Mais uma vez, a Fertilizantes Heringer, companhia de adubos controlada pela multinacional de origem russa Eurochem, apresenta resultados fracos em seu balanço trimestral.

Entre janeiro e março deste ano, a companhia registrou lucro líquido de R$ 14,6 milhões, resultado 75,5% menor que o lucro de R$ 59,7 milhões registrado no mesmo período de 2025.

A receita líquida foi de R$ 525,3 milhões no período, 42% menor que os R$ 858,8 milhões do primeiro trimestre de 2025.

O resultado foi impactado negativamente por queda nos volume de vendas, que recuaram 43,6% no período, passando de 357,7 mil toneladas no primeiro trimestre de 2025 para 202 mil toneladas agora.

O mix de vendas ficou distribuído entre café (36%), milho (35%), soja (6%), cana-de-açúcar (5%) e demais (18%). Mesmo com um menor volume de vendas no período, o café ganhou bastante espaço no trimestre na comparação com outras culturas e o milho manteve também posição de destaque que já havia conquistado ao longo de 2025.

Ainda assim, os produtores das duas culturas não ficaram imunes às oscilações do mercado e mudaram o comportamento de compra, o que impactou os resultados da companhia.

A Heringer destacou que, no milho, os agricultores postergaram as compras de fertilizantes. Já no café, a combinação entre a alta dos preços dos insumos e a queda das cotações da commodity levou os produtores a reduzirem a adubação no início deste ano.

No mix de produtos entregues, houve queda acentuada de entregas de produtos convencionais, que recuou de 305 mil toneladas no começo do ano passado para 154 mil toneladas agora.

Também houve desaceleração mais moderada do segmento premium, de 53 mil toneladas para 48 mil toneladas entregues, simbolizando, para a Heringer, migração gradual para produtos de maior valor agregado, o que reforça a estratégia da empresa de fortalecimento do portfólio premium.

O Ebitda (lucro antes de juros, Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da empresa foi negativo em R$ 4,1 milhões no trimestre, com margem negativa de 0,8%.

Há um ano, a Heringer tinha registrado Ebitda positivo em R$ 3,5 milhões, com margem positiva de 0,4%.

O resultado foi impactado pelas despesas financeiras que, apesar de terem diminuído 46,3% entre 2025 e 2026, passando de R$ 291,4 milhões para R$ 156,3 milhões, ainda estão sendo afetadas pelo câmbio.

A Heringer avaliou que, que mesmo com a redução da taxa de câmbio no primeiro trimestre deste ano - que passou de R$ 5,50 no fim de 2025 para R$ 5,22 no último dia 31 de março -, houve efeito cambial.

A companhia relatou também, no balanço, a aceleração dos preços dos fertilizantes no primeiro trimestre de 2026 em função da guerra no Oriente Médio e do fechamento do Estreito de Ormuz.

Com base em números da agência de preços Argus Media, a empresa relata altas de 64% na ureia, de 29% no MAP e de 5% no cloreto de potássio.

Em abril, a Heringer trocou outra vez de CEO, na quarta mudança no posto mais alto da empresa em menos de um ano. Gustavo Oubinha Barreiro deixou o cargo menos de dois meses de ter assumido para dar lugar à Danill Bazdyrev, que deve ficar até o ano que vem à frente da empresa.

Em recuperação judicial desde 2019, a Heringer está sob controle da Eurochem desde 2021 e possui 14 unidades no Brasil, somando fábricas em operação e fechadas – nos últimos anos, hibernou as plantas de Rio Verde (GO), Ourinhos (SP), Iguatama (MG), Dourados (MS), Rosário do Catete (SE) e Porto Alegre (RS).

Resumo

  • Fertilizantes Heringer teve lucro líquido de R$ 14,6 milhões no 1º trimestre de 2026
  • Resultado foi 75,5% menor que o registrado no mesmo período de 2025
  • Queda de mais de 40% no volume vendido, recuo e postergação de compras e efeito cambial pressionaram números