Indústrias de máquinas agrícolas de todo o Brasil têm sentido os efeitos das dificuldades dos produtores rurais abatendo seus balanços. Na fabricante gaúcha de implementos São José Industrial isso não foi diferente.

A empresa, com sede no pequeno município de São José do Inhacorá, no Noroeste do Rio Grande do Sul, viu suas vendas caírem cerca de 30% nos últimos dois anos.

E, para este ano, espera que as vendas fiquem estáveis em relação a 2025, mas ainda sem registrar crescimento.

"Não enxergamos nenhum crescimento. A gente não pode se iludir, o mercado como um todo está assim", diz Geraldo Recktenwald, fundador e presidente da São José, em entrevista ao AgFeed.

Ainda assim, a empresa de origem familiar - que produz desde arados a carretas graneleiras e tanques de combate a incêndios -, continua com planos de profissionalização e crescimento para os próximos anos.

“A gente sempre teve um olhar para frente, sendo muito arrojados em nossos investimentos. Quando a situação do agro se normalizar, estaremos bem à frente, bem estruturados com produtos, tecnologia, fábrica e marcar. É só fazer esses alinhamentos agora”, diz.

“O agro entra em um novo ciclo, com demanda relevante por renovação tecnológica. Quem estiver preparado agora tende a capturar esse movimento”, avalia Paulo Herrmann, ex-presidente da John Deere no Brasil e um dos executivos mais reconhecidos no setor, em nota.

Nessa nova fase, a São José conta com a participação de Herrmann para a execução de sua estratégia de crescimento.

Hoje consultor, ele já vinha colaborando com a São José nos últimos anos. Agora, passa a integrar o que a empresa chama de Núcleo Estratégico de Executivos (NEX), uma estrutura que substitui o modelo tradicional de conselho consultivo e que atua diretamente na definição e implementação de estratégias para a empresa.

"Não é aquele conselho que fica distante, mas realmente entra junto na operação e ajuda na execução também", conta Geraldo Recktenwald.

Paulo Herrmann vai atuar ao lado do consultor Paulo Bruning, especialista em governança e sucessão empresarial, que veio para auxiliar a São José em seu processo de sucessão.

"Herrmann participa olhando mais para o mercado e o Bruning com olhar mais interno, na preparação da segunda geração da família", diz Recktenwald, o presidente da São José. "Os dois formam um único núcleo comigo."

Com a nova estrutura, a ideia da São José é expandir sua força comercial no Brasil e no exterior.

Por aqui, a empresa pretende chegar com mais força ao Centro-Oeste nos próximos anos. Historicamente, a companhia sempre esteve mais voltada em atender os produtores do Sul do Brasil, onde nasceu em 1993, com pouca presença no centro do país.

Além da proximidade geográfica, outro ponto que afastou a São José dos agricultores de outros estados era a sua capacidade produtiva, conta Recktenwald. “Nós não tínhamos portfólio para o Centro-Oeste, onde são utilizados produtos maiores”, diz.

Isso acontece porque a empresa nasceu de uma pequena metalúrgica unstalada em uma garagem no início dos anos 1990 e foi crescendo de forma paulatina nos anos seguintes, ampliando suas operações aos poucos e chegando a ter três fábricas operando de forma simultânea em municípios próximos da sede.

A São José foi dar um salto maior em 2018, com o início das atividades de uma nova planta, que unificou as fábricas anteriores, ocupando uma área de 22 mil metros de área construída.

O investimento foi orçado, na época, em mais de R$ 50 milhões e possibilita à São José, agora, sonhar com outros mercados.

“Com a fábrica nova, temos total condição de fabricar produtos com bastante valor agregado e com tecnologia embarcada", diz Recktenwald.

Outra frente de crescimento que a São José planeja para os próximos anos está nas exportações, que hoje representam pequena parcela do faturamento.

A empresa envia implementos para países como Paraguai, Uruguai, Chile, Bolívia e Equador e, nos próximos anos, pretende alcançar mercados em países como Colômbia, na América do Sul, Panamá, na América Central, e também na África.

“A gente vê que tem bastante oportunidade, ainda que o nosso produto, inclusive hoje, que se comercializa aqui no Brasil, também se comercializa o mesmo produto em outros países”, diz.

Resumo

  • Indústria de implementos agrícolas São José conta com apoio de Paulo Herrmann, ex-CEO da John Deere, para plano de crescimento
  • Ideia da empresa gaúcha é expandir operações no Centro-Oeste e no exterior
  • Ainda assim, companhia espera estabilidade nas vendas em 2026