Faltando 11 dias para a estreia do Brasil na Copa do Mundo, o clima é de otimismo entre os executivos da MBRF, dona da Sadia, patrocinadora oficial da seleção.
O sorriso no rosto não é só pela paixão pelo futebol (e a esperança de que o hexa ainda chegue) mas também pela expectativa positiva para os resultados da companhia como um todo, em 2026, que podem ser beneficiados pelo maior consumo da população em períodos de Copa do Mundo.
“Nossa empresa entra o ano de forma fusionada, ou seja, ela incorpora duas empresas numa, sendo assim uma empresa multiproteína. Num ano onde tem eventos de consumo, como Copa do Mundo, eleições. Um ano onde houve uma isenção tributária (IR) para o pessoal com até 5 mil reais de salário. E um ano que, no transcurso do que iniciou até agora, a gente vê cada mês superando o anterior”, afirmou Miguel Gularte, CEO da MBRF, ao AgFeed.
Mesmo antes da fusão completa, a Marfrig já havia incorporado a marca Sadia na exportação, por meio de um acordo entre marcas, lembrou ele.
“Isso ocorreu com toda a relevância e o conceito que essa marca (Sadia) engloba, não só no Brasil, mas também no exterior. Depois você tem ocasiões de consumo, onde você vê no Brasil a combinação da Bassi com a Sadia e da Perdigão com a Montana. Você tem todo o portfólio da Sadia-Bassi e da Perdigão-Montana”.
Desde setembro do ano passado, o time comercial para as marcas de bovinos, suínos, aves e os outros alimentos, passou a ser único.
“A BRF tinha 342 mil clientes de mercado interno, que agora estão com acesso a uma empresa que vende múltiplos produtos, da mesma fora. O mesmo cliente tira um pedido de suíno, frango e bovino”, explicou.
Durante evento com jornalistas, nesta terça-feira, 2 de junho, executivos da empresa previram um incremento de 50% nas vendas de itens para churrasco e petiscos, na comparação com a última edição da Copa do Mundo, em 2022.
Gularte esclareceu que o impacto positivo é esperado tanto em bovinos quanto nas outras proteínas e demais itens processados.
Pesquisas divulgadas pela empresa indicam que, nas últimas edições do torneio, houve um aumento no consumo de determinados alimentos na véspera e no dia do jogo do Brasil. Segundo Luiz Franco, diretor de marketing e inovação da empresa, a venda de linguiças, por exemplo, dobrou em volume. Já a picanha, teve um acréscimo de 53%, enquanto o salame, triplicou.
Os executivos abriram o evento comemorando o fato de que a audiência do amistoso da seleção no último domingo “foi a maior registrada pela TV em 2026”.
São sinais de que, a partir de agora, haverá um engajamento crescente em relação às notícias da Copa do Mundo e mais motivação para acompanhar os jogos. “E torcer dá fome, já comprovamos isso”, disse Franco.
Mercado interno em alta
Apesar dos desafios desde o ano passado, com tarifas dos EUA e algumas preocupações em 2026, envolvendo a China e a União Europeia, Miguel Gularte garante que “o mercado externo já apresenta melhora desde o quarto trimestre (de 2025)”.
Ele avalia que o mercado externo vinha crescendo em importância nos negócios da empresa.
“Eu te diria que ele vinha com uma tendência de ter um aumento mais relevante e teria, se não fosse a Copa. Como a Copa vai produzir um boom de consumo (no Brasil), podemos manter esse equilíbrio de uma empresa 60% mercado interno e 40% exportação”, pontuou.
Historicamente, ele diz, a Marfrig era uma empresa de 75% exportação e 25% mercado interno. E agora há essa nova combinação.
A torcida da MBRF é que o Brasil avance, no mínimo, até as quartas de final e, com sorte, chegue a final, o que estenderia o período de promoções que ocorrem em 65 mil pontos de venda.
É um fato que será importante para consolidar o crescimento no ano, que já é previsto pelo CEO.
“Nós estamos crescendo no quinto mês do ano, mas eu te diria que nós estamos sempre planejando crescimento acima de 5%. No mercado interno, eu te diria que mais perto do duplo dígito”, afirmou.
Segundo Gularte, no ano passado, o avanço quase chegou no duplo dígito, portanto, agora, seria a oportunidade de avançar mais.
Resumo
- Patrocinadora da seleção brasileira, Sadia prevê crescimento de 50% nas vendas durante a Copa do Mundo, em relação à última edição do torneio
- Com o impulso da Copa, CEO da MBRF acredita que mercado interno pode crescer "duplo dígito" em 2026
- Com exportações ainda em cenário positivo, Miguel Gularte estima avanço acima de 5% na receita da companhia este ano