O mercado brasileiro de bioinsumos avançou em valor e, principalmente, em área no primeiro semestre de 2026. Segundo os dados do CropData, portal de dados da CropLife Brasil, divulgados nesta quinta-feira, 24 de setembro, o País encerrou o período com 46,2 milhões de hectares tratados com produtos biológicos, alta de 18,3% em relação ao mesmo perído em 2025.
Em valores, o setor movimentou R$ 1,82 bilhão nos seis meses, um crescimento de 9,6% na comparação anual.
"A área tratada cresceu quase o dobro do valor, sinal de que o biológico está chegando a mais hectares, combinado ao defensivo químico no manejo integrado", afirma Renato Gomides, gerente executivo da CropLife Brasil, em comunicado.
Entre janeiro e junho, o segmento de bioinseticidas representou a maior fatia das vendas, com R$ 858,2 milhões (47% do total), e também liderou em área tratada, com 16,4 milhões de hectares (35%). Esse resultado foi puxado pelo plantio do milho segunda safra.
Na comparação com o mesmo período de 2025, o valor do segmento cresceu 10,2% (ante R$ 778,9 milhões) e a área avançou 1,7% (ante 16,1 milhões de hectares). A nota da CropLife destaca que os bioinseticidas têm participação notável na cultura do milho safrinha, com adoção de 35% na safra 2025/2026, segundo a consultoria Blink, e atuam no combate a pragas como a cigarrinha-do-milho e a lagarta-do-cartucho.
Na sequência, aparecem os segmentos de bionematicidas, biofungicidas e inoculantes, cujo ritmo de compra e aplicação deve avançar no segundo semestre, na esteira da preparação para o plantio da soja.
Na primeira metade do ano, os bionematicidas venderam R$ 542,8 milhões e cobriram 15,1 milhões de hectares, com aumentos de 11,8% e 36,7%, respectivamente. O segmento, que combate nematoides fitoparasitas, registra adoção aproximada de 35% na soja e de 56% no algodão, segundo a Blink.
Os biofungicidas, por sua vez, totalizaram R$ 311,5 milhões e 5,4 milhões de hectares tratados, com o maior crescimento de valor entre os segmentos no período: 19,8%. A adoção na soja foi de 24% na safra 2025/2026, com uso de proteção preventiva e complementar ao químico.
Já os inoculantes apresentaram trajetória distinta: retração de 21,5% no valor, para R$ 107,0 milhões, mas avanço de 38,6% na área, para 9,4 milhões de hectares.
A CropLife explica que o segmento tem forte correlação com a soja — adoção que ultrapassa 90% — e que o mercado inicia trajetória de crescimento a partir de junho, com a aquisição de sementes e o tratamento industrial de sementes (TSI) para a próxima safra.
O levantamento traz também dados sobre o registro de novos bioinsumos. De janeiro até 24 de setembro, o País acrescentou 61 produtos biológicos com registro ativo, segundo dados elaborados pela consultoria Move Analytics com base em informações oficiais do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), considerando apenas os registros ativos na base do Agrofit.
Por segmento, foram 44 produtos de agentes microbiológicos (72% do total), 9 de agente macrobiológicos e 8 bioquímicos.
O documento, porém, sinaliza uma desaceleração nas concessões. O prazo médio para registro está em cerca de 20 meses para produtos biológicos e 16 meses para os biológicos/orgânicos em 2026, ante 15 e 14 meses, respectivamente, em 2025.
A nota da CropLife contextualiza ainda a sazonalidade do setor. O semestre contempla o período caracterizado como entressafra para as vendas de bioinsumos, que impacta a comercialização de janeiro a maio.
A partir de junho, segundo a entidade, as vendas devem ganhar ritmo com a antecipação das compras de insumos para o plantio da soja, que começar a ganhar ritmo após o fim do vazio sanitário, em setembro, na maior parte dos estados.
Assim, é esperada uma aceleração dos segmentos de biofungicidas, bionematicidas e inoculantes até meados de novembro/dezembro, fechando o ciclo anual de vendas.
Resumo
- Mercado brasileiro de bioinsumos movimenta R$ 1,82 bilhão e amplia a área tratada com produtos biológicos no primeiro semestre
- Bioinseticidas lideram as vendas, enquanto bionematicidas e biofungicidas avançam com a preparação para a safra de soja
- Setor registra 61 novos bioinsumos com registro ativo até setembro, mas enfrenta aumento no prazo médio de aprovação