O universo da piscicultura, onde a Brazilian Fish é reconhecida como a maior e uma das mais inovadoras empresas do País, vem abrindo outras frentes de negócio para os acionistas.

A história do grupo Ambar Amaral começou há 40 anos, com foco na pecuária em Mato Grosso do Sul. Foi fundado por uma família de Santa Fé do Sul (SP), que, com a chegada da nova geração, decidiu diversificar atividades, passando a investir na tilápia.

O negócio deu certo e a marca Brazilian Fish – que contempla toda a cadeia, incluindo frigorífico e cortes diferenciados de peixe – ficou conhecida mundialmente. Mas as oportunidades foram além.

Em 2009, sob a liderença dos empresários Antonio Ramon do Amaral Neto e Felipe Georges Ambar do Amaral foi criada a Raguife, empresa de ração que, num primeiro momento, apenas abastecia a atividade própria de piscicultura.

“A Raguife surgiu da necessidade de suprir a alimentação da própria piscicultura do grupo, mas hoje a Brazilian Fish representa em média 10% do nosso faturamento, atendemos praticamente o Brasil todo”, explica Thiago Koyanagi, gerente comercial da Raguife, em entrevista ao AgFeed.

Com o crescimento expressivo da piscicultura na última década – dados indica quase 150% - aumentou a demanda por ração e a Raguife acabou pegando carona neste movimento.

A ração para peixe inclui matéria-prima usado na criação de outros tipos de proteína, como soja e milho, porém é necessário um processo a mais, que deixa a fabricação um pouco mais complexa. É ração “extrusada”, capaz de flutuar na água, para que o peixe se alimente com a digestão adequada.

Na matriz da Raguife, em Santa Fé do Sul (SP), são produzidas 14 mil toneladas de ração. Há dois anos foi inaugurada uma outra fábrica, em Bom Despacho (MG), que está produzindo mais 2 mil toneladas.

A receita da empresa, atualmente, fica em torno de R$ 400 milhões. O crescimento anual tem sido entre 15% e 20%, algo que a companhia espera repetir em 2026.

Nova fábrica no Nordeste

A Raguife vem buscando diversificação nas regiões de atuação e também no perfil de clientes. A empresa entrou recentemente no mercado de ração para pet, mas o segmento, por enquanto, representa apenas 5% da receita.

Koyanagi disse ao AgFeed que atender os clientes mais distantes implicava em custos logísticos maiores, por isso a estratégia agora é ter fábricas menores e mais próximas dos polos produtivos de peixes.

A fábrica de Bom Despacho envolveu R$ 40 milhões em investimentos e fez parte desta estratégia.

A próxima parada, a ser anunciada ainda este ano, é uma fábrica nova na região Nordeste, possivelmente em alguma cidade entre os estados da Bahia, Alagoas e Pernambuco. O investimento estimado está próximo de R$ 50 milhões.

As conversas com prefeituras nos estados ainda estão ocorrendo, por isso ele faz mistério sobre qual seria o local escolhido.

“Hoje a gente já atende aquele polo (dos três estados) com mais de mil toneladas de ração por mês, mas ainda saindo de São Paulo. Então é um custo elevado. E também a gente acaba não atendendo esses clientes da maneira que a gente queria”, pontua.

Se as obras iniciarem ainda este ano, a previsão é de que no máximo em 2028 a nova fábrica já esteja operando.

Potencial de crescimento

A visão da Raguife é que na piscicultura estão as maiores oportunidades de crescimento, comparado aos segmentos já estabelecidos como aves e suínos.

Há planos de expansão também no Paraná, região que vem despontando na piscicultura com a participação de cooperativas.

O plano é produzir 30 mil toneladas até 2030, quando o faturamento já chegaria próximo de R$ 1 bilhão.

As dificuldades recentes no mercado da tilápia como a alta na importação do Vietnã e as tarifas dos EUA também preocuparam os executivos da empresa.

Porém, segundo Koyanagi, foi justamente essa diversificação, com mercado pet e com outros peixes, além da tilápia, que garantiram a manutenção do crescimento da empresa, mesmo em meio às adversidades.

“Hoje a gente atende muito Norte e Nordeste, que é onde a gente abriu e já não é tilápia, é o peixe redondo, o peixe nativo. Agora, recentemente, a gente abriu Maranhão e Piauí, que são mercados que não foram afetados”, lembrou.

Resumo

  • Fabricante de ração Raguife, que pertence ao mesmo grupo da Brazilian Fish, vai construir uma nova planta na região Nordeste do Brasil
  • Empresa vem crescendo entre 15% e 20% ao ano, acompanhando avanço da piscicultura, mas também passou a atuar no mercado pet
  • Local da nova fábrica deve ser anunciado até o fim do ano e o investimento é estimado em R$ 50 milhões