A semana está movimentada em Boa Vista, capital de Roraima, no extremo Norte do Brasil.
Apesar de ter sido um dos primeiros estados afetados pelo El Niño em 2026, o governo de Roraima decidiu manter um evento agropecuário tradicional da região, a Expoferr, (Exposição-Feira Agropecuária de Roraima) que chegou a sua 45ª edição.
O AgFeed percorreu os pavilhões da feira ao lado do secretário de atração de investimentos do estado, Aluizio Nascimento, um paranaense que há 25 anos se dedica ao desenvolvimento do agronegócio de Roraima.
“Este ano a pecuária está salvando a agricultura”, repetiu ele, na entrevista ao AgFeed.
O secretário se refere ao bom momento de preços e de expansão da atividade pecuária no estado, incluindo os confinamentos, que contam a oferta dos grãos cultivados no raio de 150km da capital Boa Vista.
A expectativa dos organizadores é alcançar pelo menos R$ 600 milhões em negócios na Expoferr deste ano. O público estimado é de 480 mil pessoas ao longo de cinco dias.
Foram quase 8 mil animais inscritos, entre bovinos, caprinos e ovinos. Os leilões de elite, especialmente da raça Nelore, dão o glamour necessário ao evento, mas a pecuária do dia a dia, que garante a carne no varejo, também mostra sinais de aquecimento.
Logo na entrada do parque de exposições o AgFeed encontrou o estande da Coopercarne , uma cooperativa de pecuaristas criada em 2001.
São 130 produtores associados, atualmente, que compram os insumos em conjunto e fazem a conexão com frigoríficos e varejo.
“Esse ano a gente deve estar entre 25% e 30% de aumento no faturamento bruto”, contou Nadisson Peixoto Pinheiro, presidente da Coopercarne, em entrevista ao AgFeed.
Já na soja o cenário é diferente. Entre os patrocinadores da feira está a Amaggi, uma das primeiras entre as maiores tradings do País a apostar suas fichas em Roraima.
No estande da empresa encontramos produtores de soja com situações distintas. Alguns perderam milhões de reais este ano à medida que o El Niño cortou as chuvas em período essencial para as lavouras.
Essa foi a realidade, principalmente, de quem planta nas áreas de Cerrado. Já os agricultores que cultivam na chamada transição para a floresta, mais ao Sul de Roraima, contaram com mais chuvas (houve até excesso em alguns casos) e na roda de conversa houve relatos de produtividade acima de 70 sacas por hectare.
Vale lembrar que a maior parte do estado de Roraima está acima da Linha do Equador, por isso a safra de soja vai de abril a setembro, como ocorre nos Estados Unidos.
Apesar das diferenças entre regiões, o fato é que na média houve quebra de 42% na safra de soja de Roraima, segundo a Aprosoja local. A entidade nem realizou esse ano a tradicional abertura de colheita, em meio à frustração de safra.
Murilo Ferrari, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja) de Roraima, disse ao AgFeed que no ano passado a média do estado ficou acima de 60 sacas por hectare, o que deixou Roraima entre as quatro maiores produtividades médias do País.
Agora, com o El Niño, poderá cair abaixo de 40 sacas, mas há produtores que atingiram quase 100 por hectare.
De olho no futuro
Apesar das dificuldades da atual safra, o clima entre os produtores de Roraima que participam da feira – a Expoferr termina neste sábado, dia 7 de novembro - é de disposição para seguir investindo na ampliação da produção, o que inclui também as agroindústrias.
Empresas que processam os grãos estão com projetos prontos para ampliar capacidade produtiva e os investimentos em logística, como o porto da Amaggi que já transportou cargas de Caracaraí-RR até Itacoatiara-AM, também vem se multiplicando.
Pelos cálculos do secretário Aluizio Nascimento há chances de Roraima receber investimentos da ordem de R$ 10 bilhões nos próximos anos. Os detalhes sobre as principais iniciativas no radar serão apresentados pelo AgFeed numa série especial de reportagens ainda no mês de novembro.
Resumo
- O crescimento da pecuária está ajudando a compensar as perdas na safra de soja de Roraima, que realiza esta semana sua mais tradicional feira agropecuária, a Expoferr
- Previsão dos organizadores é alcançar pelo menos R$ 600 milhões em negócios e contabilizar 480 mil visitantes ao longo dos cinco dias
- Secretário de Atração de Investimentos, Aluizio Nascimento, prevê aportes de R$ 10 bilhões no agronegócio do estado nos próximos anos