Uma das maiores produtoras de fertilizantes nitrogenados do mundo, a Yara decidiu apostar em uma agtech que ajuda o produtor a usar melhor o seu principal produto.

A gigante norueguesa de nutrição vegetal investiu na Stenon, startup alemã especializada em análise de solo em tempo real, por meio do seu braço de venture capital, o Yara Growth Ventures.

Os termos financeiros do acordo não foram divulgados, mas a operação configura uma participação minoritária da Yara no capital da companhia sediada em Potsdam, na Alemanha, e que já atua no Brasil.

O aporte marca o segundo fechamento da rodada Série B da Stenon, que já havia captado € 18 milhões (cerca de R$ 106 milhões) no início deste ano, em um aporte liderado pela gestora holandesa de impacto Pymwymic.

Naquela ocasião, a rodada contou ainda com o fundo alemão DeepTech & Climate Fund (DTCF) e com a TIME Ventures, veículo de investimentos do fundador da Salesforce, Marc Benioff.

A captação anterior da companhia datava de 2021, quando levantou US$ 20 milhões com o Founders Fund e a The Production Board, de David Friedberg.

Mais que o recurso, o investimento da Yara revela a visão estratégica do grupo, que produz justamente o insumo que a tecnologia da Stenon se propõe a otimizar.

Para Niels Grabbert, fundador e CEO da Stenon, a entrada da gigante norueguesa funciona como uma validação do produto. "Eles produzem os insumos que estamos otimizando, o que mostra que validaram nossa tecnologia e estão interessados em otimizar seus próprios insumos", disse o executivo ao AgFunderNews, que revelou a transação em primeira mão.

Na avaliação de Grabbert, trata-se de um "bom casamento estratégico". A Yara, que historicamente foca em fertilizantes de alto valor agregado, leva para a parceria conhecimento agronômico e econômico que a Stenon pretende incorporar ao seu produto.

"Integrar mais do conhecimento econômico deles com nossa tecnologia de sensoriamento cria um resultado ainda melhor e mais holístico para o cliente", afirma o CEO.

O produto da Stenon é o FarmLab, equipamento portátil, com o formato de uma pá, que mede diretamente no campo o nitrogênio disponível para a planta, além de matéria orgânica do solo, temperatura e umidade, entre outros indicadores. O software e os modelos de inteligência artificial da empresa transformam esses dados brutos em recomendações de fertilização para produtores e agrônomos.

A tese é relevante no contexto atual. O nitrogênio disponível varia significativamente dentro de um mesmo talhão e ao longo da safra, mas muitos produtores ainda tomam decisões de adubação com informação limitada sobre o solo.

Com os preços de fertilizantes em alta no mercado global, a eficiência na aplicação deixa de ser detalhe agronômico e vira questão de margem. "Nossa tecnologia foi desenhada para transformar os dados de solo de uma medição ocasional em uma camada operacional de tomada de decisão agrícola", resume Grabbert.

"Ao gerar informações de solo de alta resolução diretamente no campo, buscamos dar a produtores e agrônomos uma base mais sólida para as decisões de manejo de nitrogênio."

O Brasil no radar

A plataforma da Stenon já é usada em milhões de hectares na Europa (Suíça, Áustria, Alemanha e Grécia), na Ásia Central (Cazaquistão e Quirguistão), nos Estados Unidos (Califórnia) e no Brasil.

É justamente aqui que a empresa concentrou sua aposta de crescimento. Como mostrou o AgFeed em julho passado, o Brasil é um dos mercados prioritários da companhia, que planeja ampliar equipe, parcerias e a adoção da tecnologia em culturas como milho, cana, algodão, café e feijão.

Os recursos da rodada serão direcionados ao desenvolvimento da plataforma de inteligência de nitrogênio do solo da Stenon e à expansão para mais culturas e regiões.

Para os próximos 12 meses, Grabbert lista três prioridades: deixar pronta a nova geração de tecnologia da companhia, com lançamento previsto para 2027 (detalhes mantidos em sigilo), aumentar as operações na América Latina e entrar em novos mercados.

A Stenon vende equipamentos e serviços para revendas de insumos, revendas de máquinas agrícolas, consultorias agronômicas e empresas de alimentos, com um modelo que combina a venda de dispositivos com a prestação de serviços de medição direto nas propriedades.

Resumo

  • Yara Growth Ventures adquire participação minoritária na Stenon, startup alemã especializada em análise de solo em tempo real
  • Tecnologia combina sensores e inteligência artificial para orientar a aplicação de nitrogênio e aumentar a eficiência no uso de fertilizantes
  • Brasil é mercado prioritário para a expansão da Stenon, que planeja ampliar operações na América Latina e desenvolver novas soluções até 2027