Um mês depois de concluir encerrada o seu processo de reestruturação interna, com a captação de um novo sócio que injetou US$ 400 milhões no negócio, a multinacional americana de defensivos agrícolas FMC mostrou que o trabalho de recuperação dos resultados ainda deve tomar algum tempo.
O balanço referente ao segundo trimestre divulgado pela empresa na noite da quarta-feira, 29 de julho, trouxe um resultado um pouco melhor do que o previsto para os acionistas – o lucro ajustado por ação foi de US$ 0,26, superando em US$ 0,04 a estimativa dos analistas.
A receita, porém, ficou abaixo do esperado: US$ 867 milhões, contra o consenso de US$ 894,88 milhões, e uma queda de 17% em relação ao mesmo período de 2025.
Houve recuo também nas margens, com Ebitda ajustado marcando US$ 153 milhões, 26% abaixo na comparação anual, mas acima do teto da faixa de guidance que a própria companhia havia projetado.
A receita excluindo a operação da Índia — que está em processo de venda — foi de US$ 841 milhões, queda de 20% na comparação anual. Já o recuo orgânico foi de 22%, puxado por queda de 10% nos volumes e de 7% nos preços. Segundo a empresa, os volumes foram impactados por menores pedidos de parceiros de diamidas e pela demanda reduzida por produtos legados do portfólio, especialmente na América do Norte, onde os produtores enfrentam margens apertadas.
O chamado portfólio de crescimento, por outro lado, com produtos mais novos e com potencial de ampliar mercado, apresentou alta, impulsionado por novos ingredientes ativos.
Reorganização concluída
O balanço do segundo trimestre marca o encerramento de um período de intensa reestruturação na FMC. Em fevereiro, o CEO Pierre Brondeau anunciou que a empresa avaliaria "alternativas estratégicas" — incluindo uma possível venda — diante de indicadores ruins e de uma dívida crescente. As ações da companhia perderam mais de 70% de seu valor desde o ano passado.
Cinco meses depois, o processo foi concluído. Em 1º de julho, a FMC anunciou um aporte de US$ 400 milhões do conglomerado belga Tessenderlo Group, que passou a deter 20% das ações ordinárias da companhia. A transação confirmou a avaliação de mercado de US$ 2 bilhões da FMC.
Com o investimento, o conselho de administração da FMC encerrou formalmente a avaliação de opções. "Com a revisão estratégica agora concluída, temos clareza sobre o caminho a seguir e permanecemos focados em melhorar a competitividade, avançar nosso portfólio de tecnologia e posicionar a empresa para o crescimento de longo prazo", afirmou Brondeau no release de resultados.
O investimento do Tessenderlo se soma a outras medidas de fortalecimento do balanço anunciadas nos últimos meses: a venda da operação comercial na Índia para a Crystal Crop Protection por US$ 252 milhões, um acordo de licenciamento com a Corteva, que injetou US$ 200 milhões no fluxo de caixa do trimestre, e o sale-leaseback da propriedade em Newark, Delaware (US$ 114 milhões), além de uma oferta de títulos de US$ 1,2 bilhão. Ao todo, a empresa espera gerar aproximadamente US$ 1 bilhão em recursos para amortização de dívidas.
Apesar dos avanços na reestruturação, a FMC reduziu suas projeções para o ano, refletindo o que considera um ambiente macroeconômico mais desafiador. A receita excluindo a Índia foi revisada para uma faixa de US$ 3,50 bilhões a US$ 3,70 bilhões, queda de 7% no ponto médio ante 2025.
O Ebitda ajustado, na projeção da companhia, deve ficar entre US$ 620 milhões e US$ 680 milhões, recuo de 23% no ponto médio. O lucro ajustado por ação foi projetado entre US$ 1,19 e US$ 1,49 —abaixo do consenso dos analistas, de US$ 1,66.
Para o terceiro trimestre, a empresa espera receita (excluindo Índia) entre US$ 840 milhões e US$ 900 milhões, com Ebitda ajustado de US$ 120 milhões a US$ 140 milhões.
A companhia projeta uma retomada do crescimento no quarto trimestre, com receita entre US$ 1,06 bilhão e US$ 1,20 bilhão, alta de 4% no ponto médio, impulsionada por vendas diretas a produtores no Brasil, novos ingredientes ativos e pedidos de distribuidores na América do Norte.
Resumo
- FMC registrou lucro por ação acima das estimativas, mas teve queda de 17% na receita e recuo nas margens no segundo trimestre
- A reestruturação incluiu aporte de US$ 400 milhões da Tessenderlo, venda da operação na Índia e outras medidas para reduzir a dívida e fortalecer o caixa
- Companhia reduziu o guidance para 2026, citando um ambiente macroeconômico mais desafiador, com expectativa de recuperação apenas no quarto trimestre