O Brasil iniciará nesta quarta-feira, 13 de maio, as tratativas no sentido de reverter a decisão de um comitê técnico da União Europeia que deixou o País fora da lista de exportadores habilitados a vender produtos de origem animal aos integrantes do bloco.
Uma reunião já está agendada entre o embaixador brasileiro junto à UE, Pedro Miguel da Costa e Silva, e o adido agrícola da missão brasileira junto ao bloco, Glauco Bertoldo, com a área técnica responsável pela medida, buscando esclarecimentos sobre as razões da decisão, que passa a valer a partir de 3 de setembro próximo, e abrindo caminho para um diálogo que permita que, até lá, ela seja alterada.
“O Brasil é um parceiro estratégico da União Europeia e espera ser tratado como parceiro estratégico”, afirmou ao AgFeed, na tarde da terça-feira, 12 de maio, o secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura e da Pecuária (Mapa), Luis Rua, lembrando que o País exporta seus produtos agropecuários ao bloco há 40 anos.
“Então, a gente espera que possamos explicar toda a situação depois de termos os esclarecimentos do porquê efetivamente da medida e, a partir daí, aumentar os canais de diálogo, com base na ciência e sendo tratado como um bom parceiro que o Brasil é”.
O próprio Rua já fez os primeiros contatos nesta terça com a Direção-geral da Agricultura e do Desenvolvimento Rural, órgão equivalente ao Mapa na Comissão Europeia, que passarão, a partir da intervenção do embaixador, ganhar os canais diplomáticos.
Ao explicar a ausência do Brasil da lista de exportadores, a União Europeia argumentou que ela se deveu ao fato de o País não ter comprovado que está em conformidade com exigências do bloco em relação ao uso de produtos antimicrobianos, como antibióticos, na criação de animais.
Segundo Rua, “o que aconteceu hoje foi uma decisão de um comitê técnico com poderes recomendativos à Comissão Europeia”, afirmou.
Ele ressaltou que, a despeito do anúncio da lista de exportadores sem o Brasil ter sido feito agora, não há nenhuma alteração no fluxo de exportações no momento atual.
“Essa medida, é importante deixar claro, só vale a partir de 3 de setembro. E até lá, o governo brasileiro envidará todos os esforços no sentido de explicar, de mostrar os nossos procedimentos, passar a segurança necessária às autoridades sanitárias europeias e, assim, seguir o fluxo de comércio com essa região”.
Nas primeiras conversas, de acordo com o secretário, o Brasil ainda não recebeu esclarecimentos sobre o tema. Por ser uma questão de ordem técnica, pontuou, o assunto será tratado inicialmente nesse escopo. Somente a partir das informações colhidas nessa âmbito, já a partir da reunião desta quarta, “a gente vai ter mais clareza de como atuar”.
A União Europeia é destino de cerca de 5% das exportações brasileiras de proteínas animais. Segundo Rua, em dados anualizados, isso corresponde a algo em torno de 130 mil toneladas de carne bovina. No caso de carne de aves, considerando carne de peru e também carne de frango, as exportações brasileiras para o bloco em 2025 somaram entre 250 mil e 280 mil toneladas.
Outros produtos da pauta de exportação brasileira também estão sob risco de bloqueio caso a decisão não seja revertida, já que a medida abarca todos os produtos de origem animal destinado ao consumo humano.
Nessa categoria estarão também ovos, mel, tripas, gelatinas, colágenos, entre outros. O mercado dos ovos, por exemplo, foi aberto no final do ano passado. Já para o mel, a União Europeia é destino de pouco mais de 10% das nossas exportações.
Rua ponderou que o Brasil tem sistema sanitário robusto, que garante exportações para 170 países. “Somos um país que é líder nas exportações mundiais, por exemplo, de carne de aves, de carne bovina. Tenho a esperança bastante positiva de que a gente chegará a um bom porto, a partir de esclarecimentos feitos com tranquilidade e da utilização da ciência como base”.
Resumo
- O governo brasileiro inicia negociações para reverter a exclusão do País da lista de exportadores de produtos de origem animal para a UE
- O Mapa afirma que o Brasil possui sistema sanitário robusto e espera diálogo baseado em ciência e parceria estratégica com o bloco europeu
- Carne bovina, aves, ovos, mel e outros produtos podem ser afetados pela medida, que passa a valer em setembro de 2026.