Um resultado surpreendentemente positivo. Uma reação enfaticamente negativa dos mercados.
Este é a síntese da divulgação, nesta quinta-feira, 21 de maio, do balanço referente ao segundo trimestre fiscal – que corresponde ao primeiro do ano calendário – da Deere & Co., empresa fabricante da marca de máquinas agrícolas e para construção civil John Deere.
O relatório financeiro do trouxe um resultado que, em outras épocas, teria sido comemorado por seus acionistas. A receita líquida atingiu US$ 11,78 bilhões no período, acima da expectativa de US$ 11,5 bilhões segundo a média de estimativas de analistas de mercado.
O lucro por ação, no trimestre, ficou em US$ 6,55 por ação, bem acima dos US$ 5,70 por ação esperados pelo analistas.
Ainda assim, as ações da companhia vivem um dia de quedas acentuadas. Chegaram a recuar mais de 8% ao longo da manhã, na maior redução em um único dia desde agosto. No meio da tarde, com leve recuperação, ainda operavam no negativo, com perdas de mais de 4%.
O mau humor do mercado não refletia a avaliação dos números trimestrais – ajudados, é verdade, pelo recebimento de mais de US$ 270 milhões em reembolso por tarifas pagas –, mas pelas previsões da própria Deere sobre o que o ano ainda reserva à empresa e ao setor agrícola como um todo.
O soluço positivo não levou a companhia a rever para cima, por exemplo, o seu guidance para o resultado anual – o que demonstra que a surpresa do trimestre não configura uma tendência de reação do mercado.
A Deere manteve inalterada a previsão de lucro para o atual ano fiscal feita durante a divulgação do trimestre anterior: entre US$ 4,5 bilhões e US$ 5 bilhões. Naquela ocasião, a companhia também havia indicado que 2026 marcaria o ponto mais baixo do volume de vendas do mercado de máquinas agrícolas.
A leitura do mercado, três meses, atrás foi de que a empresa vislumbrava uma possibilidade de recuperação a partir de 2027. Então, mesmo com números mais fracos, as ações reagiram positivamente, com uma alta expressiva.
O otimismo, entretanto, foi perdendo força à medida em que os dados sobre a economia agrícola, nos Estados Unidos e no resto do mundo, foram mostrando o impacto da conjunção de preços de commodities em patamares baixos e custos agrícolas em alta, sobretudo após a eclosão da guerra no Irã.
Nos Estados Unidos, um indicador que mede a rentabilidade agrícola aponta para uma retração de 0,7% na renda dos produtores este ano, o que deve resultar em redução em investimentos em novas máquinas.
O quadro que tende a se repetir em vários mercados, como o próprio Brasil. Segundo a empresa os produtores brasileiros estão sentindo impactos do conflito no Oriente Médio.
“A situação no Irã está afetando os produtores brasileiros em um momento particularmente sensível do seu ciclo de produção, enquanto se preparam para plantar uma nova safra em setembro, ao passo que os agricultores em outras partes do mundo já garantiram, em grande parte, os insumos para esta safra”, disse Brent Norwood, novo CFO da companhia.
Esse efeito pode estar por trás da revisão das expectativas anuais de vendas para a América Latina. Em fevereiro, a Deere previa uma retração de 5%. Agora, fala em 15%.
Nos Estados Unidos e no Canadá, o patamar de queda prevista foi mantido, mas em níveis altos, entre 15% e 20%.
“Os custos dos insumos, particularmente combustível e fertilizantes, aumentaram globalmente e contribuirão para uma maior inflação em toda a economia agrícola”, afirmou Norwood.
No trimestre, o segmento agrícola da empresa, de fato, foi o que apresentou mais dados preocupantes no balanço. A receita líquida da divisão, incluindo a área de agricultura de precisão, caiu14% trimestre, na comparação com o mesmo período no ano anterior.
“Embora nossos clientes enfrentem desafios contínuos, a John Deere permanece firmemente comprometida em apoiar seu sucesso por meio de operações disciplinadas e resiliência”, afirmou John May, CEO da Deere, no documento , citado no comunicado que acompanhou o balanço.
Já o segmento os segmentos de agricultura de pequeno porte e gramados registraram alta de 16%. O de construção civil e silvicultura foram os que mais contribuíram positivamente, com vendas 29% superiores às do segundo trimestre de 2025.
Resumo
- John Deere registrou lucro e receita acima das expectativas do mercado no segundo trimestre fiscal de 2026
- Mesmo com resultado positivo, ações despencaram após a empresa manter projeções conservadoras para o ano
- Guerra no Irã, alta dos custos agrícolas e queda na renda do produtor pressionam vendas de máquinas no Brasil e no mundo