Enquanto o B16 não chega, garantindo um aumento na mistura de biodiesel nos tanques brasileiros, as empresas envolvidas nesta cadeia tentam avançar como podem nas ações voltadas à descarbonização.

Nesta terça-feira, 30 de junho, em Lapa (PR), a multinacional de origem sueca Volvo entregou ao Grupo Potencial Agro mais cinco unidades de seu caminhão “flex”, que funciona com 100% de biodiesel, mas tem a opção de rodar só com diesel comum, caso seja necessário.

A Potencial vem ampliando investimentos no esmagamento de soja, na produção de biodiesel e em projetos futuros, ligados, por exemplo, a etanol de milho e biometano. A ideia é oferecer soluções ao mercado na transição energética, mas também atingir suas próprias metas de descarbonização – plano é ser uma empresa carbono negativo.

Com as unidades entregues hoje, agora são 43 caminhões B100 na empresa paranaense.

“A média de idade dos nossos caminhões é de 5 anos. E conforme for renovando (a frota), a ideia é a gente ir para os caminhões que poluem menos, para atingir as nossas metas de descarbonização. Esse ano vamos fechar com um total de 50 caminhões Volvo”, afirmou o vice-presidente de novos negócios, comercial e de relações da Potencial Agro, Carlos Eduardo Hammerschmidt, em entrevista ao AgFeed, logo após a cerimônia com a presença de políticos paranaenses.

Segundo o executivo, o investimento da companhia na aquisição dos caminhões foi de cerca de R$ 50 milhões e só não é maior em função de algumas barreiras que o setor ainda enfrenta.

“Nós temos uma limitação com a ANP hoje que não se pode vender biodiesel puro nos postos de combustível. É uma coisa que eu venho debatendo com o pessoal da ANP”, explicou.

Os caminhões que estão dentro da fábrica de biodiesel da Potencial podem ser abastecidos, mas quando saem para rodar pelas estradas, se precisarem reabastecer além do limite dos tanques – a Volvo garante que há uma autonomia de 2,5 mil km –, terão que colocar o diesel S10 ou o B15.

O Grupo Potencial tem um plano para investir R$ 6 bilhões até 2030 na ampliação de seu complexo industrial. O objetivo é atingir uma capacidade de produção de 1,7 bilhão de litros de biodiesel, 500 milhões de litros de óleo degomado, 1 bilhão de litros de etanol e 9 milhões de m³ de biogás. O processamento total projetado é de 4,7 milhões de toneladas por ano de soja e milho.

Oportunidade para a Volvo

Alcides Cavalcanti, diretor-executivo da Volvo, disse ao AgFeed que a montadora já vendeu 300 caminhões do modelo FH B100 desde que ele foi lançado, em 2024.

As vendas seguem crescendo especialmente para grandes grupos do agronegócio. Além da Potencial, também já utilizam estes caminhões a Amaggi, gigante do agro em Mato Grosso, que é produtora de biodiesel.

O executivo da Volvo também cita as restrições da ANP quanto à comercialização do biodiesel em postos como um limitador para a venda de mais caminhões deste tipo.

“Agora está sendo dada uma abertura para a comercialização através de tanques nos transportadores e quem utiliza, inclusive, o transporte dessas empresas que produzem, ou seja, quem faz o transporte dessas empresas que produzem o biodiesel. Então as empresas ligadas a grupos como Potencial, Amaggi, a própria Bunge, têm a possibilidade de utilizar o B100, mas precisa ter uma autorização especial da ANP”, ressaltou.

Cavalcanti calcula que este ano, mesmo com as dificuldades, as vendas de caminhões B100 avancem 40% em relação a 2025.

Quando houver maior flexibilização para transportadoras envolvidas nas atividades das produtoras de biodiesel, ele acredita que será viável comercializar 1 mil caminhões por ano.

“A gente vê que muitas empresas estão buscando reduzir as emissões de CO2, têm compromissos com sustentabilidade, então o B100 é uma alternativa muito interessante. Ele pode reduzir até 90% de CO2 se o ciclo todo dele estiver de maneira sustentável”, pontuou.

Além disso, ele lembra, o caminhão B100 é mais barato do que os modelos elétricos ou a gás. Na comparação com o modelo comum, de óleo diesel, o preço ficaria 5% mais alto.

Os caminhões Volvo FH B100 Flex da Potencial serão utilizados no transporte de soja e farelo em implementos basculantes, além da distribuição de combustíveis por meio de carretas-tanque.

Os veículos atuarão principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, corredores logísticos fundamentais para as operações da empresa.

A oferta de caminhões B100 Flex faz parte da meta da Volvo para reduzir as emissões de CO₂ de origem fóssil em seus veículos. O plano é atingir a condição de netzero até 2050.

Segundo a Volvo, os caminhões FH B100 Flex podem ser financiados pelo Fundo Clima do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), que oferece juros mais baixos para a compra de caminhões de emissões reduzidas, como o biodiesel.

O mecanismo dispõe de R$ 11,2 bilhões para empréstimos, com juros de 6,5% ao ano, acrescidos de 1,3% referentes à taxa do BNDES.

Resumo

  • Volvo entregou mais cinco caminhões FH B100 Flex à Potencial Agro, que passa a operar 43 veículos movidos a 100% de biodiesel
  • Potencial investe R$ 6 bilhões até 2030 em biodiesel, etanol e biometano, com meta de se tornar uma empresa carbono negativo
  • Empresas defendem mudanças nas regras da ANP e incentivos ao B100 para acelerar a descarbonização do transporte de cargas