Todos os anos, no mês de junho, a SLC Agrícola apresenta o mercado um levantamento com a avaliação do seu portfolio de terras. Como uma das maiores operadoras agrícolas do Brasil – e uma das poucas com capital aberto e que divulga esse tipo de estudo – e com 26 fazendas em 8 diferentes estados, os dados acabam sendo um termômetro do mercado imobiliário rural para algumas das principais regiões produtoras do País.
Na manhã desta segunda-feira, 15 de junho, essa rotina mais uma vez foi executada, com a publicação de um comunicado pela companhia. O que mudou, em relação aos últimos anos, foi o ritmo de valorização de suas propriedades.
Segundo a SLC, o valor total dos ativos imobiliários da companhia — que inclui áreas próprias e sob gestão — atingiu R$ 13,526 bilhões.
O valor médio do hectare agricultável foi avaliado em R$ 59.534, uma valorização de apenas 1% em relação ao ano passado, indicando uma redução importante no ritmo de apreciação em comparação aos saltos registrados em anos anteriores
No ano passado, a companhia havia divulgado que o portfólio valia R$ 13,3 bilhões, vindo de uma valorização de R$ 1,8 bilhão em apenas doze meses. Já em 2024, a valorização anual havia sido de 6%, com o portfólio batendo os R$ 11,6 bilhões.
O levantamento, realizado pela consultoria independente Deloitte, reflete o momento de cautela do mercado terras, mas mantém a SLC em uma posição patrimonial robusta.
A análise detalhada dos números revela uma distinção importante entre a valorização orgânica e a expansão do portfólio. Enquanto o valor total cresceu nominalmente impulsionado pela incorporação de novas áreas e parcerias, o conceito de same farms (mesmas fazendas) mostra que a valorização intrínseca da terra nua arrefeceu.
O incremento de 1,0% no valor do hectare médio em 2026 é significativamente menor que os 14% de alta média registrados em 2023, conforme dados históricos da companhia.
O crescimento médio da avaliação das mesmas fazendas nos últimos 20 anos, segundo o fato relevante publicado pela empresa, foi de 12,7% ao ano.
Essa desaceleração reflete a queda nos preços das commodities agrícolas (soja e milho) observada ao longo da última safra, o que impacta diretamente o cálculo do valor de mercado das terras produtivas.
Um dos pontos centrais do comunicado da SLC é a atualização do seu Net Asset Value (NAV), ou Valor Líquido dos Ativos. A companhia reportou um incremento de 0,6% no NAV em relação ao divulgado em 31 de março de 2026.
A SLC explica que esse indicador é fundamental para que o mercado compreenda o valor real da empresa, pois a avaliação patrimonial realizada pela Deloitte foca estritamente na "terra nua".
Isso significa que o montante bilionário do portfólio não contempla prédios, instalações, benfeitorias ou o maquinário da companhia. O NAV, portanto, atua como uma métrica consolidada, que integra o valor de mercado das terras com outros ativos operacionais e financeiros, descontando as obrigações, e oferecendo uma visão mais próxima do valor intrínseco que o acionista detém.
O resultado atual também reflete os movimentos realizados pela SLC em 2025. A companhia entrou na safra 2025/2026 com uma área total de 837 mil hectares. Entre os negócios de destaque realizados no ano passado, a SLC fechou a compra da Sierentz Agro por R$ 780 milhões e integrou ativos da Agrícola Xingu.
Além disso, em novembro de 2025, a empresa anunciou uma parceria estratégica de R$ 1 bilhão com fundos geridos pelo BTG Pactual, focada justamente na expansão de terras e infraestrutura de irrigação.
Assim, se a valorização da terra nua encontrou um teto temporário, a SLC está buscando "verticalizar" seus ativos através da irrigação. O projeto estratégico da companhia prevê um salto ambicioso: sair de 19 mil hectares irrigados para 58 mil hectares nos próximos anos.
A evolução dessa frente tem sido acelerada, segundo atualiza a empresa em outro comunicado divulgado nesta segunda-feira. Após a consolidação dos primeiros pivôs centrais em larga escala na safra 2024/2025, o aporte bilionário via FIPs no final do ano passado deu o fôlego necessário para a expansão da infraestrutura.
Apenas na Fazenda Piratini, a projeção para o ciclo 2026/2027 prevê a adição de 6,3 mil hectares irrigados, elevando a área local para mais de 13 mil hectares.
Resumo
- Portfólio de terras da SLC Agrícola foi avaliado em R$ 13,5 bilhões em 2026
- Valor médio do hectare subiu apenas 1%, abaixo da média histórica de 12,7% ao ano
- Empresa aposta em irrigação e expansão de áreas para impulsionar geração de valor