A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) atualizou as estatísticas do complexo soja e revisou para cima a projeção de processamento de soja em 2026. O novo balanço, divulgado nesta segunda-feira, 22 de junho, estima que a indústria nacional processará 63 milhões de toneladas do grão neste ano, alta de 0,8% em relação à projeção anterior, de maio.

Segundo a entidade, o avanço reflete a robustez da safra brasileira e o aquecimento da demanda por farelo e óleo de soja, tanto no mercado doméstico quanto no externo.

A produção total de soja foi ajustada para 180,25 milhões de toneladas, ligeiro incremento de 0,1% ante o levantamento anterior, com base nos dados mais recentes da Conab, divulgados em 11 de junho. As importações do grão seguem projetadas em 900 mil toneladas.

Com projeção de mais soja sendo processada, a Abiove reviu para baixos estoques finais de soja em grão, que recuaram 4,6% na comparação com o levantamento de maio, passando de 8,245 milhões para 7,868 milhões de toneladas. O movimento é coerente também com a manutenção das exportações de grão em 114,1 milhões de toneladas.

No setor de farelo, a produção está estimada em 48,1 milhões de toneladas, estável ante a projeção anterior. Já as exportações do derivado subiram para 24,95 milhões de toneladas, alta de 0,6%, enquanto o consumo interno avançou para 21 milhões de toneladas, crescimento de 1,4%. Com isso, o estoque final de farelo caiu 9,6%, para 4,246 milhões de toneladas.

No segmento de óleo de soja, a produção segue estimada em 12,55 milhões de toneladas. As exportações, porém, tiveram revisão de 3,1% para cima, alcançando 1,65 milhão de toneladas.

O consumo interno também subiu, para 10,95 milhões de toneladas. O estoque final do óleo recuou 12%, para 736 mil toneladas, a maior contração entre os derivados.

Ritmo acelerado na indústria

Os dados mensais de processamento corroboram o ritmo aquecido do setor. Em abril de 2026, a indústria processou 5,09 milhões de toneladas de soja, alta de 0,2% em relação a março e expressivos 6,7% na comparação com abril de 2025.

No acumulado dos quatro primeiros meses do ano, o processamento soma 18,124 milhões de toneladas, alta de 10,1% sobre igual período do ano passado.

O número reforça a tese de que a indústria brasileira de esmagamento opera em patamar mais elevado de atividade, sustentada pela safra recorde e pela demanda aquecida por proteína vegetal e biocombustíveis.

No comércio exterior, a Abiove projeta que o complexo soja como um todo — grão, farelo e óleo — gere cerca de US$ 60 bilhões em exportações em 2026. O número consolida o Brasil como o maior fornecedor global de soja e evidencia o peso do setor na balança comercial brasileira.

Para a Abiove, a atualização do balanço reforça a capacidade de resposta da indústria nacional diante do volume da safra e das demandas do mercado.

Resumo

  • Abiove revisou para cima o esmagamento de soja em 2026, para 63 milhões de toneladas, com demanda aquecida
  • Exportações do complexo soja devem gerar US$ 60 bilhões, reforçando o peso do setor na balança comercial
  • Estoques de soja, farelo e óleo foram reduzidos diante do maior processamento e consumo dos derivados