Os dias continuam difíceis para o empresário Rubens Ometto. Depois de a S&P ter rebaixado o rating de sua holding, a Cosan, na semana passada, agora foi a vez de a agência de classificação de risco Moody's também reduzir a nota de crédito da companhia, de Ba3 para B1, diminuindo na mesma proporção a classificação dos títulos seniores da Cosan Overseas Limited, garantidos pela companhia.
O comunicado foi feito no começo da noite desta quinta-feira, dia 16 de julho. A perspectiva para os ratings da holding antes estava “em revisão para possível rebaixamento” e agora está “negativa”, indicando que a agência ainda vê riscos de deterioração do perfil financeiro da companhia.
De acordo com a Moody’s, em comunicado assinado por Barbara Mattos e Marcos Schmidt, a decisão encerra uma revisão que a agência começou a fazer em fevereiro, após o anúncio do processo de reestruturação da Raízen, joint-venture entre Cosan e Shell, que levantou dúvidas sobre os impactos da operação para a estrutura financeira da holding.
A agência informou ainda que o rebaixamento do rating da Cosan reflete a "fraca cobertura dos juros no nível da holding" e também a "contínua dependência" da companhia da monetização de ativos para melhorar sua estrutura de capital por meio da redução da dívida, que somava R$ 12,4 bilhões no mês passado.
O rating B1 também incorpora a menor diversificação do portfólio da Cosan, o que reduz tanto a diversidade quanto o volume esperado de receitas futuras com dividendos.
Segundo a Moody's, o portfólio da Cosan continua sustentado por Compass, Moove, Radar e Rumo, sendo a Compass a principal fonte de dividendos da holding, devido à previsibilidade da geração de caixa e ao histórico consistente de distribuição de resultados aos acionistas.
"A perspectiva negativa reflete o risco de que as iniciativas de desalavancagem da Cosan não sejam suficientes para reduzir a dívida e as despesas com juros a um nível compatível com a geração de dividendos de seus atuais investimentos."
A reestruturação da Raízen foi um dos principais fatores que motivaram a revisão do rating. Segundo a Moody’s, o processo reduziu de forma significativa os dividendos esperados pela Cosan.
Ainda assim, a agência afirmou que não espera um efeito de contágio por meio de obrigações financeiras ou passivos entre as empresas.
Apesar das dificuldades, a agência de risco avalia, no comunicado, que a liquidez da Cosan permanece “adequada”, com R$ 7,7 bilhões em caixa em março de 2026 e sem vencimentos relevantes antes de 2029.
A perspectiva negativa reflete o risco de que os esforços de redução de dívida não sejam suficientes para alinhar o endividamento e as despesas financeiras ao fluxo de dividendos recebido das investidas.
A Moody’s projeta ainda que o fluxo de caixa livre continue negativo nos próximos 12 a 18 meses, em razão dos juros elevados e da menor geração de dividendos das subsidiárias.
A agência também destaca incertezas sobre o prazo e o valor de novos desinvestimentos, que podem atrasar o processo de desalavancagem.
"Um novo rebaixamento poderá ocorrer se a empresa não conseguir reduzir ainda mais a dívida da holding, se os recursos obtidos com desinvestimentos não forem destinados ao pagamento de dívidas, se a cobertura de juros permanecer fraca por um período prolongado ou se a liquidez se deteriorar", informou a Moody's.
Redução dos dividendos das principais subsidiárias, piora da qualidade de crédito das investidas ou diminuição significativa da reserva de caixa em decorrência do uso de recursos para amortização de dívidas também podem pressionar negativamente a nota, emendou a agência de classificação de risco.
Em contrapartida, a Moody's informou que a perspectiva poderá voltar a estável — ou até haver pressão para elevação do rating — caso a Cosan reduza de forma significativa a dívida da holding, melhore de maneira sustentável a cobertura de juros e mantenha liquidez adequada.
"Maior diversificação do portfólio ou aumento dos dividendos provenientes das investidas também poderiam contribuir para uma melhora da classificação", aponta o relatório.
As ações da Cosan na B3 fecharam o pregão desta quinta-feira cotadas a R$ 3,88 cada, queda de 1,27% no dia. A ver como o mercado reagirá nesta sexta-feira. No ano, os papéis apresentam recuo de 24,37%.
Resumo
- Moody’s rebaixa nota de crédito da Cosan de Ba3 para B1 e mantém perspectiva negativa diante da pressão sobre dívida, juros e dividendos
- Agência aponta dependência de venda de ativos para desalavancar holding, cuja dívida caiu para R$ 12,4 bilhões
- Reestruturação da Raízen reduz dividendos esperados e aumenta desafios para a estratégia financeira da Cosan, diz a Moody's