Enquanto grandes fabricantes de tratores e colheitadeiras seguem contabilizando queda na receita e nos lucros, as empresas da chamada linha amarela repetem em 2026 o momento positivo visto no ano passado.

A JCB, empresa de origem inglesa, que diz ter “inventado” a retroescavadeira no mundo, fechou o primeiro trimestre de 2026 com alta de 17% na receita, se comparada ao mesmo período do ano passado.

“Crescemos em receita num mercado que está muito estável, então a gente teve participação de mercado crescente, principalmente nos segmentos de governo (compras de máquinas por prefeituras e outros órgãos públicos) e locação, onde a gente teve uma venda importante, é uma combinação que ninguém estava esperando” afirmou Adriano Merigli, presidente da JCB para a América Latina, em conversa com o AgFeed, durante a Agrishow, que começou neste domingo, 26 de abril, em Ribeirão Preto (SP).

Se consideradas apenas as vendas para clientes do agronegócio, o crescimento dos primeiros três meses do ano foi de 10%. Ainda assim, a empresa comemora o resultado porque o setor como um todo teve um avanço de apenas 1%, segundo a Abimaq.

Em entrevista concedida ao AgFeed no início deste ano, Merigli citou que a expectativa para 2026 era avançar cerca de 7% na receita total, patamar semelhante de crescimento visto no ano passado.

Apesar do primeiro trimestre acima do esperado, ele diz que as previsões estão mantidas. Um dos trunfos da empresa é a criação de uma rede de concessionárias voltadas exclusivamente para atender clientes do agro.

“A gente ainda está mantendo esse mesmo número, porque sempre pode ser um segundo semestre mais fraco, principalmente por ter eleições esse ano, mas arrancamos bem”, disse o executivo.

Ele minimizou os efeitos do crédito mais restrito para clientes do agronegócio.

“Não ter crédito é uma maneira de se colocar, porque está mais restrito, mas ainda tem. Aquele cliente que ainda tem um cadastro bom está conseguindo”, afirmou.

“E a gente está buscando alternativa, seja com consórcio, seja com parcelamento direto via distribuidor. A gente está dando um jeito, perdendo venda a gente não está, sempre com cuidado, claro, mas crédito não foi uma barreira”.

Durante entrevista coletiva na Agrishow, a JCB disse já ter alcançado 80% em market share no Brasil no chamado “loadall”, os manipuladores telescópicos, uma espécie de empilhadeira. Já nas retroescavadeiras a participação está em 30%.

A empresa reafirmou o plano já anunciado em 2024 para investir R$ 500 milhões até 2030 e “dobrar de tamanho” no mercado brasileiro.

Hoje o Brasil já representa 7% da receita global, mas a intenção é chegar a “dois dígitos”, segundo os executivos. A estimativa é de que 15% do faturamento total esteja relacionado a clientes do agronegócio.

“Hoje estamos com 5 mil máquinas por ano, queremos chegar em 11 mil até 2030”, afirmou Adriano.

Para 2026, no agro, ele acredita que o mercado pode talvez somente “empatar”, mas com crescimento de market share para JCB.

O uso de retroescavadeiras no agro, por exemplo, teria aumentado 4 vezes nos últimos nove anos, segundo a empresa.

Resumo

  • JCB cresce 17% na receita no 1º trimestre de 2026, impulsionada por locação e vendas ao setor público, ganhando market share
  • No agro, avanço foi de 10%, acima da média do setor, mesmo com crédito mais restrito e mercado estável
  • Empresa mantém plano de expansão no Brasil, com meta de dobrar de tamanho até 2030 e aumento da produção