A data ainda não está marcada, mas a Basf continua dando passos firmes nessa direção ao IPO de sua divisão agrícola. Nesta segunda-feira, 14 de setembro, a gigante química alemã anunciou a contratação de Citi, Deutsche Bank, Goldman Sachs e J.P. Morgan como coordenadores globais para liderar a preparação da oferta.

O comunicado é mais um marco no caminho que a companhia traçou para estar pronta para a listagem da Basf Agricultural Solutions até meados de 2027. A empresa, porém, faz questão de ressalvar que nenhuma decisão sobre a execução ou o momento do IPO foi tomada e que qualquer definição dependerá de fatores como as condições prevalecentes do mercado de capitais.

O movimento anunciado hoje é o mais recente de uma sequência que vem sendo desenhada desde setembro de 2024, quando o CEO global Markus Kamieth admitiu publicamente, pela primeira vez, a intenção de desmembrar a divisão agrícola em uma companhia autônoma.

Na ocasião, em conferência interna com funcionários, o executivo confirmou que o grupo passaria por uma grande transformação, incluindo a listagem em separado dos negócios agrícolas. Segundo relatório do baco de investimentos Jefferies, publicado meses depois, o processo poderia avaliar a divisão em 16,5 bilhões de euros, algo próximo de R$ 100 bilhões no câmbio atual.

Desde lá, uma série de etapas foi cumprida pela companhia. Em outubro de 2025, no Capital Markets Day, a empresa detalhou pela primeira vez, de forma oficial, a estratégia até o IPO, fixando como meta estar pronta para a listagem em 2027.

Semanas depois, confirmou que a oferta ocorreria na bolsa de Frankfurt e que o grupo alemão se manteria em posição majoritária na nova empresa, além de anunciar a diretoria da futura companhia, liderada pelo CEO Livio Tedeschi, que já presidia a divisão agrícola.

Em 30 de abril deste ano, veio o sinal verde da assembleia de acionistas para avançar com a separação dos negócios, formalizando a criação, em todo o mundo, da nova Basf Agricultural Solutions.

No Brasil, um dos três mercados mais importantes para a divisão agrícola da Basf no mundo, a mudança se materializou em 1º de julho, quando a recém-criada entidade começou a operar oficialmente no país, como o AgFeed noticiou na ocasião.

A formalização foi revelada sem alarde, por meio de uma postagem do vice-presidente de Soluções Agrícolas da Basf no Brasil, Marcelo Batistela, em seu perfil no LinkedIn.

"Dia 01 de julho de 2026 foi um dia muito simbólico para a jornada de transformação da BASF Agricultural Solutions, pois marcou a data de uma etapa importante em que nos tornamos uma empresa 100% dedicada à agricultura no Brasil e no mundo", escreveu o executivo.

"Oficialmente agora somos BASF Agriculture Solutions Brasil." Segundo ele, foram "centenas de pessoas envolvidas no projeto DS aqui no Brasil e no mundo" para tornar possível a mudança da entidade legal.

A separação jurídica e operacional, aliás, segue no cronograma. Segundo o comunicado desta segunda-feira, aproximadamente 80% do negócio global de Soluções Agrícolas já foi transferido para entidades jurídicas próprias, que operam em um novo sistema de ERP específico para a indústria — na Alemanha e na América do Norte, a separação legal e de sistemas foi concluída ainda no ano passado, e o Brasil entrou na onda em julho.

O IPO é descrito pela Basf como elemento central da estratégia "Winning Ways", com o objetivo de destravar todo o potencial de valor do negócio como uma empresa agrícola independente e "pure-play" — ou seja, dedicada exclusivamente à agricultura.

Sob o guarda-chuva da nova companhia estarão integradas todas as áreas hoje voltadas ao agro dentro do grupo, como defensivos, sementes, biológicos e agricultura digital. A visão da empresa é que, separada das demais divisões, a área teria maior capacidade de focar no seu crescimento, sem disputar atenção com outros negócios, além de abrir caminho para investidores interessados no agro — mas não dispostos a participar de áreas como a petroquímica — avaliarem a companhia de forma isolada.

Os números ajudam a dimensionar o que está em jogo. A divisão agrícola é responsável por mais de 16% das receitas do grupo, tendo faturado 9,5 bilhões de euros (cerca de R$ 57 bilhões) no ano passado em todo o mundo, resultado 2% inferior ao de 2024.

A companhia não divulga dados exclusivos do Brasil, mas historicamente a América do Sul — que tem no país sua maior operação — responde por 24% das receitas, atrás da América do Norte (40%) e muito próxima da Europa (26%).

O próximo marco já tem data: em 24 de novembro, a Basf realizará seu Capital Markets Day, quando apresentará uma visão estratégica e operacional do negócio de Soluções Agrícolas, com a participação dos quatro membros do conselho de administração da nova empresa.

Até lá, a companhia segue repetindo a cautela que tem marcado todo o processo. "A listagem planejada de nosso negócio de Agricultural Solutions marcará o próximo passo decisivo para destravar valor adicional para nossos acionistas", resumiu Kamieth ao apresentar os planos para o IPO em novembro do ano passado.

A contratação dos bancos, agora, indica que o caminho até lá continua sendo pavimentado passo a passo, e sem data marcada.

Resumo

  • Basf contrata quatro grandes bancos para coordenar a preparação do IPO de sua divisão agrícola
  • Companhia avança na separação jurídica e operacional da Agricultural Solutions, com listagem prevista para 2027
  • Nova empresa reunirá defensivos, sementes, biológicos e agricultura digital, com foco exclusivo no agronegócio