No segundo trimestre deste ano, a Bunge começou a colher de forma mais evidente os resultados da integração com a Viterra e também registrou um bom desempenho no negócio de processamento de oleaginosas, que puxou o resultado como um todo.

Com isso, a multinacional se sentiu confortável para elevar, pela segunda vez consecutiva, sua projeção de lucros para o ano.

Entre abril e junho deste ano, a multinacional registrou um lucro líquido de US$ 678 milhões, resultado 91,5% superior frente aos US$ 354 milhões registrados no mesmo período de 2025.

Desconsiderando itens extraordinários e efeitos de marcação a mercado, o lucro ajustado por ação foi de US$ 2,00, frente aos US$ 1,31 registrados um ano antes

O Ebit (sigla para lucro antes de juros e impostos) dobrou, passando de US$ 293 milhões no segundo trimestre de 2025 para US$ 665 milhões no mesmo intervalo deste ano, alta de 126%.

A receita líquida alcançou US$ 24,04 bilhões, avanço de 88,2% em relação aos US$ 12,76 bilhões do segundo trimestre do ano passado, refletindo principalmente a incorporação da Viterra e o aumento da escala global das operações.

Diante do desempenho, a companhia revisou novamente suas perspectivas para os resultados de 2026 e passou a projetar lucro ajustado entre US$ 9,25 e US$ 9,75 por ação, acima da estimativa anterior, de US$ 9,00 a US$ 9,50.

Segundo o CEO Greg Heckman, a empresa segue focada na captura das sinergias da combinação com a Viterra e na execução da estratégia global.

“Em um contexto de incerteza geopolítica e fluxos comerciais em constante mudança, nossa plataforma global expandida fez exatamente o que foi projetada para fazer: capturar oportunidades e entregar resultados para os clientes em ambas as pontas da cadeia de valor”, disse.

“Os fatores que impulsionam a demanda a longo prazo permanecem fortes e, com nossa presença global e capacidades aprimoradas, estamos confiantes em nossa capacidade de executar nossas estratégias em uma ampla gama de condições de mercado.”

A receita do negócio de refino e processamento de soja somou US$ 12 bilhões no período, alta de 55,8% frente aos US$ 7,7 bilhões registrados no mesmo período do ano passado.

O Ebit ajustado do segmento ficou em US$ 445 milhões, 46,4% acima dos US$ 304 milhões registrados há um ano.

De acordo com a Bunge, os resultados foram impulsionados principalmente pelas operações na América do Norte e na América do Sul.

Na América do Norte, o desempenho mais forte no processamento nos Estados Unidos foi parcialmente compensado por resultados inferiores no refino. Na América do Sul, o resultado refletiu melhorias no processamento e no refino na Argentina e no processamento no Brasil.

Houve também expansão na receita do negócio de processamento e refino de outras sementes, que passou de US$ 1,531 bilhão no início do ano passado para US$ 4 bilhões agora, um crescimento de 161,3%. O Ebit ajustado do segmento saltou de US$ 14 milhões para US$ 255 milhões.

De acordo com a Bunge, os resultados aumentaram em todas as regiões, "refletindo um ambiente de mercado mais favorável e uma execução sólida".

Na América do Norte e na Argentina, os melhores resultados de processamento foram os principais impulsionadores da melhora do desempenho, enquanto os resultados de refino foram ligeiramente superiores em ambas as regiões.

Na Europa, os melhores resultados de processamento mais do que compensaram o desempenho inferior de refino e biodiesel, disse a Bunge.

Também houve expansão no negócio de trading e moagem de grãos, cuja receita somou US$ 6,6 bilhões no período, 186% superior aos US$ 2,3 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025.

O Ebit ajustado do segmento avançou 131%, passando de US$ 29 milhões para US$ 67 milhões.

Os melhores resultados em frete marítimo, serviços comerciais, algodão global e moagem de trigo foram parcialmente compensados ​​por resultados menores na comercialização global de grãos e açúcar. Os maiores volumes refletiram principalmente a expansão da presença e das capacidades da empresa no manuseio de grãos, disse a Bunge.

No negócio de óleos tropicais e ingredientes especiais, a receita subiu 9%, passando de US$ 1,1 bilhão há um ano para US$ 1,2 bilhão agora, e o Ebit ajustado ficou estável, somando US$ 29 milhões.

Os resultados mais positivos na Europa e na Ásia foram parcialmente compensados ​​por resultados mais baixos na América do Norte, informou a Bunge.

Apesar de os resultados terem superado as expectativas do mercado, as ações da Bunge amanheceram nesta quinta-feira, dia 30 de julho, no vermelho na Bolsa de Nova York. Às 10h50 (horário de Brasília), os papéis registravam queda de 3,28%, cotadas a US$ 104,25 cada.

Resumo

  • Lucro líquido da Bunge subiu 91,5% no 2º trimestre, para US$ 678 milhões, enquanto a receita cresce 88,2%, para US$ 24 bilhões
  • Processamento de soja avança 55,8% em receita e ajuda a impulsionar os resultados na América do Norte e na América do Sul
  • Com resultados, companhia elevou guidance pela segunda vez em 2026