É muito comum, nos dias atuais, ouvir o termo resiliência. Ele pode ser aplicado às empresas do setor de bioinsumos agrícolas no Brasil. Depois de um 2025 difícil, principalmente em termos de faturamento, a indústria espera retomar o crescimento em 2026, a um ritmo de dois dígitos.
Pesquisa apresentada durante o 3º Workshop de Inteligência de Mercado da Associação Nacional de Promoção e Inovação da Indústria de Biológicos (Anpii Bio), realizado em Campinas (SP), mostra que os associados da entidade esperam crescer pelo menos 17% em 2026, em faturamento.
No ano passado, as 30 empresas associadas da Anpii Bio, entre elas multinacionais como ICL, Mosaic e Syngenta, venderam R$ 1,3 bilhão em biológicos. O valor representa uma queda de 14% em relação aos R$ 1,5 bilhão faturados em 2024, quando a associação possuía quatro associados a menos.
A pesquisa foi realizada pela consultoria 5P2R Marketing de Precisão. Segundo Anderson Nora Ribeiro, sócio fundador da empresa, os empresários e executivos enxergam muitos espaços para crescimento.
“Esse otimismo tem como base a percepção de que a tecnologia na área de bioinsumos está já bastante madura, mas que ainda existem espaços de crescimento que não foram explorados pelas empresas”, explica Ribeiro.
Ele conta que chegou a achar estranho o nível de otimismo demonstrado pelos associados da Anpii Bio ao final de 2025. Então, resolveu voltar a conversar com os entrevistados em março deste ano. “Houve, claro, uma pequena revisão, mas nada muito significativo”.
Em volume de vendas, os associados da Anpii Bio esperam um crescimento maior, de 22%. No caso, segundo Ribeiro, o descasamento entre faturamento e volume se deve à maior concorrência, que achata o nível de preços.
Novatos mais fortes
A própria dinâmica do mercado de biológicos tem mudado nos últimos anos, segundo a pesquisa apresentada pela 5P2R. Desde 2019, o número de empresas que registram bioinsumos no Brasil cresceu 2,5 vezes, saindo de 81 para 209.
Além do número de indústrias, o volume de registros, que teve uma explosão em 2020 e 2021, voltou a crescer de forma muito rápida no ano passado. Foram 442 registros de novos insumos em 2025, mais que o dobro do número realizado em 2024.
Ribeiro chama atenção para a crescente importância das empresas que entraram mais recentemente no mercado. Chamada de “entrantes”, elas eram em 51 companhias das 209 de todo o mercado ao final de 2025. As chamadas “tradicionais” eram 93, e as “pioneiras”, 65.
Mas ao analisar o número de registros feitos no ano passado, as entrantes foram responsáveis por 122, ante 101 das tradicionais. As pioneiras ficaram bem à frente, com 219.
O sócio da 5P2R explica que houve um represamento de registros, que podem levar anos para serem concluídos. Mas de qualquer forma, esses números refletem o potencial que o mercado de biológicos ainda tem no Brasil.
“Temos hoje uma capacidade muito grande na indústria de biológicos no Brasil. Técnica, operacional, industrial. Nós estamos mais posicionados para exportar tecnologia e produtos do que para importar”.
Ribeiro ressalta que atualmente, cerca de 80% do volume de bioinsumos consumido no Brasil fica na indústria local, e 20% vai para empresas estrangeiras.
Resumo
- Indústria de biológicos projeta crescimento de 17% em faturamento e 22% em volume em 2026
- Concorrência elevada pressiona preços, apesar do aumento de registros e empresas no setor
- Mercado segue otimista com avanço tecnológico e potencial de expansão no Brasil