A VLI Logística renova nesta terça-feira, 15 de abril, um contrato de longo prazo para movimentação de açúcar VHP que mantém com a bp bioenergy, braço sucroenergético da petroleira britânica bp no Brasil.
O acordo será assinado durante a Intermodal South America 2026, evento do setor logístico que acontece em São Paulo (SP). A informação foi repassada em primeira mão ao AgFeed.
A VLI não informa a duração do contrato com a bp nem o volume de açúcar que será movimentado daqui em diante, mas afirma que o acordo prevê ampliação no montante transportado.
"É um contrato que prevê gradual crescimento de volume para expandir a parceria e aumentar a participação nos volumes da bp", diz Bruno Pantoja, gerente geral comercial agro e líquidos da VLI.
Nas últimas cinco safras, a VLI transportou aproximadamente 6,4 milhões de toneladas de açúcar para a bp bioenergy, considerando cargas provenientes de nove usinas da companhia localizadas nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, além de volumes de unidades parceiras.
O transporte das cargas é feito pelos modais rodoviário e ferroviário. A etapa rodoviária é realizada por meio do Trato, plataforma digital da VLI responsável pela gestão do transporte desde as usinas até os terminais ferroviários de Uberaba (MG) e Guará (SP).
A partir desses pontos, o açúcar segue pela Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) até a Baixada Santista, de onde é exportado para diversos mercados internacionais.
A parceria reforça também a posição da VLI como um dos principais operadores no escoamento de açúcar pelo Porto de Santos.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), a empresa é responsável atualmente por cerca de 20% das exportações do produto na Baixada Santista, por meio do Terminal Integrador Portuário Luiz Antonio Mesquita (Tiplam).
No ano passado, houve a elevação de 14,3 milhões de toneladas úteis (MTUs) no terminal, alta de mais de 6% em relação ao volume de 2024.
Obras de melhorias no Tiplam feitas no primeiro semestre de 2025 contribuíram para que houvesse uma melhora no resultado.
Uma das principais iniciativas foi a dragagem no terminal. Com isso, foi possível elevar seu calado máximo – distância entre a linha de flutuação e o fundo da embarcação – de 13,35 metros para 14,10 metros, permitindo um aumento de cerca de 10% na capacidade de cargas dos navios que operam no local.
Assim, em agosto do ano passado, o terminal registrou o maior embarque de cargas de sua história, justamente para a bp. Na ocasião, foram carregadas 83 mil toneladas de açúcar VHP pertencentes à companhia com destino ao Oriente Médio.
Nem todas as exportações, no entanto, acontecem no Tiplam. Alguns clientes, como a Copersucar, têm terminal próprio em Santos. "A gente leva de ferrovia até o terminal, mas a exportação é feita pelo porto deles", explica Pantoja.
Além da Copersucar e da bp, a VLI também trabalha com outros clientes, como Tereos e LDC, no mercado sucroenergético. "A gente tem um papel relevante no sistema de exportação do açúcar na região Centro-Sul", resume.
No ano passado, a companhia registrou a movimentação de 43,5 bilhões de TKU nos seus corredores logísticos ferroviários, alta de 4% em relação a 2024.
Mesmo com o setor convivendo com um cenário de commodities com preços mais baixos e dificuldades na importação de fertilizantes, a expectativa da VLI para 2026 é de continuidade de crescimento em termos de movimentação, ainda que a companhia não detalhe publicamente os números exatos previstos para este ano.
"A gente vive um ciclo de baixa das commodities em termos de preço, tanto no grão quanto no açúcar, e isso traz vários impactos, mas em termos de volume a produção de grãos no Brasil é crescente, então, organicamente, já é um crescimento", explica Pantoja.
A VLI movimenta grãos e farelos nos seus corredores logísticos de maior volume: Sudeste, Leste e Norte.
O Corredor Sudeste conecta o Centro-Oeste à Baixada Santista, por meio da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA). Já o Corredor Leste liga o Triângulo Mineiro aos portos de Vitória (ES), integrando a FCA e a Estrada de Ferro Vitória a Minas.
O Corredor Norte, por sua vez, conecta regiões produtoras do Centro-Norte aos portos do Maranhão, combinando o ramo norte da Ferrovia Norte-Sul, que vai de Porto Nacional (TO) a Açailândia (MA), a Estrada de Ferro Carajás e terminais integradores estrategicamente posicionados.
Pantoja diz que a expectativa da VLI é de que haja um crescimento de volumes nas rotas Sudeste e Norte, mas não no Corredor Leste. O executivo explica que isso decorre de estratégias operacionais da companhia.
“Há uma série de fatores geográficos que influenciam a origem das cargas e o rebalanceamento entre os corredores. Não tratamos o Leste e o Sudeste como estruturas isoladas, mas como um sistema integrado, que nos permite ajustar fluxos com flexibilidade. Podemos, por exemplo, direcionar cargas do Triângulo Mineiro para Santos ou para Vitória, conforme a melhor alternativa naquele momento, sempre alinhado com os clientes”, explica.
No ano passado, a VLI teve receita líquida de R$ 9,95 bilhões e lucro líquido reportado de R$ 1,40 bilhão, 5,3% a mais do que em 2024.
Resumo
- VLI Logística renova contrato com bp bioenergy para transporte de açúcar até o Porto de Santos, em São Paulo
- Acordo de longo prazo não teve valores revelados
- A bp bioenergy é um dos principais clientes do mercado de açúcar da VLI