Mais uma safra, mais um avanço do uso de biológicos no campo.

A estimativa é de que mais de 107 milhões de hectares tenham sido tratados com biodefensivos na safra 2025/26, segundo levantamento da Kynetec apresentado nesta terça-feira (18) durante o 3º Fórum Bioinsumos do Agro, em São Paulo.

O número representa um aumento de cerca de 35% sobre os 79,2 milhões de hectares registrados na safra anterior.

A métrica usada pela Kynetec é a PAT (área potencialmente tratada), que considera o número de hectares sobre os quais houve aplicação de um produto ao longo do ciclo. Assim, uma mesma área pode ser contabilizada mais de uma vez quando recebe diferentes tratamentos.

O mercado também cresceu em receita. Somou mais de R$ 5,3 bilhões em negócios no ciclo encerrado em julho deste ano, uma alta frente aos R$ 4,4 bilhões na safra 2024/25. Há cinco safras, o mercado movimentava R$ 2,12 bilhões.

Segundo Vitor Hugo Leite, coordenador de Inteligência de Mercado da Kynetec e que apresentou a pesquisa, enquanto a área cultivada no Brasil cresce, em média, entre 3% e 4% ao ano, a área tratada com defensivos químicos avançou 11% nas últimas cinco safras. No mesmo período, a área tratada com biológicos cresceu 30% ao ano.

A soja responde por cerca de metade do mercado de biológicos, segundo ele, enquanto o milho (de primeira e segunda safra) representa aproximadamente 20%. Cana, café e hortifrúti completam o mercado dentre as principais culturas.

Na soja, a área tratada com biológicos passou de 41,6 milhões de hectares na safra 2024/25 para mais de 58 milhões de hectares em 25/26. O principal vetor é o controle de nematoides: mais da metade da área de soja já utiliza algum produto biológico para esse fim. “O desafio na ponta é cada dia maior”, disse Leite durante a apresentação.

O milho safrinha também teve uma mudança expressiva. Em 2020, os biológicos estavam presentes em cerca de 6% da área. Na safra 2025/26, chegaram a aproximadamente 64%, ou 22,9 milhões de hectares.

No caso do cereal, a expansão ocorreu principalmente com o aumento da pressão da cigarrinha-do-milho. Segundo Leite, os produtores passaram a combinar produtos químicos e biológicos no manejo. A janela curta para aplicação na safrinha também favoreceu a adoção de alternativas que, segundo ele, têm apresentado bons resultados, além do tratamento de sementes industrial (TSI).

No algodão, a adoção de biológicos alcançou 74% da área na safra 2025/26, equivalente a 4,9 milhões de hectares, ante 4,2 milhões no ciclo anterior. Há cinco anos, eram cerca de 1 milhão de hectares.

O avanço ocorre principalmente no tratamento industrial de sementes com bionematicidas. Segundo Leite, a tecnologia já deixou de ser uma aposta por parte dos produtores, que questionavam a capacidade de desempenho do produto, para se tornar uma prática disseminada entre os produtores de algodão.

Na cana-de-açúcar, mercado historicamente mais maduro para os biológicos, segundo Leite, a participação também acelerou. A adoção, que estava próxima de metade da área, chegou a 60% na safra 2025/26, ou 12,5 milhões de hectares tratados.

O principal destaque, de acordo com a Kynetec, são os biofungicidas, associados ao aumento da sanidade dos canaviais e à busca por ganhos de produtividade. Leite afirmou que a indústria e a academia têm ampliado o trabalho para demonstrar às usinas o retorno potencial do uso de biológicos.

Apesar do avanço, há espaço para uma expansão ainda maior, especialmente na soja. Mais de 80% da área tratada contra nematoides já utiliza produtos biológicos. Entre os demais principais alvos, porém, a participação dos biológicos ainda é pequena. A única exceção é o mofo-branco, em que chega a cerca de 20%.

Para Leite, novas soluções para lagartas, ferrugem, manchas e percevejos podem acelerar novamente o mercado. "Vejo uma grande oportunidade se houver soluções para essas pragas, vai guinar ainda mais o mercado. Tem muito espaço para complementar o manejo nos principais alvos”.

A adoção também é bastante desigual regionalmente. No caso dos bionematicidas utilizados na soja, há uma divisão clara entre o Centro-Oeste e áreas do Matopiba e do Pará, onde o uso avançou rapidamente, e o Sul, onde ainda é incipiente.

Nos estados de Mato Grosso, Goiás e na região do Matopibapa, a adoção estava numa faixa entre 38% e 50% nas safras 2023/24 e 2024/25. No ciclo 2025/26, ultrapassou 50%.

Segundo Leite, o aumento da pressão de nematoides nessas regiões, combinado ao trabalho da indústria e da academia para dimensionar o problema, tem impulsionado a adoção.

Resumo

  • Levantamento da Kynetec aponta mais de 107 milhões de hectares tratados com biodefensivos na safra 25/26, alta de 35%
  • Mercado de biológicos movimentou R$ 5,3 bilhões no ciclo, ante R$ 4,4 bilhões na safra anterior, segundo a Kynetec
  • Soja, milho safrinha, algodão e cana puxaram a adoção, com destaque para bionematicidas e controle da cigarrinha do milho