Em meio ao seu processo de recuperação extrajudicial, a Raízen deu mais um passo na estratégia de venda de ativos para reduzir seu endividamento de R$ 65 bilhões.
A companhia anunciou nesta segunda-feira, 20 de julho, a venda da Usina Caarapó, localizada em Caarapó (MS), para a Adecoagro, por R$ 760 milhões. O montante deve ser pago na data de conclusão da operação, prevista para acontecer no próximo dia 1º de outubro.
A operação inclui a unidade industrial, áreas de cana-de-açúcar próprias e contratos com fornecedores vinculados à usina que, durante a safra 2025/2026, processou 3,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
“Essa transação está alinhada à estratégia da companhia de otimização de seu portfólio de ativos, simplificação das operações e captura de eficiências, com foco na melhoria da rentabilidade de seu portfólio agroindustrial”, comentou a Raízen em comunicado enviado à CVM. O negócio ainda está sujeito à aprovação pelo Cade.
A usina havia sido inaugurada pela Cosan em 2010, ainda antes da criação da Raízen, que aconteceu no ano seguinte. O investimento, na época, foi de R$ 530 milhões.
Com a venda da Caarapó, a Raízen deixa de ter usinas no estado do Mato Grosso do Sul. Anteriormente, em agosto de 2025, a companhia já havia vendido as usinas Rio Brilhante e Passa Tempo, ambas localizadas no município de Rio Brilhante (MS), por R$ 1,543 bilhão à Cocal Agroindústria.
Após a conclusão do deal, a Raízen passará a operar um portfólio de 23 usinas, com capacidade instalada de moagem de aproximadamente 69 milhões de toneladas por safra.
A Adecoagro também se manifestou sobre a transação, em comunicado apresentado à SEC (a CVM dos Estados Unidos).
Para Renato Junqueira Pereira, vice-presidente de açúcar, etanol e energia da Adecoagro, da companhia, destacou que a aquisição da usina faz parte de uma "extensão natural" da presença da Adecoagro no Mato Grosso do Sul.
A Caarapó está localizada aproximadamente 100 quilômetros de distância de outras duas unidades da companhia no Mato Grosso do Sul, as usinas Angélica e Ivinhema.
"Dada a sua proximidade geográfica, a usina será integrada à nossa estratégia de 'cluster', permitindo-nos processar volume adicional de cana — incluindo o excedente de cana de nossas operações existentes — ao mesmo tempo em que aproveitamos a infraestrutura compartilhada, a gestão e as melhores práticas para replicar nossas vantagens competitivas, reforçar nosso modelo de produção de baixo custo e aumentar significativamente o volume de moagem de Caarapó com investimento incremental limitado."
"Além disso, esperamos que o ativo contribua positivamente para o Ebitda Ajustado desde o primeiro dia, com ganhos incrementais à medida que capturamos sinergias operacionais e aplicamos nosso know-how em um cluster integrado, composto por três usinas localizadas na mesma região", completou Renato Junqueira Pereira.
Mariano Bosch, cofundador e CEO da companhia, disse estar muito satisfeito com a transação. "A aquisição da Caarapó nos permitirá fortalecer nossa plataforma de açúcar e etanol, ao mesmo tempo em que reforçamos nossa posição entre os produtores de menor custo do setor", afirmou no comunicado.
O negócio vem após um primeiro trimestre positivo para a Adecoagro na cana-de-açúcar. Apesar de a sua receita no segmento de açúcar e etanol ter recuado 6,1%, pressionada principalmente pela queda de 61,9% nas vendas de açúcar, o Ebitda da divisão avançou 36% no período, somando US$ 40,6 milhões.
O montante foi impulsionado pelo maior volume de moagem, que chegou a 2,2 milhões de toneladas, pelos preços mais elevados do etanol e pela redução do custo unitário dos produtos vendidos. Segundo a Adecoagro, a maior utilização da capacidade instalada em comparação ao ano anterior contribuiu para ampliar as margens da operação.
Resumo
- Raízen vende a usina Caarapó para a Adecoagro por R$ 760 milhões, reforçando seu plano de reduzir dívidas de R$ 65 bilhões
- Unidade está instalada em Caarapó (MS) e, durante a safra 2025/2026, processou 3,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar
- Para a Adecoagro, a aquisição amplia sua estratégia de cluster, integrando Caarapó às demais usinas que possui no MS para capturar sinergias