Enquanto as máquinas agrícolas ainda aguardam uma retomada nas vendas, os fabricantes de insumos para o setor, como os motores, buscam investir para uma demanda futura, que inclui o maior uso de fontes alternativas ao diesel.

A fabricante de motores FPT, multinacional de origem italiana que pertence ao grupo Iveco, anunciou nesta quarta-feira, 29 de abril, na Agrishow, em Ribeirão Preto, que está ampliando os investimentos previstos para um ciclo iniciado em 2023 e que vai até 2028.

O volume anunciado no passado era de R$ 130 milhões, mas agora a empresa prevê um aporte total de R$ 250 milhões no período.

“Uma boa parte desse investimento está direcionado para melhorias fabris, novos produtos, novos projetos. A gente mostrou aqui na feira, conceitos de etanol, de biometano, de gás natural, que, obviamente, estão dentro dos nossos desenvolvimentos futuros, além de outros lançamentos”, explicou Bernando Brandão, presidente da FPT América Latina, em entrevista ao AgFeed.

Ele evita dar detalhes sobre quais projetos devem receber os maiores investimentos, mas destacou que as melhorias na fábrica que a empresa possui em Sete Lagoas (MG) buscam intensificar a “nacionalização”, com foco em mais independência das importações.

O executivo diz que, apesar do recuo nas vendas de máquinas agrícolas, a empresa ainda registrou crescimento na receita em 2025, mas não revelou de quanto foi o avanço.

“Foi um ano positivo, mas obviamente que a FPT tem uma resiliência muito grande porque a gente não está sujeito somente ao segmento agrícola. Estamos em geração de energia, caminhões, outros tipos de equipamentos especializados, e construção. O setor de construção é um setor que, apesar das crises, está comprando bastante por causa das obras de infraestrutura que estão acontecendo. Então, para a FPT, foi um ano de crescimento”.

Para 2026, ele aposta em cenário de estabilidade em função dos desafios ainda presentes no setor agrícola.

“Esses ciclos são naturais, a gente recebe eles com muita naturalidade porque sabe que, quando se analisa o Brasil ou até a América Latina num contexto amplo, de 10, 15, 20 anos, a tendência é positiva. A resiliência da região é muito grande e do agronegócio é maior ainda porque é o principal motor econômico”, ponderou.

Alternativas ao diesel

Um dos pontos de interesse durante a Agrishow 2026 foi a expectativa pela chegada de tratores e máquinas agrícolas movidos a etanol no mercado. A maior parte das montadoras já apresenta motores, algumas fazem testes no campo e outras em fase de conceito.

No caso da FPT, o cliente que está testando o seu motor a etanol é a Case IH, mas ainda sem comercialização ao cliente final.

“É uma tecnologia que foi desenvolvida e integrada nessas máquinas há pouco tempo. Agora, depende das fabricantes fazerem todos os seus testes, avaliarem as possibilidades e avançarem com os projetos para a fase final para comercializar esse produto”, afirmou Brandão.

Segundo ele, considerando um cenário otimista, a comercialização de máquinas equipadas com motor a etanol deve começar em 2027.

Em nível um pouco mais adiantado estão os testes com motor a biometano. A montadora New Holland confirmou durante a feira que já comercializou no último ano “algumas dezenas” de tratores a biometano. O motor dessas unidades também é da FPT, disse a empresa.

“O biometano, do ponto de vista de motores, é uma tecnologia já consolidada”, garantiu o executivo. “É um motor que já equipa caminhões, por exemplo. Então, esse é um motor que nós somos líderes mundiais na tecnologia de gás natural”.

Além da indústria de caminhões que já está comprando regularmente motor a biometano da FTP, ele acredita que ainda este ano outros clientes cheguem a esse mercado, no setor agrícola.

Resumo

  • FPT amplia investimentos para R$ 250 milhões até 2028, com foco em inovação e nacionalização da produção
  • Empresa do grup Iveco aposta em motores a etanol e biometano como alternativas ao diesel no agro
  • Mesmo com queda nas máquinas agrícolas, diversificação garante crescimento e expectativa de estabilidade em 2026