Com um preço do milho em queda e uma cotação do boi gordo elevada, os confinamentos devem não só crescer neste ano mas também registrar margens elevadas em suas operações.

Essa é a avaliação da dsm-firmenich, que divulgou nesta terça-feira, 2 de junho, a prévia do Censo e do Tour de Confinamento realizados pela empresa.

De acordo com o estudo, o Brasil deve atingir 9,78 milhões de cabeças de gado confinadas até o final do ano, um avanço de 5,7% frente às 9,25 milhões de cabeças registradas em 2025.

Mais do que isso, a perspectiva é de um negócio mais rentável do que no ano anterior. Nos cálculos de Walter Patrizi, gerente de confinamento para a América Latina da dsm-firmenich, considerando um ciclo de 100 dias de confinamento, a saca do milho a R$ 68, o boi magro a R$ 4,5 mil por cabeça e e cotação do boi gordo a R$ 352 por arroba (dados travados há algumas semanas), a rentabilidade (ROI) deve atingir 23,31%.

No ano passado, a dsm calcula que a margem dos confinamentos foi de 16,3%, o que traria um avanço de sete pontos percentuais.

"O confinador entra em 2026, mesmo com incertezas geopolíticas, eleição, situação de EUA e China, com preços bons do boi e do milho", disse Patrizi.

"Esse é o maior nível de rentabilidade desde 2020, ano que vimos o boom de compras da China. Neste ano ainda vemos um mercado internacional que depende do nosso gado".

Em 2020, a margem havia sido de 23,8%, também de acordo com a dsm-firmenich. Nos anos seguintes, com uma alta no preço dos grãos e do custo do boi magro, a margem recuou para 6,6%, 2% e 6% - no intervalo de 2021 a 2023. Em 2024, saltou para 15%, conforme o preço do milho voltou a cair no mercado externo.

Considerando as projeções para 2026, o estado de maior volume de animais confinados continuará sendo o Mato Grosso, com 2,4 milhões de cabeças (aumento de 7,7%).

Na sequência vêm São Paulo, com 1,4 milhão (crescimento de 4,9%), Goiás, com 1,4 milhão (incremento de 2,0%), Mato Grosso do Sul, com 900 mil (acréscimo de 5,2% e Minas Gerais, com 800 mil (aumento de 7,9%).

Juntos, esses cinco estados representam mais de dois terços do total nacional, com 70,6% do total de bois confinados estimado para o Brasil.

"As duas principais regiões devem crescer. Centro-Oeste representará 50% do rebanho confinado e o Sudeste outros 24%", acrescentou Patrizi.

O avanço de 5,7%, considerando todo o País, deve representar 525,5 mil cabeças, número que deve se concentrar nos grandes confinamentos (que abatem acima de 50 mil cabeças por ano).

A dsm-firmenich calcula que os 100 maiores confinamentos do Brasil somam 48% dos bois confinados.

Esses players, sozinhos, devem crescer 465 mil cabeças, quase 90% do avanço projetado para o ano. Só o Mato Grosso deve crescer 170 mil cabeças de gado confinadas em 2026.

"Vemos uma força no aumento de custos de animais de reposição e o confinador ainda não pisou no acelerador do confinamento. Vemos que a taxa de ocupação está inferior nesse momento, influenciado por algumas operações de Goiás e Tocantins", afirmou o gerente.

Luiz Magalhães, presidente da área de nutrição e saúde animal da dsm-firmenich na América Latina, cita que 2025 já havia sido marcado por uma recuperação das margens. "Muito ancorado na valorização do boi gordo, o confinamento deixou de ser uma alternativa e passou a ocupar um papel importante na pecuária", disse.

"2025 foi o ano da recuperação da margem no confinamento, mesmo com uma evolução no custo da dieta, mas agora temos um momento interessante quando pensamos no milho e no farelo. A boca do jacaré foi positiva para o confinador em 2025", acrescentou Thiago Bernardino, pesquisador do Cepea/Esalq.

Apesar de projetar novo avanço, ele deverá ser mais lento do que visto no intervalo de 2024 para 2025, quando houve acréscimo de 16% na população bovina confinada.

Resumo

  • Brasil deve confinar 9,78 milhões de cabeças em 2026, alta de 5,7% ante 2025, estima dsm-firmenich
  • Rentabilidade do confinamento pode chegar a 23,3%, maior nível desde 2020
  • Mato Grosso lidera expansão e concentra o maior rebanho confinado do País