A tradicional processadora de soja e fabricante de biodiesel gaúcha Oleoplan (Óleos Vegetais Planalto) já começou 2026 com planos ambiciosos. Um documento arquivado pela empresa nesta sexta-feira, 2 de janeiro, na CVM, marca o início de uma captação de R$ 200 milhões em debêntures.

A ideia, porém, é ir além. A captação faz parte de um plano de investimentos industriais quatro vezes maior, de R$ 802 milhões.

No documento, a companhia descreve que pretende implantar novas unidades industriais, modernizar uma planta no Rio Grande do Sul, ampliar a atuação no Mato Grosso e entrar no Mato Grosso do Sul, em três diferentes projetos.

Batizado de "Projeto Usina Oleoplan MT" no documento, a companhia cita que pretende implantar uma unidade de esmagamento de soja integrada à planta que já possui em Lucas do Rio Verde, onde produz biodiesel. A unidade foi adquirida da Green Ventures, uma subsidiária da Fiagril, em 2024 e está operacional desde 2025.

No início de 2025, em um comunicado, a Oleoplan citou que, com a nova planta, o grupo passaria a ter cinco usinas, somando uma capacidade de produção de 4,5 mil metros cúbicos de biodiesel por dia, ou cerca de 1,67 bilhão de litros por ano.

As outras estão em Veranópolis (RS), Iraquara (BA), Tomé Açú (PA) e Cacoal (RO). A capacidade de processamento de soja é de cerca de 4 mil toneladas por dia.

Em 2024, a Oleoplan teve um faturamento de R$ 6,59 bilhões, e um lucro líquido superior aos R$ 820 milhões.

O novo plano de investimentos prevê também a entrada em um novo estado, o Mato Grosso do Sul. A empresa não dá muitos detalhes em relação à capacidade produtiva, mas cita que pretende instalar uma nova unidade de esmagamento e produção de derivados de soja em Dourados.

"O Projeto Usina Oleoplan MS consiste na implantação de uma nova usina de biodiesel na cidade de Dourados, Estado do Mato Grosso do Sul, destinada à produção de biocombustível a partir de óleo vegetal e outras matérias-primas autorizadas pela ANP", descreve o documento.

A companhia ainda cita o "Projeto Usina Oleoplan SA", que se refere à ampliação e modernização da planta de Veranópolis.

A Oleoplan nao detalhou prazos individuais para cada projeto, mas indicou que os investimentos serão feitos ao longo dos próximos anos, com início dos investimentos em junho de 2026. O último projeto a ser concluído será o da planta em Dourados, com conclusão prevista para 20235.

Criada há 45 anos em no Rio Grande do Sul pela família Boff, a Oleoplan se diz pioneira no Programa Nacional de Biodiesel, tendo iniciado essa produção em 2007.

A companhia estima ter 10% do market share de biodiesel no País e, além das unidades fabris, possui 18 filiais para recebimento de grãos em diversos estados, com capacidade de armazenar 500 mil toneladas.

Nos últimos anos, tem se movimentado para crescer. Além de comprar a unidade mato-grossense, entrou no mercado paraense comprando uma unidade da BBF no início de 2024.

Em junho de 2025, o Secretário de Atração de Investimentos do Estado de Roraima, Aluizio Nascimento, disse ao AgFeed que a Oleoplan planejava investir R$ 200 milhões em uma fábrica de biodiesel no estado, capaz de produzir 100 mil toneladas por ano do combustível.

Resumo

  • Oleoplan iniciou 2026 com uma emissão de debêntures de R$ 200 milhões, primeiro passo de um plano de investimentos industriais de R$ 802 milhões nos próximos anos
  • Projeto prevê nova unidade de esmagamento integrada em Lucas do Rio Verde, expansão no Mato Grosso e entrada no Mato Grosso do Sul, com planta em Dourados
  • Com faturamento de R$ 6,6 bilhões em 2024 e lucro acima de R$ 820 milhões, grupo reforça estratégia de crescimento no biodiesel, onde detém cerca de 10% do mercado