A CNH Industrial reportou nesta segunda-feira, 3 de agosto, resultados do segundo trimestre de 2026 com avanço de receita, mas queda expressiva no lucro em relação ao mesmo período do ano passado.

A receita consolidada somou US$ 4,8 bilhões, alta de 2% na comparação anual, enquanto o lucro líquido foi de US$ 141 milhões, ante US$ 217 milhões no segundo trimestre de 2025 — uma queda de 35%. Com isso, o lucro por ação diluído ficou em US$ 0,11, contra US$ 0,17 um ano antes.

O lucro líquido ajustado, que exclui itens não recorrentes, foi de US$ 161 milhões, ante US$ 216 milhões no mesmo período de 2025. O Ebit ajustado das atividades industriais caiu 25%, para US$ it167 milhões.

A divisão de Agricultura, a mais relevante para a CNH — dona das marcas Case IH e New Holland —, registrou receita líquida praticamente estável no trimestre, de US$ 3,28 bilhões, alta de 1% na comparação anual.

O resultado, segundo a companhia, refletiu uma realização de preços favorável, mas foi puxado para baixo pelos volumes menores nas encomendas na América do Sul.

O Ebit ajustado da divisão, porém, caiu de forma acentuada: US$ 170 milhões no segundo trimestre, ante US$ 263 milhões no mesmo período de 2025, uma queda de 35%.

Além da demanda fraca na América do Sul, a companhia disse que o resultado foi afetado por um mix desfavorável na América do Norte e na EMEA, impacto de tarifas, maiores despesas gerais e administrativas (SG&A), gastos mais altos com pesquisa e desenvolvimento e resultados menores de joint ventures. As despesas de P&D representaram 6,1% das vendas no trimestre.

América do Sul e Brasil seguem pressionados

O release destaca a América do Sul como o principal ponto de pressão no trimestre, não apenas por conta de menos vendas. Também nos serviços financeiros o mesmo efeito apareceu. Nesse segmento, a receita foi de US$ 656 milhões no trimestre, queda de 4%, com lucro líquido de US$ 71 milhões, ante US$ 87 milhões um ano antes.

A companhia citou explicitamente o Brasil no balanço. Nos serviços financeiros, o resultado foi impactado por "maiores custos de risco no Brasil", além de compressão de margens e menores volumes na América do Sul e na América do Norte.

O indicador de recebíveis vencidos há mais de 30 dias subiu de 3,9% para 4,4% do total, "devido a fatores econômicos que impactam os agricultores, especificamente na América do Sul".

“Fundo do ciclo”

O CEO da CNH, Gerrit Marx, destacou a execução da companhia em um ambiente ainda desafiador. "Nossos resultados do segundo trimestre refletem a execução disciplinada da equipe da CNH em um mercado que permanece no fundo do ciclo da agricultura", afirmou.

"Apesar das condições do setor, entregamos crescimento de receita ano a ano e progresso contínuo em nossas prioridades estratégicas, incluindo qualidade, fornecimento, eficiência operacional e consolidação da rede de concessionárias."

A companhia afirmou que, em função do cenário desfavorável do mercado, está focada em execução de vendas, disciplina de custos e desempenho de manufatura, mantendo níveis baixos de produção e trabalhando com a rede de concessionárias para reduzir o estoque no canal.

Para o ano completo, a CNH estreitou o guidance para o topo das faixas anteriormente divulgadas, com a divisão de Agricultura projetando margem de EBIT ajustado entre 5,0% e 5,5% e vendas aproximadamente estáveis na comparação anual.

A companhia informou ainda que devolveu US$ 200 milhões aos acionistas no trimestre, por meio de dividendos e recompra de ações.

Resumo

  • CNH Industrial elevou a receita em 2% no segundo trimestre de 2026, mas viu o lucro líquido cair 35%, reflletindo cenário desafiador do setor
  • A América do Sul, especialmente o Brasil, pressionou os resultados com menor demanda, maiores custos de risco e redução nas encomendas
  • A empresa manteve o discurso de que a agricultura está no "fundo do ciclo" e reforçou disciplina de custos e controle de estoques