De olho em novas possibilidades trazidas recentemente pela política federal de combustíveis renováveis dos Estados Unidos, que podem alavancar seus negócios de biocombustíveis e esmagamento de grãos, a trading americana ADM reviu para cima sua projeção de lucro por ação neste ano.

Agora, a companhia prevê lucro por ação neste ano girando entre US$ 4,15 a US$ 4,70 por ação, acima da estimativa anterior, que ia de US$ 3,60 a US$ 4,25. No ano passado, o lucro por ação ajustado foi de US$ 3,43.

“Com a clareza da política de biocombustíveis nos EUA, que agora proporciona uma estrutura regulatória estável, combinada com a sólida execução de nossa equipe, estamos elevando nossas expectativas de lucros para 2026”, disse Juan Luciano, CEO da ADM, em comunicado com os resultados do primeiro trimestre deste ano.

Luciano fez referência à uma medida anunciada no fim de março, quando a Agência de Proteção Ambiental do governo americano (EPA, na sigla em inglês) ampliou os níveis de mistura de biocombustíveis a combustíveis fósseis para os maiores volumes da história.

Com a possibilidade de incremento na produção de combustíveis renováveis, companhias como a ADM, que tem grandes estruturas de esmagamento de óleo, insumo básico de vários biocombustíveis, acabam se beneficiando.

Para 2026, o governo americano aumentou o volume de etanol de milho e outros biocombustíveis a serem misturados de 90,92 bilhões para 97,73 bilhões de litros, de acordo com informações da Broadcast. Além disso, houve a realocação de 3,75 bilhões de litros referentes a isenções concedidas a pequenas refinarias entre 2023 e 2025, o que eleva o total para 101,48 bilhões de litros.

Para 2027, a meta também foi ampliada, passando de 92,58 bilhões para 98,33 bilhões de litros. Considerando as isenções, o volume total projetado chega a 102,27 bilhões de litros.

Também houve alterações na mistura do biodiesel, de 26,95 bilhões para 33,54 bilhões de litros em 2026, e de 28,39 bilhões para 33,88 bilhões de litros em 2027.

Balanço

Os impactos dessas mudanças devem, assim, ser sentidos nos próximos meses pela ADM. No primeiro trimestre do ano, o lucro da companhia ficou praticamente estável em relação ao mesmo período de 2025, somando US$ 298 milhões, ante US$ 295 milhões.

A receita também teve leve alta, crescendo apenas 1,4% no período, passando de US$ 20,1 bilhões para US$ 20,4 bilhões.

O lucro operacional foi de US$ 764 milhões, 2,2% a mais que os US$ 747 milhões do mesmo período do ano anterior.

Houve queda de 34% no lucro operacional do segmento de Serviços Agrícolas e Oleaginosas, que passou de US$ 412 milhões para US$ 273 milhões.

O resultado foi fortemente impactado por efeitos negativos de marcação a mercado e questões de timing, ligados ao fortalecimento do mercado de commodities após maior clareza sobre a política de biocombustíveis nos Estados Unidos.

Já na divisão de Soluções de Carboidratos houve crescimento de 48% no lucro operacional, que passou de US$ 240 milhões para US$ 356 milhões.

A alta está relacionada, segundo a ADM, principalmente ao fortalecimento das margens do etanol, apoiado por uma gestão de riscos eficaz e incentivos políticos.

No segmento de Nutrição, também houve alta no lucro operacional, que passou de US$ 95 milhões para US$ 135 milhões, avanço de 42%. O melhor desempenho dos subsegmentos de Nutrição Humana e Nutrição Animal contribuíram para o resultado.

"Em um cenário global dinâmico, a ADM apresentou um sólido desempenho operacional no primeiro trimestre, com nossos negócios de esmagamento e etanol capitalizando em um ambiente construtivo para biocombustíveis e nosso negócio de Nutrição se beneficiando do aumento nas vendas de Aromas, da recuperação contínua da planta de Decatur East e das melhorias constantes em Nutrição Animal”, avaliou Juan Luciano, CEO da companhia.

Resumo

  • ADM prevê agora lucro por ação entre US$ 4,15 a US$ 4,70 em 2026, acima de estimativa anterior
  • Movimento vem após governo americano elevar níveis de misturas de combustíveis renováveis aos fósseis
  • No 1º trimestre deste ano, companhia teve lucro líquido de US$ 298 milhões, estável no período