O outono começa com um cenário climático que tende a favorecer grande parte das áreas agrícolas do Brasil. Após um período recente de chuvas expressivas em importantes regiões produtoras, o solo apresenta bons níveis de umidade.

Essa condição reduz o risco de falta de água no início da estação e cria um ambiente favorável para o desenvolvimento de culturas importantes, especialmente o milho segunda safra.

No Sudeste e no Centro-Oeste, onde se concentram algumas das principais áreas produtoras do país, a tendência é de redução gradual da chuva ao longo das próximas semanas, algo típico nesta época do ano. Não há indicação de interrupção precoce das precipitações.

A diminuição ocorre gradativamente e ainda haverá episódios de chuva no início do outono. Como o solo recebeu volumes elevados recentemente, a umidade disponível deve ser suficiente para sustentar o desenvolvimento do milho segunda safra nas primeiras etapas do ciclo.

O Paraná também deve apresentar situação relativamente favorável no começo da estação. Neste estado, o início da safra teve irregularidade de chuva, com períodos de estiagem seguidos por tempestades.

No fim do verão, a precipitação perdeu força no Sul do País, mas a tendência é de retorno paulatino ao longo do outono. Esse cenário deve beneficiar o milho segunda safra, cultura que ocupa áreas importantes do estado.

Muitos produtores do noroeste do estado iniciam o plantio neste período do ano e acompanham com atenção a evolução do clima após as dificuldades observadas na primeira safra.

No decorrer do outono, a frequência de chuva tende a aumentar no Sul do Brasil. Esse padrão favorece as áreas produtoras, sobretudo no Paraná, estado da região com produção relevante de milho segunda safra. Mesmo em períodos com menos chuva, a presença de umidade no solo deve contribuir para o desenvolvimento das lavouras.

Na faixa Norte do país, o cenário segue diferente. A região ainda deve registrar volumes intensos de precipitação e beneficiar o desenvolvimento das lavouras, inclusive da soja tardia.

Porém, a continuidade de chuvas excessivas pode, em alguns momentos, dificultar aplicações e atividades em campo, além de elevar o risco de surgimento de doenças.

Já no trecho leste do Nordeste, o outono marca o início gradual das chuvas. Os primeiros episódios de precipitação começam a se estabelecer ao longo da estação e são importantes para a produção de cana-de-açúcar nos próximos meses. A expectativa atual aponta volumes próximos da média, o que indica um cenário favorável para a cultura.

Em relação às temperaturas, as primeiras ondas de frio devem ocorrer a partir da segunda quinzena de maio. Os modelos indicam a possibilidade de um episódio mais pronunciado no fim do mês.

Esse cenário pode trazer risco para algumas lavouras localizadas nas áreas mais ao sul do Paraná. Contudo, é fundamental monitorar o comportamento das temperaturas nas próximas semanas, porque se trata de uma previsão de prazo mais longo.

Mesmo com essa possibilidade, o outono não deve ser marcado por frio intenso de forma generalizada. Episódios de calor ainda podem ocorrer durante a estação e o risco amplo de geadas nas principais áreas produtoras é considerado baixo.

Para entender o cenário atual, vale lembrar que o fim do verão registrou excesso de chuva em parte da porção central do Brasil. No final de fevereiro, volumes elevados chegaram a dificultar a colheita da soja e o plantio do milho segunda safra em várias áreas.

Houve uma trégua temporária no Sudeste e, em seguida, no Centro-Oeste, com concentração das chuvas no Matopiba.

Para a soja tardia, a precipitação foi positiva, mas produtores em fase de colheita voltaram a enfrentar atrasos.

Mais recentemente, o corredor de umidade voltou a atuar sobre o Sudeste brasileiro. A chuva continuou presente, mas com comportamento menos persistente que no fim de fevereiro, quando as atividades em campo chegaram a ser interrompidas.

De forma geral, o outono ocorre sob condição de neutralidade climática após o enfraquecimento da La Niña. Nesse contexto, o padrão esperado inclui redução gradual da chuva na porção central do país, aumento da frequência de precipitações no Sul e manutenção de volumes elevados no Norte.

Na faixa leste do Nordeste, o início das chuvas reforça as condições para a produção agrícola nos próximos meses. Para a produção rural, o cenário indica uma estação sem grandes extremos climáticos, com boa disponibilidade de umidade em várias regiões e apenas pontos específicos de atenção.

Desirée Brandt é sócia-executiva e meteorologista na Nottus.