Os resultados da multinacional norte-americana de fertilizantes Mosaic só serão anunciados oficialmente no dia 24 de fevereiro, mas a companhia já avisou ao mercado que eles não serão bons – e que o Brasil tem responsabilidade nisso.
Nesta sexta-feira, 16 de janeiro, a companhia publicou um comunicado em que antecipa sua decepção com o declínio de demanda por seus produtos, referindo-se sobretudo aos seus dois principais mercados, justamente os Estados Unidos e o Brasil.
“O mercado brasileiro de fertilizantes se deteriorou ainda mais no quarto trimestre, com o aumento de restrições de crédito e da concorrência entre fornecedores, impulsionado pela entrada de produtos fosfatados de baixa concentração provenientes da China, o que impactou fortemente a demanda e as margens de lucro”, afirma a empresa no documento.
Esse quadro fez com que o volume de vendas da Mosaic no País ficasse “significativamente abaixo das expectativas”.
“O volume de vendas para o ano inteiro foi de aproximadamente 9 milhões de toneladas — estável em relação ao ano anterior, mas refletindo a retração mais ampla do mercado”.
Nos Estados Unidos, a queda na demanda foi considerada “muito além do normal”, mesmo com uma esperada redução sazonal.
Lá, as razões apontadas pela empresa foram as pressões econômicas sobre os produtores, que decidiram reduzir as aplicações de adubos no outono, e a chegada precoce do inverno, que reduziu a janela para os trabalhos no campo.
Segundo a nota, “as condições de mercado foram particularmente desafiadoras para os fosfatados devido à sua menor acessibilidade em comparação com o potássio”.
A empresa estima uma redução de 20% nas remessas de fosfato na América do Norte no trimestre, na comparação com o mesmo período em 2024.
“O ambiente de mercado desafiador impactou significativamente o desempenho da Mosaic no quarto trimestre, com volumes de vendas de fosfato em aproximadamente 1,3 milhão de toneladas e de potássio em aproximadamente 2,2 milhões de toneladas”, informou a companhia.
Em resposta ao mercado mais fraco, a empresa afirma ter feito ajustes no seu plano de produção de fosfato e no mix de produtos, “redirecionando a produção para mercados com maior demanda, resultando em volumes de produção consistentes com o trimestre anterior”.
A Mosaic encerra o comunicado, entretanto, com uma visão mais otimista para 2026, que classifica como “um ano mais promissor”.
Essa avaliação se concentra sobretudo nas perspectivas do mercado americano. “Espera-se que os produtores reponham os nutrientes perdidos pela safra abundante do ano passado, e pagamentos adicionais de apoio governamental deverão estimular a demanda para o período de aplicação de defensivos agrícolas na primavera norte-americana”, diz o texto.
Globalmente, a empresa avalia que o mercado de fosfato estará entre equilibrado e apertado, com uma possível queda nas exportações chinesas que, no ano passado, puxaram as cotações do produto para baixo.
Isso deve acontecer por conta do o anúncio, pelo governo da China, de restrições às vendas externas do produto, que, na visão da Mosaic, devem permanecer em vigor pelo menos durante o primeiro semestre do ano.
“Os preços já responderam positivamente à demanda global desde o início do ano”, aponta a empresa, baseando-se em expectativas de embarques globais de fosfato e potássio atingindo níveis recordes em 2026.
Resumo
- Mosaic antecipou resultados fracos, citando forte queda da demanda por fertilizantes no Brasil e nos EUA
- No Brasil, companhia diz que mercado "se deteriorou" em funçao de crédito restrito e concorrência de fosfatados chineses
- Apesar do cenário atual, empresa vê 2026 mais favorável, com mercado global de fosfatos mais equilibrado