No último mês, três gigantes da indústria do leite - Danone, Nestlé e Lactalis - vivem dias de drama. As três empresas anunciaram o recolhimento de lotes de fórmulas lácteas infantis depois de uma suspeita de contaminação por cereulida.

A cereulida é uma toxina produzida por uma bactéria, que, se ingerida em grandes quantidades, pode causar vômitos, diarreia, sonolência e desidratação.

Em bebês, pode levar à internação hospitalar. O processo começou em dezembro de 2025, quando a Nestlé recolheu alguns produtos na sua fábrica da Holanda, e desde então, ainda sem detalhes divulgados sobre fornecedores, outras marcas e outros países seguiram a toada.

O segundo recall aconteceu por parte da Lactalis na França e posteriormente a Danone retirou produtos da prateleira em Singapura.

O Brasil também entrou na dança com um recall anunciado pela Nestlé há alguns dias. O comunicado da empresa lista nove produtos que serão recolhidos e cita que a presença de cereulida foi detectada em análises de rotina.

A Danone foi a última a iniciar o recall e a que mais viu sua ação sofrer no mercado de capitais: na Bolsa de Paris, a ação acumula queda de 11% em cinco dias. Na Bolsa de Zurique, na Suíça, a ação da Nestlé recua quase 4% no mesmo intervalo.

Uma reportagem da agência Reuters apontou que as vendas de fórmulas infantis representam 21% das receitas do grupo Danone, enquanto que na Nestlé, o patamar é de 5%. Os dados foram estimados por analistas da Bernstein Research, empresa de pesquisa de mercado americana.

Por enquanto, os fabricantes não confirmaram nenhum caso de intoxicação ou de doenças relacionadas ao composto, mas autoridades de vários países estavam investigando possíveis casos.

A suspeita é que a contaminação se deu pela presença de cereulida no óleo de ácido araquidônico (ARA). Esse é um composto existente no leite materno e sempre relacionado ao desenvolvimento do cérebro e dos sistemas nervoso e imunológico.

Em gestantes, a produção do ARA é feita naturalmente, mas industrialmente é feito por meio de fermentação. As companhias adicionam o óleo para imitar o efeito do leite materno.

O Ministério da Agricultura da França afirmou que o produto era originário da China e foi vendido por uma empresa holandesa, mas não especificou nome do fornecedor.

Outra reportagem, esta da Bloomberg, citou que a Nestlé é a fabricante mais afetada, com recalls em mais de 60 países e uma investigação de morte de um bebê na França em andamento. No Brasil, há investigações de doenças causadas pela contaminação.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu lotes de fórmulas de marcas como Nestogeno, NAN Supreme Pro, NANLAC Supreme Pro, NANLAC Comfort, NAN Sensitive e Alfamino, todas da Nestlé.

Resumo

  • A investigação gira em torno da cereulida, toxina bacteriana associada a um ingrediente usado para reproduzir propriedades do leite materno em produtos industrializados
  • A Danone foi a mais penalizada na bolsa: as ações caíram 11% em cinco dias em Paris, enquanto os papéis da Nestlé recuaram cerca de 4% no mesmo período em Zurique
  • Os recalls começaram pela Nestlé na Holanda, avançaram para a Lactalis na França e a Danone em Singapura, até chegar ao Brasil com a retirada de nove produtos do portfólio da Nestlé.