O AgFeed mostrou recentemente que a produção brasileira de fosfatados já foi reduzida em mais de 50%, com muitas empresas mantendo estoques somente para o mês de outubro.

Já a Galvani, com boas perspectivas para o mercado do algodão, segue otimista em relação ao setor para o próximo ano. A empresa marcou presença no Congresso Brasileiro de Algodão, realizado em Belo Horizonte, na última semana.

No oeste da Bahia, região prioritária para a Galvani, são 400 mil hectares de algodão, o que significa um mercado de quase 500 mil toneladas de fertilizantes.

Resumo

  • Fabricante de fertilizantes Galvani está operando com 70% da capacidade em meio à alta nos preços do enxofre, matéria-prima para produzir fosfatados.
  • Empresa prevê manter volume de vendas ou crescer 3% em 2026 com demanda ainda firme na cultura do algodão
  • Estoques de enxofre da companhia seriam suficientes pelo menos até janeiro, mas expectativa é pela redução no preço do ingrediente