A fabricante de insumos agrícolas Synkka está prestes a dar um importante passo nesta quinta-feira, dia 23 de julho.
Criada no ano passado pelo engenheiro agrônomo Ithamar Prada, ex-ICL e BioWorld, e pelos empresários Daniel Queiroz Brunetto e Leandro Vilhena, donos da Dikka, empresa do setor químico, a Synkka dará início, agora, à sua operação comercial.
O portfólio inicial que será apresentado ao mercado a partir desta semana reúne 11 produtos, incluindo insumos para nutrição foliar, tratamento de sementes, nutrição via solo, adjuvantes e um protetor solar para plantas voltado à adaptação climática. Todos os produtos são líquidos.
“A gente está há um ano e meio trabalhando bem nos bastidores, fizemos mais de 1.200 protótipos, fomos pra campo testar essas tecnologias e agora nos sentimos confortáveis para dar início à operação comercial”, conta Ithamar Prada, CEO da Synkka, em entrevista ao AgFeed.
A empresa estreia apostando em um modelo de crescimento gradual, focado inicialmente em soja, milho, café e cana-de-açúcar nos estados de Mato Grosso, Goiás, Minas Gerais e São Paulo. Segundo Prada, a Synkka também avalia atender produtores de algodão e batata mais adiante.
Executivo com carreira sólida nas indústrias de fertilizantes e nutrição de plantas, em que chegou à posição de vice-presidente de Marketing e Inovação da filial brasileira da israelense ICL, e uma passagem rápida como CEO da fabricante de biológicos BioWorld, Prada vinha trabalhando quase que silenciosamente, nos últimos meses, para colocar de pé a Synkka.
De um lado, Prada e seus sócios correram para aprontar a instalação de uma fábrica de bioinsumos em Franca (SP), que foi finalizada há pouco tempo e tem capacidade de produção de 4 milhões de litros de produto.
De outro, passaram a receber os resultados de 46 experimentos iniciais feitos nos estados de Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e São Paulo.
Os primeiros dados, bastante positivos, segundo Ithamar, e a finalização da fábrica no interior paulista trouxeram à Synkka a confiança necessária para, agora, começar a vender.
Ao longo da safra 2026/2027, a empresa pretende chegar a 100 produtores, abrangendo cerca de 50 mil hectares. Para este ano, o faturamento previsto é de R$ 10 milhões.
A ideia, contudo, é de ampliar bastante o volume de vendas nos próximos anos. A Synkka pretende chegar a 1 milhão de hectares atendidos já em 2030, somando um faturamento de R$ 300 milhões.
“Queremos começar este ano focando em clientes de alta tecnologia e formadores de opinião e ter um crescimento exponencial nos próximos anos, aumentando equipe e regiões”, conta Ithamar Prada.
Ao contrário de empresas que entram no mercado de insumos agrícolas utilizando uma ampla rede comercial ou distribuidores, a Synkka decidiu iniciar as operações com uma equipe própria de desenvolvimento de mercado.
"Como o nosso portfólio é autoral, não é igual a um contratipo do que o mercado já tem hoje, entendemos que era melhor começarmos com um time que conseguisse traduzir o conceito do que com um time realmente de vendas”, diz Ithamar Prada.
Ainda assim, o executivo não descarta a possibilidade de abarcar também distribuidores de insumos no futuro.
“Acreditamos muito nesse modelo de acesso também e temos tido conversas com alguns potenciais parceiros, só que sem pressa. Precisamos, antes, criar massa crítica no campo”, avalia Prada.
Até aqui, o CEO e seus sócios investiram R$ 25 milhões para instalar a empresa. No futuro, é possível que tenham de fazer novos aportes.
Isso porque, para conseguir atender à demanda prevista nos próximos anos, o CEO da Synkka já estima que seria necessário um aumento na capacidade produtiva da fábrica atual, que permite atender entre 700 mil e 800 mil hectares. “É um volume suficiente para sustentar o crescimento previsto até 2028”, diz Prada.
A partir daí, o executivo explica que a empresa pretende ampliar a capacidade em mais 12 milhões de litros anuais, alcançando um total de 16 milhões de litros. “Assim conseguiríamos acompanhar a expansão planejada.”
A Synkka hoje emprega 12 pessoas e está ainda contratando colaboradores para fechar a equipe comercial, profissionais que estão sendo escolhidos a dedo.
“O desenvolvimento da Synkka é um pouco diferente de outras. Quando a gente pega uma empresa que trabalha com produtos já mais próximos do que o mercado tem, geralmente contrata-se uma equipe de vendas que já tem uma carteira na mão e ele vai trabalhando pra fazer uma substituição daqueles produtos, já começa num nível mais alto e tem um crescimento muitas vezes um pouco mais orgânico”, explica Ithamar Prada. “Nosso desenho é um pouco diferente, mirando um crescimento mais acelerado nos próximos anos.”
Resumo
- Synkka, empresa de insumos agrícolas, começa operação comercial após instalar fábrica em Franca (SP) e desenvolver mais de 1.200 protótipos
- Companhia chega ao mercado com a ambição de atender 1 milhão de hectares e faturar R$ 300 milhões até 2030
- Equipes de vendas miram produtores de soja, milho, café e cana; meta é alcançar, na safra 2026/27, 100 agricultores e R$ 10 milhões de receita