O projeto do Grupo Piccini, um dos maiores produtores agrícolas do Mato Grosso, de se tornar uma potência também nos biocombustíveis, ganhou novo impulso na manhã desta terça-feira, 31 de março.

Ele veio através da liberação de um financiamento de R$ 1 bilhão concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com recursos do Fundo Clima e BNDES Finem, à RRP Energia, empresa criada pelo empresário Joci Piccini e pelo executivo Luciano Souza para produzir etanol de milho, DDGS e WDGS no município de Tapurah (MT).

O crédito, segundo informou o BNDES, corresponde a 62,2% do total a ser investido no empreendimento, anunciado em primeira mão pelo AgFeed em 2024. Quando concluída, a usina deverá ter capacidade de processar até 1 milhão de toneladas de milho por ano.

A unidade vem operando desde outubro do ano passado, quando recebeu autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para iniciar a produção.

Em um primeiro momento, a planta operou com a moagem de 1,1 mil toneladas de milho por dia, com uma produção de 14.5 milhões de litros de etanol por mês, além da produção de 9.4 mil toneladas de DDGS ou 19 mil toneladas de WDGS e 550 toneladas de óleo de milho.

Na etapa inicial, foram gerados 165 empregos diretos e cerca de 500 indiretos, número que devem aumentar, ainda na fase de implantação, para 1.105 postos de trabalho (1.005 diretos e 100 indiretos).

Após a conclusão das obras, a unidade deve empregar diretamente 205 funcionários e outros 100 trabalhadores de forma indireta.

Com a conclusão das instalações e funcionamento pleno, a usina terá capacidade de produzir até 459 milhões de litros de etanol hidratado, 358 mil toneladas de DDGS e 22 mil toneladas de óleo bruto de milho por ano.

O projeto prevê também a instalação de uma central termelétrica integrada à planta, com capacidade de gerar até 27 MW, suficiente para atender todo o consumo energético da unidade e, assim, garantir eficiência energética.

“Esta iniciativa está alinhada aos objetivos da Política Nacional de Biocombustíveis e da Nova Indústria Brasil, a política industrial do governo do presidente Lula, pois contribui para o fortalecimento das cadeias de biocombustíveis do país, para a transição energética e para a descarbonização, evitando a emissão de 309 mil toneladas de CO2-equivalente ao ano”, afirmou o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, em nota.

Segundo o empresário Joci Piccini, "esse investimento nasce da confiança no agro e no potencial do milho mato-grossense”.

“É mais valor para quem produz e mais geração de renda para toda região”, afirmou.

Já Luciano Souza, CEO da RRP, destacou que o apoio do BNDES é fundamental. "Estruturamos ativos estratégicos para a industrialização que gera valor para a agropecuária e energia verde", disse.

As obras da usina foram iniciadas no primeiro trimestre de 2024. O projeto da RRP inclui também a construção de uma segunda planta no município de Diamantino, também no Mato Grosso, com Capex estimado em R$ 950 milhões.

Segundo Souza, a previsão é a de que a primeira fase a futura unidade comece a produzir ao longo de 2027.
O Grupo Piccini é um dos mais tradicionais do Mato Grosso, especialmente na região de Lucas do Rio Verde, onde cultiva cerca de 90 mil hectares de lavouras só na primeira safra. Alé disso, possui negócios em diferentes áreas, como confinamento de gado, concessionárias Case e New Holland e até postos de combustíveis.

Joci Piccini foi um dos idealizadores da Fundação Rio Verde, de pesquisa e desenvolvimentoFundação Rio Verde tecnológico na agricultura, que deu origem à Show Safra, maior feira de tecnologia agrícola de Mato Grosso, que ocorreu na semana passada em Lucas do Rio Verde.

Resumo

  • BNDES aprova financiamento de R$ 1 bilhão para usina de etanol de milho da RRP Energia em Tapurah (MT)
  • Projeto prevê processamento de 1 milhão de toneladas de milho e produção de até 459 milhões de litros/ano de etanol
  • Investimento fortalece biocombustíveis, gera empregos e amplia industrialização do agro no Mato Grosso