A laranja já não está mais nos patamares recordes de preço vistos até 2025, mas o interesse das empresas de insumos agrícolas pelo segmento permanece crescente.

É o caso da Fortgreen, empresa que surgiu no Paraná atendendo produtores de grãos, mas que foi diversificando os negócios e diz já ter pelo menos 8% de seu faturamento vindo das vendas aos citricultores.

Em entrevista exclusiva ao AgFeed, o gerente comercial da regional São Paulo da Fortgreen, Silvio César Gregório do Nascimento, disse que a empresa dobrou as vendas - tanto em volume quanto em em receita - para os produtores de citros em 2025, na comparação com o ano anterior.

Foi uma época excelente para a citricultura, com os preços da laranja ultrapassando R$ 90 a caixa no final de 2024. Muitos comparam esse período ao momento em que a soja estava próxima de R$ 200 por saca e criou uma espécie de “sonho” entre os produtores, que torciam para que o patamar não fosse perdido.

Assim como na soja, na citricultura os preços começaram a cair em 2025 e agora se estabilizaram. Atualmente, a laranja é vendida a R$ 25 por caixa de 40,8 kg, portanto uma queda de 72%.

Os futuros de suco de laranja negociados em Nova York também acumulam queda próxima de 70% desde o recorde histórico de US$ 5,43 por libra registrado no auge da crise de oferta, sendo negociados atualmente ao redor de US$ 1,65-1,70 por libra.

Nascimento diz que atua junto aos clientes da citricultura há mais de 30 anos, por isso está acostumado ao sobe e desce da commodity, que depende não só da oferta do Brasil (maior exportador de suco de laranja do mundo), mas também do consumo global.

“O ano passado, a gente teve um preço que estava bastante elevado, principalmente por causa da oferta. A oferta era menor, tinha menos laranja, então o preço foi muito alto. Só que estava totalmente fora (dos padrões históricos)”, lembrou.

A nova realidade tem a ver com pouca reação no consumo global de suco de laranja e com o aumento da oferta. Segundo o Fundecitrus, a safra de laranja do cinturão citrícola de São Paulo e Triângulo/Sudoeste Mineiro em 2025/26 foi de 292,94 milhões de caixas de 40,8 kg, um aumento de 26,9% em relação à safra 2024/25, que havia sido de 230,87 milhões de caixas.

Neste cenário, não é esperada uma reação de preços no curto prazo, algo que, teoricamente, poderia inibir os investimentos nos insumos agrícolas.

“Nós não temos hoje como agir em cima da questão de preço, nós podemos agir em cima da produção. Então a Fortgreen está totalmente voltada nesse mercado. Se eu vender a R$ 100 e produzir pouco, é a mesma coisa que eu vender a R$ 35 ou R$ 40 e produzir bastante”, diz o executivo.

Ele avalia que cada vez mais permanecerão na citricultura apenas os produtores mais profissionalizados. “O que vai existir, vai continuar existindo, são os agricultores de verdade, que são as pessoas que sabem do seu negócio, quem está envolvido. Não é aquele que deixa na mão do empregado e vira as costas e vai embora”, ressaltou.

Apesar dos desafios, Nascimento acredita que em 2026 será possível manter o ritmo de crescimento da Fortgreen na citricultura, dobrando, novamente, as vendas ao setor.

“Eu acho que [dobra de novo] sim porque o nosso portfólio tem melhorado. Além da validação do que a gente tinha dos produtos, agora tem produtos novos entrando de acordo com a necessidade do mercado”, justificou ele.

“Continua sendo um mercado firme para aquele produtor que realmente se tecnificou, investe em irrigação, investe em consultoria, isso é o mais importante”.

Parte do crescimento, ele avalia, vem ocorrendo com a expansão do portfolio adaptado à citricultura. São três tipos de solução que atendem o setor: nutrição vegetal, via folha, nutrição de solo e adjuvantes.

Apesar de ter sido criada no Paraná, na cidade de Paiçandu, desde 2023, a Fortgreen pertence ao grupo irlandês Origin Enterprises.

Em 2023, a multinacional lançou oficialmente a F1RST Agbiotech como plataforma dedicada a bioinsumos. A partir daí, os biológicos também ganharam novo impulso, inclusive no atendimento aos citricultores.

“O biológico tem crescido demais e a gente resolveu entrar no mercado também. E está tendo muito sucesso, são produtos de alta tecnologia, que não são comprados, eles têm que ser vendidos. Então tem que ser muito bem recomendado”, pontuou.

Nos últimos cinco anos, com a chegada da Fortgreen ao mercado paulista, a presença na citricultura aumentou, segundo o gerente. Ele diz que a empresa agora tem executivos em praticamente todos os estados brasileiros.

“E a citricultura hoje, ela não está mais só aqui em São Paulo. Hoje ela está em Minas Gerais, em Goiás. Ela está muito forte no Nordeste, Bahia, Sergipe”, lembrou. A conversa com Silvio Nascimento ocorreu durante Expocitros, no final do mês de maio, tradicional exposição do setor realizada em Cordeirópolis (SP) e promovida pelo Centro de Citricultura Sylvio Moreira, ligado ao governo paulista.

No evento, também houve forte presença dos representantes de Mato Grosso do Sul, onde, recentemente, gigantes da indústria do suco de laranja, como a Cutrale, decidiram fazer investimentos, por exemplo.

“É uma feira referência no Brasil inteiro, de citricultura, acho que é o terceiro ou quarto ano que nós estamos aqui. E agora investindo mais forte, porque a validação de produtos para a citricultura, ela demora um certo tempo, até que o produtor adote, vamos investindo em parcerias, com grandes consultorias”, explicou.

Resumo

  • Fortgreen prevê dobrar vendas de insumos aos produtores de citros em 2026, repetindo resultado do ano passado
  • Além de produtos de nutrição, empresa aposta em maior consumo de biológicos, apesar da queda de cerca de 70% nos preços da laranja
  • Vendas para citricultura já representam 8% do faturamento da Fortgreen, que pertence ao grupo irlandês Origin Enterprises