O plano é antigo. Pelo menos desde 2021 a Syngenta, maior fabricante global de defensivos agrícolas, fala publicamente em vender parte de seu capital realizando um IPO.
Naquele ano, a companhia controlada pela chinesa ChemChina, chegou a protocolar um pedido para o lançamento de ações na bolsa de Xangai, mas desistiu do movimento três anos depois, quando a turbulência dos mercados fechou a janela para esse tipo de operações.
Em 2026, a ideia foi definitivamente retomada, agora com a possível listagem em Hong Kong, com potencial para levantar até US$ 10 bilhões com a venda de 20% das ações da empresa.
A previsão era que ingressar com um novo pedido em junho passado e bater o martelo no primeiro pregão ainda este ano.
Mais uma vez, no entanto, a conjuntura global jogou contra. Segundo uma reportagem publicada neste quinta-feira pela Bloomberg, as instabilidades provocadas pelo conflito entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio fizeram com que o grupo decidisse esperar um pouco mais.
Assim, segundo as informações da Bloomberg, colhidas de fontes mantidas em anonimato, a formalização do pedido só deve acontecer em setembro, com o IPO ficando para 2027.
A estratégia dos dirigentes da Syngenta seria aguardar uma normalização nos fluxos de insumos essenciais para a produção de fertilizantes e agroquímicos, bastante afetados pelo fechamento do Estreito de Ormuz.
Ao mesmo tempo, há o temor de que o prolongamento da guerra agrave ainda mais o cenário, trazendo ainda mais incerteza a todo o setor agrícola e provocando novas altas nos custos da energia, outro insumo fundamental para a indústria química.
A Bloomberg ainda reporta que, segundo as fontes, o atraso no cronograma também esteja relacionado à perspectiva de uma demora maior do que a esperada para obter as aprovações necessárias para a abertura de capital e também à necessidade de autorizações adicionais, “visto que atua no ramo de sementes agrícolas, considerado um setor particularmente sensível”.
Em resposta à reportagem, a Syngenta informou apenas que continuará avaliando as estratégias de mercado de capitais com base nas condições de mercado e outros fatores, acrescentando que a empresa pretende retornar ao mercado de capitais quando o momento for oportuno.
Finalizar o processo para chegar ao IPO será uma das primeiras missões de Hengde Qin, executivo que assume em agosto o cargo de CEO global da Syngenta, em substituição a Jeff Rowe.
Com largo conhecimento dos meandros do mercado financeiro chinês, Qin é visto como um trunfo no sentido de ajudar o grupo a superar as últimas dificuldades burocráticas para a abertura de capital.
Segundo uma reportagem da agência Reuters em fevereiro passado, o banco de investimento chinês CICC e o americano Goldman Sachs foram contratados pela Syngenta para liderar o processo, que contaria também com Bank of America, CITIC Securities e UBS.
Resumo
- Syngenta deve adiar o IPO para 2027 devido às incertezas geradas pelo conflito no Oriente Médio
- Guerra e fechamento do Estreito de Ormuz elevam riscos para fertilizantes, agroquímicos e custos de energia
- Aprovações regulatórias e exigências para o setor de sementes também contribuíram para o novo adiamento