A adoção de uma nova estratégia por uma grande empresa sempre cria uma expectativa em relação aos resultados. No caso da Hidrovias do Brasil, aumentar o foco no Porto de Santos foi um acerto. Ao menos, é o que mostram os números do segundo trimestre de 2026.

A companhia de logística hidroviária conseguiu se recuperar da queda de volume de grãos e fertilizantes transportados em suas rotas fluviais, em relação ao que fez nos primeiros três meses do ano.

Foram 2,676 milhões de toneladas entre abril e junho, ante 2,126 milhões de toneladas no primeiro trimestre. No segundo trimestre do ano passado, esse volume foi de 2,635 milhões de toneladas.

O diferencial para o desempenho no segundo trimestre foi a operação da companhia em Santos. Lá, o volume de fertilizantes cresceu 47% em um ano, de 308 mil toneladas para 454 mil toneladas.

Ao somar o volume de sal, a Hidrovias do Brasil conseguiu um total de 582 mil toneladas movimentadas no porto paulista, um aumento de 35% em relação ao segundo trimestre de 2025.

Com isso, a receita da companhia com suas operações no Brasil somaram R$ 359 milhões no período, valor 6% maior que o apurado um ano antes. Em relação ao primeiro trimestre do ano, o aumento foi de 44%.

As operações no Paraguai também registraram resultados melhores entre abril e junho, impulsionados pelo volume de minério de ferro.

Com câmbio médio de R$ 5,05 por dólar no período, ante R$ 5,67 em 2025, a Hidrovias conseguiu elevar em 8% suas receitas no país vizinho, para R$ 305 milhões.

Enquanto os volumes de grãos e de fertilizantes caíram 52% e 82% em um ano, respectivamente, o de minério de ferro, principal produto transportado no Paraguai, subiu 38%.

Contando também com alguns ajustes contábeis, a Hidrovias do Brasil conseguiu dobrar o lucro entre abril e junho de 2026, em relação a um ano antes, para R$ 100 milhões.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), no critério ajustado e recorrente, recuou 8% em um ano, para R$ 322 milhões. Em relação ao primeiro trimestre, houve um avanço de 77% no indicador.

Em relatório, o BTG Pactual afirma que os números do segundo trimestre ficaram em linha com as expectativas dos analistas do banco.

Depois do balanço, o BTG mantém a recomendação de compra para a ação da Hidrovias do Brasil, com preço-alvo de R$ 4,50, o que representa um potencial de 48% de alta em 12 meses.

Segundo os analistas, os investidores devem ficar atentos a alguns pontos importantes nos próximos meses. Os possíveis impactos do El Niño nas operações está entre os aspectos levantados pelo BTG.

O banco também destaca a diminuição no nível de endividamento da Hidrovias, que caiu de 2,7 vezes na relação dívida líquida/Ebitda no primeiro trimestre, para 2,4 vezes no segundo trimestre.

Outro fator de atenção para os investidores é a crescente competição nas operações da empresa no Norte do país, onde o volume total caiu 5% na comparação anual. A execução dos planos de investimentos da companhia é outro ponto destacado pelo BTG em seu relatório. Os investimentos feitos no segundo trimestre caíram 75% em relação ao mesmo período de 2025.

Resumo

  • Nova estratégia em Santos impulsiona fertilizantes e ajuda a Hidrovias do Brasil a dobrar o lucro no 2º trimestre
  • Receita cresce no Brasil e Paraguai, com destaque para minério de ferro e recuperação dos volumes transportados
  • BTG mantém recomendação de compra e destaca menor endividamento, mas alerta para El Niño e maior concorrência